Rhapsody: o ápice da primeira fase no brilhante Dawn of Victory
Resenha - Dawn of Victory - Rhapsody
Por Ricardo Seelig
Postado em 18 de outubro de 2019
Em 2000, o quinteto italiano Rhapsody era um dos principais nomes do power metal em todo o mundo. No Brasil, a banda arrebanhava uma multidão de fãs tanto pela música que fazia, inegavelmente original, quanto pela presença constante nas páginas da Rock Brigade, principal revista especializada em metal na época e também responsável por lançar os discos do grupo por aqui.
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Foi nesse cenário que desembarcou nas lojas "Dawn of Victory", terceiro álbum da banda formada pelo vocalista Fabio Lione, pelo guitarrista Luca Turilli, pelo baixista Alessandro Lotta, pelo tecladista Alex Staropoli e pelo baterista Alex Holzwarth. Produzido novamente pela dupal Sasha Paeth e Miro, que havia assinado os dois primeiros trabalhos do grupo, "Dawn of Victory" traz em suas dez canções o exemplo mais bem acabado dessa primeira fase do quinteto italiano. Estão aqui as letras contando batalhas épicas, feitos heroicos e contos grandiosos, tudo amparado pela eficiente mistura entre metal melódico, música clássica e elementos do folclore europeu, resultando em um heavy metal rico em melodias, cativante e cinematográfico.
Centrado no trio Lione, Turilli e Staporoli, o Rhapsody mostrou todas as suas qualidades em "Dawn of Victory". O vocal de Lione bebe direto na tradição operística da Itália e coloca a função do cantor em outro nível, com interpretações cheias de personalidade e tons absurdos. Não à toa, Fabio Lione ganhou status como uma das maiores vozes do metal dos anos 1990 e 2000, e segue fazendo bonito como frontman do Angra. Luca Turilli varia entre riffs e melodias, e nesse segundo aspecto sua guitarra soa muito mais como um violino, deslizando por harmonias que bebem direto na escola de grandes nomes como Nicolo Paganini e Johann Sebastian Bach. Já Alex Staporoli segura o som do Rhapsody com o seu teclado, que muitas vezes funciona como uma espécie de orquestra de um homem só, recheando as músicas com intervenções sempre certeiras.
"Dawn of Victory" possui não apenas uma riqueza musical inebriante, mas sobretudo um lirismo harmônico que emociona. As melodias tocantes são constantes em todo o disco, seja em canções mais rápidas como "Triumph for My Magic Steel" ou em momentos mais cadenciados como o mergulho na Idade Média e na Renascença proporcionado por "The Village of Dwarves".
Exagerada e barroca, a música do Rhapsody perdeu força com o passar dos anos, mas nos três primeiros discos ela foi realmente inovadora e original, com canções que bebiam sem filtros em universos repletos de espada e feitiçaria como Conan, O Senhor dos Anéis e até mesmo no então nascente Game of Thrones – vale lembrar que o primeiro livro da série foi publicado na Europa em 1996 -, pinçando elementos desses clássicos para criar a The Emerald Sword Saga, que teve cinco capítulos contados nos cinco primeiros álbuns da banda: "Legendary Tales" (1997), "Symphony of Enchanted Lands" (1998), "Dawn of Victory" (2000), "Rain of a Thousand Flames" (2001) e "Power of the Dragonflame" (2002).
"Dawn of Victory" é um dos grandes discos de metal da década de 2000 e entrega canções fortíssimas como a música-título e seu refrão pra lá de épico ("Gloria, gloria perpetua / In this dawn of victory"), "Triumph for My Magic Steel", "The Village of Dwarnes", "Dargor, Shadowlord of the Black Mountain", "The Bloody Rage of the Titans" e "Holy Thunderforce", um dos maiores hinos do grupo.
A banda acabou se dividindo no futuro, gerando diversas outras versões sobre o alcunha Rhapsody – Staporoli com a sua, Turilli com outra, Lione e Turilli em mais outra -, mas isso não apaga uma carreira cheia de grandes álbuns, principalmente os três primeiros. "Dawn of Victory" é um dos integrantes desse trio inicial absolutamente atordoante e especial. Passados quase duas décadas de seu lançamento, segue mantendo toda a sua força.
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