COC: o retorno de Pepper Keenan em um disco estupendo
Resenha - No Cross No Crown - Corrosion of Conformity
Por Ricardo Seelig
Postado em 17 de julho de 2019
As relações humanas são fascinantes. O fruto da parceria entre indivíduos é a soma das forças de cada um. Criativamente, os ingredientes colocados na mistura resultam em diferentes produtos finais. O Corrosion of Conformity é um exemplo clássico disso. "No Cross No Crown" é o primeiro álbum da banda a contar com o vocalista e guitarrista Pepper Keenan desde "In the Arms of God" (2005). E o retorno do tempero principal volta a dar ao COC a personalidade e a força que colocaram a banda no topo durante os anos 1990.
Corrosion Of Conformity - Mais...
Neste hiato, Keenan focou na parceria com Phil Anselmo no Down, enquanto o Corrosion of Conformity lançou dois discos - o auto-intitulado trabalho de 2012 e "IX" em 2014. Não foram álbuns ruins, mas faltava algo. E este algo está presente de forma massiva em "No Cross No Crown".
Ainda que todos saibam e tenham consciência, é praticamente impossível mensurar a importância do Black Sabbath para a música pesada. Nenhuma banda influenciou e moldou tanto o gênero como o quarteto de Birmingham. E o novo álbum do COC mostra isso mais uma vez. Tremendamente influenciado pelos riffs de Tony Iommi, "No Cross No Crown" é uma ode à banda mais importante do metal. Peso em doses cavalares, canções muito bem escritas e interpretações impregnadas de pedigree tornam o disco uma delícia para os ouvidos que estão à procura de um bom álbum de metal.
Com força e inspiração, Keenan colocou o Corrosion of Conformity novamente nos trilhos. Há uma certa semelhança com o que o Paradise Lost fez em 2017 com "Medusa", onde os exageros foram aparados e o foco ficou na agressividade e na profundidade das composições. A diferença é que o COC consegue incluir uma dose ainda maior de melodias melancólicas, resultando em passagens muito bonitas entre a rifferama predominante.
Com quase uma hora de duração e quinze músicas, "No Cross No Crown" é um dos grandes discos do Corrosion of Conformity e não deve nada a clássicos como "Blind" (1991) e "Deliverance" (1994). O retorno de Pepper Keenan é a peça que faltava para a engrenagem do COC voltar a funcionar com toda força.
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