Whitesnake: novo álbum reafirma a sonoridade clássica
Resenha - Flesh & Blood - Whitesnake
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 25 de junho de 2019
O Whitesnake é uma banda fora do seu tempo. E isso fica evidenciado em seu novo álbum, "Flesh & Blood". Tanto para o bem quanto para o mal.
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Lançado no Brasil de forma simultânea ao resto do mundo pela Hellion Records (com direito a pôster e adesivos exclusivos), "Flesh & Blood" é o décimo-terceiro disco da banda do vocalista David Coverdale e o primeiro com material inédito desde "Forevermore" (2011) – no meio do caminho, o grupo gravou releituras do Deep Purple, banda que revelou Coverdale, em "The Purple Album" (2015). Ao lado do frontman estão os guitarristas Reb Beach e Joel Hoekstra, o tecladista Michele Luppi e o baixista Michael Devin, além do baterista Tommy Aldridge, parceiro das antigas de David e com duas passagens anteriores pelo grupo - entre 1987 e 1991 e mais recentemente, entre 2002 e 2007.
"Flesh & Blood" vem com treze músicas, todas explorando a sonoridade que tornou o Whitesnake uma mega banda a partir do multiplatinado álbum autointitulado de 1987. Ou seja: o que ouvimos é um hard rock que bebe direto na estética sonora californiana da segunda metade dos anos 1980, cheio de melodias grudentas e refrãos fortes, prontos para serem cantados em grandes arenas. Não há nada aqui que remeta ao passado hard blues, a famosa e idolatrada fase "chapéu e bigode", que teve como ponto de ruptura o clássico "Slide It In" (1984). E, na boa, seria surpreendente se a uma altura dessas o Whitesnake fizesse uma mudança tão drástica em sua música, convenhamos.
O lado bom de ser uma banda deslocada da realidade atual é que o Whitesnake faz uma música mais simples, um hard rock que não apresenta maiores preocupações a não ser a de entregar boas faixas para cantar junto e alguns momentos feitos sob medida para embalar casais apaixonados e corações partidos, como é o caso de "When I Think of You (Color Me Blue)" e a acústica "After All". A banda não tenta, em nenhum momento, subverter ou revolucionar o estilo que executa, e transita sem maiores percalços por um universo que domina e que os fãs já estão habituados.
Já o lado não tão legal dessa escolha é que o Whitesnake, em certos momentos, soa datado. Isso se percebe principalmente em relação às letras e ao temas cantados por Coverdale, e fica evidente em faixas como "Shut Up & Kiss Me", "Trouble is Your Middle Name" e similares. Na voz de um cara de vinte e poucos anos essas canções teriam mais credibilidade do que quando entoadas por um senhor de quase 70 – David Coverdale completará 68 anos em setembro. Além disso, em um mundo onde a equidade de sexo e gênero é cada vez mais efetiva e permanente, ouvir alguns versos com trechos que insistem em trazer aspectos machistas soa desnecessário e meio constrangedor.
Musicalmente, no entanto, "Flesh & Blood" é um bom disco. A banda, que tem como principal referência a guitarra de Red Beach e bateria de Tommy Aldridge, soa bem em todas as músicas, sem se aventurar por caminhos inesperados e arriscados, mas fazendo muito bem aquilo que se propõe a fazer. O resultado são canções que agradam o ouvido como "Good to See You Again", "Hey You (You Make Me Rock)", "Always & Forever", "Well I Never", a grandiosa faixa título e "Heart of Stone", que revisita sutilmente o passado mais bluesy do grupo.
A conclusão é que o Whitesnake mantém o mesmo bom nível dos dois discos lançados desde o retorno da banda – "Good to Be Bad" (2008) e "Forevermore" (2011) -, com um álbum que agradará em cheio quem já é fã do grupo. Se você é um apreciador de hard rock e quer um disco pra curtir na boa, "Flesh & Blood" é uma boa pedida e não irá decepcionar os seus ouvidos.
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