Within Temptation: ousadia e mensagem forte salvaram o álbum
Resenha - Resist - Within Temptation
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 18 de fevereiro de 2019
Nota: 6 ![]()
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É forte a mensagem transmitida por Resist, sétimo álbum de estúdio do septeto de metal sinfônico holandês Within Tempation. Seu título diz respeito não apenas à sua temática em geral, mas também aos acontecimentos que o moldaram.
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O mais notável deles foi o bloqueio criativo da vocalista Sharon den Adel, que a deixou "apagada" por um tempo e cuja recuperação teve início com o lançamento de um projeto pessoal, My Indigo, marcado por um pop eletrônico genérico e esquecível.
O projeto, embora mediano, parece ter tido significativa influência em Resist, pois a incursão no pop com a qual a banda já brinca há um bom tempo alcançou níveis mais altos aqui, o que se revela uma faca de dois gumes. Numa primeira audição, muitas músicas parecem variações delas mesmas, numa versão musical do meme "-Posso copiar seu trabalho? -Pode, só não faz igual". Além disso, mesmo após várias audições, no máximo metade das faixas são realmente memoráveis (talvez o problema mais grave aqui).
Por outro lado, temos aqui uma proposta clara e coerentemente executada, e as roupagens pop ajudam a manter o som coeso, como uma corrente. Com canções que falam, basicamente, sobre resistência (dã!), enfrentamento e inconformismo, Resist se mostra uma trilha sonora adequada para os tempos sociopolíticos tenebrosos que o mundo enfrenta e tem um tom crítico equiparável ao ambientalista Mother Earth, de 2000.
O álbum até abre bem com "The Reckoning", que já traz uma das três participações especiais: Jacoby Shaddix, do Papa Roach. O grupo afirmou em entrevista ao Heavy Metal Headquarters que o chamou para dar à canção uma ira misturada a vulnerabilidade - e foi exatamente o que conseguiram.
O septeto perde o gás já na sequência, a fraca "Endless War", mas o recupera no single "Raise Your Banner", uma das mais emblemáticas da temática de resistência e adoçada com a participação de Anders Fridén, do In Flames; em "Supernova", poderosa homenagem ao pai de Sharon, falecido há um ano; e em "Holy Ground".
Perdemos a empolgação de novo com as monótonas "In Vain" e "Firelight" - esta última foi originalmente composta para o My Indigo e deveria ter ficado por lá mesmo, uma vez que nem o simpático Jasper Steverlinck (Arid, Guilt Machine) consegue torná-la interessante, em que pese sua levada singelamente tribal.
A tríade final é o ponto alto da obra: primeiro, a industrial "Mad World". Depois, ironicamente, o momento mais pop de todos, "Mercy Mirror", mas que também é quando parece haver maior entrega da banda. Mais ironicamente ainda, ele é sucedido justamente pelo momento mais metal, e talvez justamente por isso a melhor faixa, "Trophy Hunter".
Resist tem menos músicas memoráveis que a média da discografia do Within Temptation, e tem também menos espaço para as (três!) guitarras. Fora um solo em "Raise Your Banner", umas passagens faroesteanas em "Firelight" e um punhado riffs mais fortes aqui e ali, elas parecem constantemente sufocadas pelas camadas vocais, pelas orquestrações e pelos teclados.
Falando em teclados, é estranho que um grupo de metal sinfônico lance um produto em que metade das faixas começa com melodias eletrônicas. Sinal de um novo direcionamento sonoro? Resquício do My Indigo? Jogada comercial? Evidência de que o bloqueio criativo ainda não acabou por completo? Tentativa de se distanciar do ótimo Hydra, que encantou a crítica mas dividiu os fãs? Provavelmente, um pouco de cada.
O disco é bom por ser fruto do trabalho de uma banda ótima, mas acaba derrotado pela maioria dos antecessores. Mesmo assim, não posso deixar de destacar a capacidade e a coragem que o Within Temptation tem para se arriscar, independentemente do resultado ser feliz ou não. Eu diria que eles estão para o metal sinfônico assim como o Sonata Arctica está para o power metal.
Abaixo, o lyric video de "Raise Your Banner":
Track-list:
1. "The Reckoning" (com Jacoby Shaddix)
2. "Endless War"
3. "Raise Your Banner" (com Anders Fridén)
4. "Supernova"
5. "Holy Ground"
6. "In Vain"
7. "Firelight" (com Jasper Steverlinck)
8. "Mad World"
9. "Mercy Mirror"
10. "Trophy Hunter"
Fonte:
Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/resistwt
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