Muse: A lei do exagero
Resenha - 2nd Law - Muse
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 30 de novembro de 2018
Nota: 10 ![]()
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O Muse sempre adotou uma estética maximalista: vai de quase hardcore a rock progressivo em menos de 30 segundos; aspira a fazer música "clássica" ao mesmo tempo que pop. Dramático a partir do próprio nome, The 2nd Law (2012) não destoou do exagero calculado, mas acrescentou ingredientes anos oitenta à receita.
Queen continuou a referência mais óbvia e o grupo seguiu aproveitando tudo que ouvia para compor seus bombásticos spaghetti álbuns.
Supremacy, faixa inicial, começa ameaçadora, com bateria marcial, tom pomposo, ledzepelliniano, afinal, é a abertura de mais um excesso de Matt Belamy (voz e guitarra), Dominic Howard (bateria) e Chris Wolstenholme (baixo e estreia nos vocais, em duas faixas).
Quando saiu o primeiro single, Madness, diversos fãs não gostaram. Acharam sacrílega essa espécie de mistura de Queen (I Want to Break Free, Under Pressure) com I Want Your Sex, de George Michael. Mas, no contexto de The 2nd Law, ela faz todo sentido.
O fantasma enforcado de Michael Hutchence assombra a abertura de Panic Station, descendente de Suicide Blonde, do INXS. É a mesma guitarra funkeada, que na verdade vem de Prince; afinal, qual branquelo oitentista (Suicide é de 90, whatever) querendo funkear não chupou o baixinho de Mineapolis? Em seguida, um climão disco embala a canção, alternando-se com a batida INXS/Prince.
Survival, o hino oficial das Olímpiadas londrinas, de 2012, mistura Tchaikovsky, Queen, opereta, vocais oscilando entre barítono e falsete, coral masculino e contracoral feminino e ufanismo de competição. Dá para imaginar Matt Belamy querendo entrar no palco voando, suspenso por alguma engenhoca; totalmente diva!
Follow Me consegue fundir I Will Survive, de Gloria Gay-nor com messianismo a la Bono! Imagine sisudos roqueiros curtindo ao som de acordes de um hino gay-disco. Só o Muse mesmo...
Save Me é uma das duas canções escritas por Chris Wolstenholme, lidando com seu alcoolismo. Cordas e teclado em forma de ondas e círculos concêntricos, seguidos de grossa malha sonora, que afoga o vocal, não muito depois da letra afirmar que o sujeito está "se afogando em negação". Intoxicante como álcool.
O disco encerra com duas faixas praticamente sem vocais a não ser gente falando de forma alarmista sobre energia. A banda pilhava o então queridinho modernete Skrillex e seu brostep - espécie de dubstep mais agressivo. Combinado com coro quase eclesiástico, contracantos choramingados de Bellamy, orquestração extravasada e voz de robôs à Kraftwerk, o disco encerra em clima de ficção-científica.
Muse também é rock progressivo no sentido de combinar elementos. Pacmen exacerbados, deglutem glam, prog, electronica, disco, pop, synth e devolvem tudo dramaticamente. Freddie Mercury parece contido se comparado a Bellamy!
Quem odiava o exagero, continuou detestando; quem amava, seguiu venerando. Muse incorporou elementos para continuar o mesmo jorro de pathos que conhecemos desde o crepúsculo dos anos 90.
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