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Camus: em 2018, novo disco da banda

Resenha - Abyssal - Camus

Por Joelson Pereira
Em 08/10/18

A Camus, banda oriunda de Recife, na estrada desde Agosto de 2010 fazendo o que se concebia como heavy metal, todavia sem um norte muito bem definido quanto ao estilo. Idealizada por Thiago Santos (Baixo/Voz) e por Deivson Silva (Guitarra). Na escola de artes onde estudavam, conheceram Marcelo Dias (Bateria), que tocava numa banda cover juntamente com Jones Johnson (Guitarra), que então resolveram sair da banda e experimentar ideias autorais. Começava aí uma jornada de quase um ano, onde no dia 29/05/2011, a banda gravou sua primeira demo; "Inner Struggle".

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Em 2014 foi gravado o primeiro EP com o título de "Heavy Metal Machine" que contou com a produção do já renomado Nenel Lucena. Esse disco já destilava ideias mais lapidadas e calcadas num heavy metal tradicional com fortes influencias de bandas como Judas Priest e Motörhead só pra citar...

Em Março de 2016 o trio Thiago, Marcelo e Jones sentiram a necessidade de mais uma guitarra pras composições da banda, nesse mês deu início aos trabalhos; o guitarrista Deniere Martins da cidade de Paudalho-PE, interior do estado, o mesmo assina algumas faixas do novo disco da banda, objeto dessa resenha.

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Em Setembro de 2018 o tão esperado debut álbum ABYSSAL; full length com nove faixas autorais, que contou novamente com a produção de Nenel Lucena, dobradinha que vem dando muito certo. A arte de capa é assinada por Alcides Burn, ilustrador de várias capas de discos nacionais e gringos, segue a temática conceito da obra, que discorre sobre os demônios e os diversos "eus" existentes na mente humana, assim como o pesadelo de não saber o que é real ou mera ilusão.

Passado o background histórico vamos a track list...

1. THE POWER OF A CHOICE – Somos de cara brindados com uma intro nervosa de batera; Marcelo Dias dá o tom da "brincadeira" deixando claro o que está por vir. Essa é uma daquelas faixas que deixará qualquer banger em pé de guerra no morshpit, a trilha segue calcada no thrash metal correria no início e vai se cadenciando no meio pra um heavy metal digno dos medalhões e finaliza como começou; thrash metal old school.

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2. SEND ME A SIGHT – É heavy metal com a pureza dos que lhe conceberam o nome, com vocal marcante de Thiago Souza, o inicio dessa faixa lembra o Metallica do Black Album, isso fica mais evidente quando começa o vocal, cadenciado pelo riff que permeia toda faixa, o refrão é melódico e pega fácil, o baixo talvez seja o destaque dessa track, ele faz uma ponte perfeita pra o solo de Jones, que esmerilha as seis cordinhas com whah vigoroso e notas cheias de vibratos.

3. OFFER OF BLOOD – Essa música é incrível e cheia de personalidade, Deniere Martins (Guitar/vocal) assina a letra e assume os vocais, com a responsabilidade de um perfeccionista e a destreza de um desbravador, aplicando drives vocais que trazem a tona uma atmosfera de suspenção sob o que vem a seguir... O refrão tem DNA melódico serpenteado por um fraseado insano de baixo que é sucedido por um solo recheado de notas em escala, dueto e pedal point finalizado com slide; a música termina em fade out com um fraseado de guitarra em dueto, trazendo de volta aquele clima de suspense do início; sensacional!!!

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4. KNIGHTS OF METAL – A música de trabalho que talvez traduza com mais propriedade o estilo da banda, remetendo ao sucesso HEAVY METAL MACHINE, metal tradicional da melhor qualidade, a intro nos leva de imediato a um campo de batalha, seguida de uma locução que "prepara" os ânimos pra tensão que se segue... "Marching bravely, for the glory, the metal flag over us!" diz o refrão, cujo lyric vídeo ilustrado tão bem pelo desenhista Diogo Bezerra e animado pela Motion Design (Marcelo Silva) desbrava o código de honra dos guerreiros samurais, assim como adeptos fiéis ao heavy metal.
Thiago Sousa (Baixo/Vocal) abre os trabalhos nessa faixa cantando as estrofes com drives e agudo tão afiado quanto uma catana samurai. O refrão fica por conta da participação de Nenel Lucena, que encarna e personifica um verdadeiro guerreiro na carnificina de uma batalha, agudos no extremo de sua extensão vocal são executados, fazendo jus ao título da faixa. O que antecede o solo? A bateria em êxtase de Marcelo Dias, como que atiçando os guitarristas a se digladiarem até a morte!!! Jones inicia a battle com um bend afiadíssimo e harmônico soberbo seguido de slide e escala lembrando o galope de cavalos enfurecidos, Deniere responde com bend tenso, muito tenso e wha wha berrando e pedal point pra finalizar o embate seguido de power chords que desemboca no refrão, Nenel denovo screamer até morrer, hahahahahaha "We Knights of Merallllllllll"

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5. THERE’S NOTHING IN THE END – Essa track definitivamente aponta novos rumos na jornada musical da banda, Deniere Martins assina a letra e divide a composição da música com Marcelo Dias. Aviso logo que o refrão dessa faixa é daqueles chicletes que gruda na primeira audição, cantado em dueto, cativa de cara quem ouve, não resisti ao repeat e sinalizei no Deezer como preferida logo de cara. O baixo é marcante o disco inteiro, mas nessa faixa ele "salta da tela" Thiago guia os grooves desse hit com extrema competência, preciso ressaltar aqui os harmônicos de guitarra que ficam pontuando o riff no final das estrofes, durante o solo de guitarra (já falo dele) o trabalho de double bass de Marcelo Dias é espetacular e cria a condução perfeita pra o trampo de guitarra que se segue, digitação pra começar o solo que fica suspenso alguns segundos antes de todo mundo retomar a parte instrumental, talvez esse seja o solo mais trabalhado do disco, com escalas ascendentes e acompanhado por uma locução que se encaixou perfeitamente a ponte pra encerramento com refrão.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

6. BLIND TRUTH – Quem assina essa faixa é o baixista e vocalista da banda, Thiago Souza, devo dizer que uma das minhas preferidas entre outros motivos, pela brasilidade intrínseca na intro, os riffs dessa música é de uma genialidade incrível pois fecha direitinho as estrofes e promove as notas mais longas do vocal, principalmente no trecho que antecede o solo, Jones e Deniere dividem a missão aqui, um com wha e bends o outro com a fritação técnica que os riffs da música sugere e que harmônicos no final! O grand finale? Gargalhada sinistra e um riff de dez toneladas.

7. WAR OF MADNESS – Não tenho como descrever aqui a beleza dessa introdução, melódica e harmonicamente épica, desagua em riffs de banda mainstream, tal qual carros antes da arrancada, acelerando o passo antes do estampido do tiro iniciado por Marcelo Dias e seu rolo compressor de dois pedais. Thiago Souza precede o vocal com seu baixo cheio de testosterona, abrindo alas ao vocal de Deniere Martins, que divide a trilha com a participação especial de Sergio Costa (Evocati), essa talvez seja a faixa mais introspectiva do disco, a mais sombria também, pois prescruta a loucura da mente humana. Marcelo Dias rouba um pouco a cena aqui durante o solo da música, pois fica pontuando o mesmo com contratempo de pratos (stacks), solo aliás muito bem executado por Jones e finalizado em dueto com Deniere Martins, o clímax, no entanto, fica por conta de Sergio Costa, com execução do refrão final de forma magistral.

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8. EMPTY LIFE – Assume logo o posto de hit nos primeiros acordes do riff inicial, muito bem pontuado pelos duplos do Dias, devo dizer que achei essa a composição mais moderna e experimental do disco, o vocal com efeito tipo flanger meio indigesto no iníco logo se torna assimilável e incorporando claramente a proposição que a banda procurou explorar, em alguns trechos o riff remete a uma banda lendária; o Bride e em outros a influência do Dr. Sin se fez notar aqui. O solo de Deniere Martins trouxe a técnica bem dosada com escala na velocidade de um raio, seguido por aquela lembrança riffistica "da noiva". Pra finalizar, solo matador de Jones encerra a receita do bolo.

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9. ABYSSAL – Essa faixa instrumental, trouxe a tona várias sensações, afinal de contas a música conecta as pessoas de diversas maneiras. A síntese do conceito da banda foi condensada aqui, depois de oito faixas...

A melancolia quase saudosista, talvez na tentativa de trazer a memória o labirinto cerebral, que conduz médico e monstro aos recônditos mais inexplorado da mente humana, revelando a alma daqueles que se lançam na infindável jornada do conhecimento.

Pra finalizar, a CAMUS mostra fôlego de adolescente e maturidade criativa de quem está a tempos na estrada, o bom gosto musical fica muito evidente nos arranjos e temáticas exploradas. O instrumental entregou as músicas o que se esperava delas, estava tudo ali, casando ideias, metáforas com acordes, liks, rulos, grooves... Pernambuco, celeiro de grandes bandas, guerreiros incansáveis, haja vista a dificuldade "abyssal" que definitivamente separa homens de meninos nesse campo de batalha, que é a música autoral por aqui...
Longa vida a CAMUS, stay metal!!!

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TRACKLIST
1. The Power of a Choice
2. Send me a Sight
3. Offer of Blood
4. Knights of Metal
5.There's Nothing in the End
6. Blind Truth
7. War of Madness
8. Empty Life
9. Abyssal

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