Paradise Lost: álbum de 99 em nova remasterização ainda é desafiador
Resenha - Host Remastered - Paradise Lost
Por Thiago Silva
Postado em 15 de julho de 2018
É sempre curioso notar a evolução de uma banda de Doom Metal proveniente do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, a maioria delas transgrediram para o Rock Eletrônico (Synth Rock), Rock Gótico ou até mesmo para o Rock Alternativo e ali se enraizavam até encontrar o seu fim — como The Gathering e a belíssima Theatre of Tragedy — ou ainda, enfrentar uma nova e inevitável mudança sonora.
O Paradise Lost (desnecessárias as apresentações) iniciou em 1990 com seu 'Lost Paradise', onde um Death Metal seco já mostrava um potencial escondido na voz de Nick Holmes, e também nos instrumentos de Gregor Mackintosh e sua trupe, avançando nove anos, a banda já teria se estabelecido no Doom Metal, com os clássicos: Gothic (álbum que ainda seria importante para a formação do cenário-nome do álbum), Shades of God, Icon e o ápice Draconian Times. Mesmo que em boa parte desses álbuns algumas músicas já flertavam com o rock gótico (seria esse realmente um gênero musical?) a evidência de uma mudança começaria a se mostrar no prelúdio de 1997, com o lançamento do álbum 'One Second'(de onde saiu Say Just Words), mas seria em 1999 que o Paradise Lost se mostraria uma banda corajosa, ao desafiar os ouvidos dos fãs com o álbum HOST.
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O álbum é uma abolição de todos os degraus escalados pela banda até então, uma espécie de reinvenção, a começar pela ausência das guitarras pesadas (ainda presentes no álbum anterior) e a adição constante de sintetizadores. Hoje, 19 anos depois, já sabemos que a banda retornaria para a sua zona de conforto com os triunfais "The Plaque Within" e "Medusa", mas em sua época de lançamento, a guerra estava armada. Depois do lançamento, se desintegram os de ouvidos mais fechados, enquanto isso, claro, muitos outros chegaram. Teria então um dos pioneiros do Doom Metal se entregado ao cenário comercial, com direito a shows e clipe constantes na MTV? A resposta fica a cargo do caro ouvinte/leitor — O melhor álbum cover do Depeche Mode, alguns ainda gostam de debochar.
Host pode ser o ápice, ou um momento maldito, depende da variação musical aceitável por quem escuta — Existe algum fã de PL que não tenha um gosto variável? Desde o lançamento do HOST, os setlists da banda se transformaram em uma verdadeira salada de gêneros musicais. Para se ter um gostinho disso basta ouvir a ótima As I Die e em seguida colocar So Much is Lost, a música que abre HOST com maestria.
Todo o potencial do álbum foi recentemente resgatado em seu recente relançamento, o HOST REMASTERED, uma celebração a um momento controverso. De forma integral, as suas 13 músicas permanecem lá, intocadas, claro que com uma qualidade superior. A já citada So Much is Lost ainda fez carreira no setlist da banda, com eventuais aparições nos dias atuais. Foi ela também o primeiro single do álbum, tendo sido lançada um mês antes do álbum completo. Host ainda renderia um outro single, mais tardio, lançado quatro meses após o lançamento inicial de HOST, estrelando a viciante Permanent Solution (talvez devido ao eminente sucesso do vídeo clipe reprisado na MTV?), onde era composta da versão oficial do CD e a versão editada para o vídeo clipe, que tinha uma introdução diferente e uma presença maior dos sintetizadores. Como bônus, além de versões ao vivo de algumas faixas, o single ainda trazia uma nova versão remixada do hit de sucesso "So Much is Lost", a pouco conhecida "So Much Is Lost (Sanbreeze CO2 Remix)", música que poderia muito bem estar incluída nessa nova remasterização do álbum.
Mesmo devendo em faixas bônus, o controverso álbum ainda mostra forças 19 anos após seu lançamento e segura o ouvinte pelos seus rápidos 52 minutos de duração. É difícil deixar uma faixa de fora em uma possível playlist montada a partir do álbum, uma composição atrás de outra, a voz mutável de Nick Holmes é apaixonante. A atmosfera de difícil assimilação para muitos, ainda se prova bastante fiel aos conceitos iniciais da banda, mesmo soando tão diferente de tudo que a banda tenha feito até então.
Os breves momentos instrumentais são os típicos sintetizadores que emulam uma constante vontade de fazer um loop do devido momento, é como a introdução (e também os momentos finais) da música título: Host. São cinco minutos de uma poesia repetitiva (longe de ser algo ruim) que contém espaço para todos os instrumentos terem o seu devido destaque, como o maravilhoso solo que nos leva pela mão para o desfecho da obra, acabando de forma poética e melancólica o que se iniciou como uma trilha sonora de alguma festa aleatória do início dos anos 2000.
Mesmo sendo um longo passo para longe do metal, o Paradise Lost se manteve no topo com 13 faixas atemporais, o famoso "ame ou odeie" muitas vezes empregados para determinar algo bem divergente, talvez seja aplicável em HOST (como também é o caso do álbum "34.788%... Complete" dos monstros britânicos do Doom Metal: My Dying Bride). É difícil não se encantar com essa remasterização de qualidade sendo apreciador da versão original, e de carona, quem sabe esse relançamento não se prove para alguns uma desculpa para revisitar o que antes era ignorado? Apenas o tempo dirá.
Setlist:
"So Much Is Lost" (Holmes, Mackintosh, Smith) - 4:17
"Nothing Sacred" - 4:02
"In All Honesty" (Holmes, Mackintosh, Smith) - 4:01
"Harbour" (Holmes, Mackintosh, Smith) - 4:23
"Ordinary Days" (Holmes, Mackintosh, Smith) - 3:30
"It's Too Late" (Holmes, Mackintosh, Smith) - 4:47
"Permanent Solution" - 3:17
"Behind the Grey" - 3:13
"Wreck" - 4:41
"Made the Same" - 3:33
"Deep" - 4:00
"Year of Summer" - 4:17
"Host" (Holmes, Mackintosh, Smith) - 5:12
Integrantes:
Nick Holmes – Vocal
Gregor Mackintosh – Guitarra
Aaron Aedy – Guitarra
Steve Edmondson – Baixo
Lee Morris – Bateria
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