Robin Trower: resenha do álbum Where You Are Going To

Resenha - Where You Are Going To - Robin Trower

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 9

Robin Trower é um dos clássicos exemplos de guitarrista old-school, assim como caras como Eric Clapton ou Peter Frampton, que ainda produzem e lançam bons trabalhos. O guitarrista ficou famoso ao ser um dos membros da banda Procol Harum, banda que lançou em 1968 um disco muito conhecido entre os veteranos do Rock, chamado Shine On Brightly. Eu gosto desse disco e o ouço de vez em quando.

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Eu conheci Trower através de acaloradas discussões lá no site Whiplash.net, na época em que o site tinha um mural próprio de discussões, muito antes do Facebook; eu não escrevia, mas eu podia ver o pessoal das antigas recomendando guitarristas como ele para a galera que só gostava de ouvir shredding. Para quem não conhece o termo, quando alguém fala de "shredding", trata-se dos guitarristas que tocam zilhões de notas na velocidade da luz, como Steve Vai, ou Yngwie Malmsteen. Há quase 20 anos atrás (meu Deus, já faz todo esse tempo??!) havia uma certa nostalgia da galera que via os guitarristas virtuosos praticantes do shredding ganharem a ribalta, e sentiam falta dos slowhands, guitarristas como o próprio Clapton, David Gilmour, e o Trower claro, então havia muita discussão e embate de egos entre os caras.

Pensando bem, dá uma saudade danada desses tempos! Me refiro aos tempos em que essa garotada discutia qual guitarrista era melhor, ao invés de discutirem o que é ofensivo e o que não é.

Enfim, através dessas discussões eu fui conhecer o Robin Trower e saía atrás dos discos que recomendavam. Consegui escutar praticamente todos os discos da era Chrysalis, a primeira gravadora dele, ou seja, discos como Bridge of Sighs, Victims of the Fury e Long Misty Days, por exemplo, que mostram de maneira bem forte essa veia blues dele, e passei a recomendar esses grandes álbuns também pra todo mundo que fosse querer conhecê-lo. No entanto, ele meio que saiu do meu radar faz alguns anos, e voltou agora, dois anos atrás, quando eu fiquei sabendo deste disco. Hoje, na gravadora V-12 desde 1994, o guitarrista segue com uma sólida e invejável carreira, porém, a cultura musical mundial se apequenou e a cabeça das pessoas apodreceu com tanto lixo sonoro, e por isso, caras como o Trower hoje passam despercebidos do olhar das pessoas. Mas eu me encarrego aqui de reviver sua memória.

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Where You Are Going To é um álbum que o guitarrista lançou em 2016, mas eu não consegui achar tempo hábil para falar dele; no entanto, eu o ouvi atentamente, e segue para mim sendo um trabalho dos mais sólidos do guitarrista. O som do cara é o som clássico e básico do Rock, sem muito enfeite; som cru mesmo, sem adornos de teclas nem nada disso. Trower e seu amigo Chris Taggart, ele fazendo as linhas vocais, de guitarra e de baixo, e Taggart na bateria. Pronto, é tudo que você precisa.

Com essa simplicidade toda, Taggart ajuda Trower a criar mais futuros clássicos de sua discografia. Claro, Trower já não é mais jovem, e seu som envelheceu com ele, mas ainda continua daquele jeito bacana e marcante que você conhece. Com simplicidade, clareza e emoção, recebemos aqui aquele bom e clássico blues-rock, uma combinação que eu tanto amo e que tem feito minha trilha sonora ao longo da vida; a faixa título é, sem sombra de dúvida, um grande momento do disco, e com toda certeza um grande hit. Tem um sonzinho arrastadão e aquela guitarra chorosa e cheia de drive do Trower em que cada nota conta. "Back Where You Belong", mais ritmada, eu até quis acompanhar na minha gaita, muito embora eu não consiga tocar da forma como se deve, mas dá aquele ânimo em você.

Uma qualidade que eu sempre achei que o Trower tem e que eu aprecio pra caramba, é que ele toca a guitarra em alguns momentos, e fica parecendo bastante com aquela sonoridade que o Hendrix usava. É por isso que eu gosto bastante de "Jigsaw", uma faixa contagiante e que tem justamente essa sonoridade. Outros dois excelentes destaques são a carregada e lenta "Ain't No Use To Worry" e a agitada "In Too Deep", e pra fechar o disco, a ótima "Delusion Sweet Delusion", em que Trower faz linhas de guitarra memoráveis e com aquele ritmo bacana para se tocar blues-rock. Um festival bastante tradicional de faixas de Rock para agradar todo e qualquer fã nostálgico. Curto, é verdade; mas eficaz.

Quando você escuta este disco, a impressão que dá é que você faz uma viagem para os anos 70 novamente. Ele me lembra muito uma obra como Bridge of Sighs, que tem bem essa pegada sonora. Curte boa música? Ouça o disco. É fã do Trower? Corra atrás do álbum! Rock'N'Roll vintage, satisfação garantida e imediata.

Where You Are Going To (2016)
(Robin Trower)

Tracklist:
01. When Will The Next Blow Fall
02. Where You Are Going To
03. Back Where You Belong
04. Jigsaw
05. The Fruits Of Your Desire
06. We Will Be Together Someday
07. Ain't No Use To Worry
08. In Too Deep
09. I'm Holding On To You
10. Delusion Sweet Delusion

Selo: V-12 Records

Banda:
Robin Trower: voz, guitarra, baixo
Chris Taggart: bateria

Discografia anterior:
- Something's About To Change (2015)
- Roots and Branches (2013)
- The Playful Heart (2010)
- What Lies Beneath (2009)
- Another Days Blues (2005)
- Living Out of Time (2004)
- Go My Way (2000)
- Someday Blues (1997)
- 20th Century Blues (1994)
- In the Line of Fire (1990)
- Take What You Need (1988)
- Passion (1986)
- Back It Up (1983)
- Victims of the Fury (1980)
- Caravan to Midnight (1978)
- In City Dreams (1977)
- Long Misty Days (1976)
- For Earth Below (1975)
- Bridge of Sighs (1974)
- Twice Removed from Yesterday (1973)

Site Oficial:
http://www.robintrower.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog.

http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br




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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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