Earthless: a decepção daqueles que esperam que as coisas não mudem
Resenha - Black Heaven - Earthless
Por Ricardo Cunha
Postado em 25 de junho de 2018
Enquanto os três álbuns anteriores da banda apresentavam de três a quatro sons de space rock (totalmente instrumentais), o quarto e último do power trio da Califórnia, Black Heaven (2018), é bem diferente. De acordo com o baterista Mario Rubalcaba, o novo disco "Tem seis músicas e, o mais importante, tem vocais em 70% de sua totalidade." Embora os fãs mais dedicados que, sem dúvida ouviram o guitarrista Isaiah Mitchell, emprestar sua cara à música "Cherry Red" da [banda] GROUNDHOGS, que foi colocada como faixa bônus no CD de 2005, Rhythms From A Cosmic Sky", eles [próprios] não o fizeram com tanto empenho. Ainda assim, das 6 faixas de "Black Heaven", 2 são instrumentais. Embora uma dessas tem menos de dois minutos.
Não foi uma coisa premeditada gravar um disco com vocais. Explica Mario: "Nos álbuns mais antigos, Mike Eginton (baixista) era responsável por muitos dos riffs que originaram essas canções, mas em Black Heaven, Isaiah mostrou muito entusiasmo para compor as novas canções. Eu diria que essa é uma das principais diferenças neste álbum: tem mais informações sobre o Isaiah. E ele se arriscou trazendo suas ideias para nós, sem saber se gostaríamos. Mas, como tudo que fizemos anteriormente, ocorreu de forma orgânica e natural."
Sobre o fato de a banda preferir compor canções instrumentais, quando os músicos começaram em 2001, como uma banda instrumental, eles foram constantemente questionados: "Vocês estão procurando por um vocalista?". "E isso foi motivo de piada durante anos", diz Mário. "Mas sempre soubemos que Isaiah sabia cantar. Ele tem uma ótima voz."
E continua: "Fazíamos um cover aqui e ali, e, talvez escrevêssemos uma música para um projeto ou colaboração especial, mas nunca tentamos nos concentrar em escrever músicas orientadas pelos vocais. Foi realmente revigorante realizar essa abordagem em um disco nosso". Embora as inclinações lisérgicas da banda estejam totalmente intactas, em Black Heaven, assumem uma matiz 'mais' de rock clássico do que os álbuns anteriores. "Para mim, pessoalmente, a coisa psicodélica é muito importante", afirma Mário. E quanto perguntado sobre a sintonia entre os membros da banda, afirma: "Eu não tenho certeza se estaremos sempre do lado mais louco das coisas, musicalmente falando. Mesmo assim, há momentos em que é mais empolgante para uns e menos para outros. Porém, sempre fomos grandes fãs de coisas de rock clássico como ZZ TOP, JAMES GANG e ALLMAN BROTHERS - e, é claro, CREAM.
Não haveria EARTHLESS se não fosse por CREAM. Eles são como os bisavós dos power trios. Então, algumas dessas influências mais elementares vazaram nesse registro. Para mim, o álbum Gifted By The Wind tem mais vibe JAMES GANG ou ZZ TOP do que FLOWER TRAVELLIN BAND ou, ainda, qualquer coisa do KRAUTROCK. Com todos os vocais e harmonias, essa é definitivamente uma direção diferente para nós. "O significado mais profundo de Black Heaven é o que representa essa reviravolta para o nós enquanto banda. Ninguém está mais ciente disso do que nós próprios.
Mas eles também sabem disso: você nunca mais longe se acreditar que está no lugar certo. "Tenho certeza de que haverá algumas pessoas que esperam as grandes quebradas típicas do space rock, e eu não sei se elas gostarão disso", admite Mário. "Mas estou pronto para lidar com um pouco de decepção daqueles que esperam que as coisas nunca mudem. Ao mesmo tempo, acho que muita gente vai gostar de ouvir o nosso 'lado B'. Se as pessoas realmente ouvirem [prestarem atenção] o que estamos fazendo, vai soar como nós [Earthless tradicional]. Às vezes, leva apenas algumas audições para entender a obra. E esse é o tipo de coisa que compensa mais no final das contas. "
Referências: D3x tr0m3, Earthless
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Led que parece fantasia, mas nasceu de uma bronca de Robert Plant com a polícia
A banda que Dave Grohl chamou de circo e comparou a cerveja velha e sem graça
Bono e The Edge explicam o que mantém o U2 unido há 50 anos
Nicko McBrain critica voz atual de Axl Rose e revela tentativa frustrada de reconciliação
Bruce Dickinson tocará músicas inéditas em sua próxima turnê, anunciada nesta terça-feira
A música do Slayer que produtor Ross Robinson considera tão boa quanto "Angel of Death"
Angela Gossow conta em detalhes como Lauren Hart se tornou vocalista do Arch Enemy
Como Kurt Cobain foi a causa do som ruim de um álbum do Black Sabbath
Tarja anuncia show da turnê "Frisson Live 2027" no Rio de Janeiro para 27 de maio
O único pedido de desculpas que Gene Simmons fez na vida, segundo Desmond Child
Neil Young processa comitê de Donald Trump por uso de "Rockin' In The Free World"
A faixa de "Reign in Blood" que é a preferida do baterista Dave Lombardo
Rise Against entra para o "Clube do Bilhão" do Spotify com "Savior"
O disco mais odiado do Metallica que Jimmy Page e Jack White adoraram
Show do Mammoth na Inglaterra será gravado para lançamento oficial
Rush: como eles dividiam grana das composições e como eram os egos, segundo Geddy Lee
A referência a Andre Matos no novo videoclipe de "Ride Into The Storm" do Angra
Slash: surpreendendo ao apontar qual o riff mais pesado de todos os tempos

"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Immolation mantém a extremidade intacta com "Descent"
The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década



