Dimmu Borgir: será que o tempo realmente fez alguma diferença?
Resenha - Eonian - Dimmu Borgir
Por Marcio Machado
Postado em 06 de maio de 2018
Nota: 7 ![]()
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Após um longo hiato dos estúdios, 8 anos para ser mais exato, desde o lançamento de "Abrahadabra" em 2010, fãs dos noruegueses do Dimmu Borgir ansiavam por algum material novo ou algum indício de que a banda não havia encerrado de vez suas atividades. De lá pra cá, Shagrath, Silenoz e Galder passaram por mudanças de empresário, novos contratos, trabalhos paralelos e suas vidas pessoais falando mais alto que a carreira, numa freiada para respirar, como o próprio vocalista comentou em recente entrevista. Em 2018, finalmente surge "Eonian", mas será que o tempo realmente fez alguma diferença?

"The Unveiling" abre o disco e em seus primeiros momentos se assemelha muito à algo do Behemoth, pesada, cheia de corais, porém, em alguns minutos as coisas viram e parece que estamos ouvindo um disco do Cradle of Filth. Tem bom andamento, com passagens rápidas, mas o fato do refrão ser cantado por um coral deixou as coisas meio cansativas, mas há de se falar dos vocais de Shagrath que continuam ótimos e dos melhores do gênero, com bastante presença e identidade. Bom começo.
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O primeiro single lançado para este trabalho, causa certa estranheza em seus primeiros momentos pois não se assemelha muito ao que a banda costuma fazer, pendendo mais para um lado do gothic/opera metal, "Interdimensional Summit" é uma boa faixa, mas aquém do que a banda pode produzir, e de novo há corais cantando o refrão.
"Aetheric" começa bastante pesada, carregada com blast beats e tempos quebrados de guitarra para após seguir em ritmo cadenciado e de novo os vocais de Shagrath se destacam bastante, principalmente quando usa seus rasgados que nos remetem à obra prima deles, o "Puritanical Euphoric Misanthropy". Há ainda um solo de teclado nessa faixa e nesse ponto vemos nitidamente como Mustis faz falta à banda, pois as linhas estão bem mais simples, não há mais aquele clima criado em discos com o músico. Mas até aqui, a melhor faixa então.
Chegamos ao outro single lançado para este trabalho, "Council of Wolves and Snakes" é uma das faixas mais diferentes que a banda já criou, tem uma levada que parece um mantra, com uma pequena passagem cantada de forma tribal. Tem andamento meio arrastado, começa e termina sem muito o que acrescentar, particularmente, apesar dos experimentos, soa bem morna no meio das demais. E adivinhem? Há corais novamente cantando uma longa passagem.
"The Empyrean Phoenix" é a faixa que vai fazer os fãs mais saudosos da banda vibrarem, pois se assemelha muito à algo do "Spiritual Black Dimensions". Muito bem iniciada, rápida e pesada e com refrão que remete à "Reptile", único porém aqui é a falta que um teclado mais elaborado se faz presente novamente, mas nada que estrague o bom rendimento. Aqui a passagem dos corais se encaixa perfeitamente e realiza um bom trabalho no andamento.
Shagrath parece estar gritando do inferno no início de "Lightbringer", introdução pesada, climática, com uma ótima dobra de guitarras e boa presença de baixo e bumbos duplos. Silenoz coloca a paleta pra trabalhar aqui, pois o refrão é carregado por um riff bem rápido, com passagens nesse mesmo andamento. Apesar de boa faixa, faltou algo aqui, talvez uma menor duração caísse melhor e menos repetitiva.
Com climão de marcha do fim do mundo, "I Am Sovereign" é uma mescla de "Puritanical" e "Abrahadabra", é a faixa que melhor flui no disco todo, e provavelmente a candidata ao posto de melhor! A quebra de ritmo e mudanças de tempos fazem o bate cabeça surgir. Shagrath vai desde seu vocal mais rasgado ao mais extremo com facilidade e naturalidade, e onde melhor emprega o poder que tem na garganta parecendo encarnar o "coisa ruim", acompanhado de forma muito dinâmica pelo coral. De longe, o maior destaque de "Eonian", seus quase 7 minutos passam voando e um repeat ainda surge.
Já caminhando para o final, "Archaic Correspondence" é uma boa faixa, bateria e guitarra a milhão, bastante quebrada e com uma passagem com vocal limpo após sua metade que emula bem de longe algo que seria feito por Vortex. Talvez pelo impacto da faixa anterior, apesar de boa, fica meio diminuta.
"Alpha Aeon Omega" tem quase um minuto de sua introdução toda feita por orquestra, e logo a quebradeira começa de novo, novamente as coisas aqui se aproximam muito de algo feito pelo Cradle of Filth, com vários interlúdios de teclados e corais.
Fechando o disco, há um boa faixa instrumental, "Rite of Passage" é bastante melódica, dramática e bem construída, nada que mude vidas, porém é um bom encerramento, porém, acho que o desfecho deveria ter ocorrido três faixas atrás.
Na conclusão, o tempo que Shagrath comentou ter precisado acabou não resultando em tanto sucesso assim."Eonian" não é um disco ruim nem de longe, consegue ser melhor que seu antecessor, só não irá angariar novos fãs para a banda nem muito menos traz algo novo dentro da rica discografia da banda ou pro gênero, um bom trabalho, não digno de 8 anos de espera, mas, bom.
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