Van Halen: 40 anos do início de uma Nova Era

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Por Rogerio Hamam
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Nota: 10

Neste mês de fevereiro, precisamente no dia 10, comemora-se 40 anos do nascimento de uma Era que transformou o mundo do rock, que iremos chamar de DVH (Depois do Van Halen). Na Era AVH (Antes do Van Halen), já existiam grandes músicos que sabiam tratar muito bem a guitarra, como se estivessem preparando terreno para um enviado de outra dimensão, que chegou em nosso planeta na cidade de Nijmegen (Holanda) com o nome de Edward Lodewijk Van Halen, e que resolveu reinventar o instrumento de seis cordas.

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Tudo aconteceu a partir das aulas de piano clássico que Edward compartilhava com seu irmão Alex, que gradativamente foram trocadas por dois instrumentos muito utilizados no universo do rock: a guitarra e a bateria. Eddie inclusive começou a entregar jornais para pagar seu kit de bateria, mas decidiu trocar de instrumento ao perceber que seu irmão mais velho tocava com desenvoltura a música "Wipe Out" da banda The Surfaris. A partir desse momento, Eddie não desgrudou da guitarra e o rock nunca mais seria o mesmo.

Aliás, poucos entendiam o som que explodia nas caixas a partir da faixa instrumental Eruption, gravada pela banda que os irmãos montaram e que levou o sobrenome Van Halen, cujo primeiro álbum era homônimo. Uma energia descontrolada e difícil de classificar, que surgiu de um ensaio gravado sem nenhuma pretensão, ou como seu autor costuma dizer "Eruption foi um acidente". Foi a partir deste solo de quase dois minutos que o tapping foi popularizado, como uma técnica inovadora que consiste em usar a mão que segura a palheta sobre a escala do braço da guitarra, com a possibilidade de imprimir uma velocidade insana.

Uma revolução musical teve início, e Eruption passou a ser encarada como um verdadeiro vestibular para saber se o pretendente tinha condições de ser um guitarrista de verdade. Praticamente toda cena de glam metal e hard rock dos anos 80, teve como inspiração o primeiro álbum do Van Halen, lançado em 1978.

Foi na Era DVH que ganhou a cena bandas como Motley Crue, Bon Jovi, Twisted Sister, Quiet Riot, Ratt, Dokken, Cinderella, Extreme, Mr. Big, Warrant, Skid Row, e outras dezenas, além daquelas que existiam AVH e mudaram sua forma de tocar para acompanhar a nova tendência.

E como conseguiram gravar um álbum tão popular e ao mesmo tempo revolucionário? Um bom exemplo foi a nova roupagem que ganhou "You Really Got Me", lançada quatorze anos antes pelo The Kinks. Ficou tão boa a versão do Van Halen, que muitos esqueceram que existia a original, até mesmo os fãs do grupo britânico. Não era apenas uma questão de peso, distorção e virtuosismo, mas a sensibilidade acompanhada de muitas doses de vibração era a fórmula que encantava os ouvintes.

A primeira faixa do álbum, "Runnin' With The Devil", foi frequente nos concertos da banda, e considerada uma das 10 maiores músicas de hard rock de todos os tempos pela VH1. Que belo cartão de visitas!

"Ain't Talking About Love" tem um riff maravilhoso, cheio de efeitos e encantos que até mesmo Sammy Hagar fez questão de registrar anos depois no álbum ao vivo, sendo uma das poucas músicas de seu desafeto que sobreviveu no set list da banda. Destaque para a maravilhosa passagem em que Eddie Van Halen faz da explosão sonora do solo, o instrumento ficar gradativamente suave, quando o vocalista começa a cantar I Been To The Edge . . . é de arrepiar!

E para quem imaginava que as quatro primeiras faixas seriam mais do que suficientes para transformar o álbum em épico, ainda tinha muito mais! "I'm The One", "Atomic Punk" e "On Fire" são capazes de ressuscitar defunto, o balanço de músicas como "Jamie's Cryin'", "Feel Your Love Tonight" e "Little Dreamer" é simplesmente mágico e contagiante.

Não vamos deixar de mencionar "Ice Cream Man" com um jeito Van Halen todo especial de tocar blues, que deixaria cheia de orgulho a comunidade afro-americana, especialmente aquela oriunda do sul dos Estados Unidos no final do século XIX.

O que Eddie Van Halen fez não é pouco. Sua abordagem vai muito além do tapping, e inclui também vários componentes harmônicos combinados com uma sensibilidade rítmica única que o transformaram no mais autêntico herói da guitarra. Mas a banda não é apenas o seu guitarrista . . .

Seu irmão Alex Van Halen é também cultuado e reconhecido como um grande baterista, dono de uma técnica agressiva e emblemática, que parece ter sido desenvolvida especialmente para acompanhar os malabarismos de seu irmão mais novo.

Michael Anthony é um baixista que passa longe do virtuosismo, mas sua forma de tocar o instrumento customizado que imita uma garrafa do whisky Jack Daniel's é perfeita para a banda, e seu vocal de apoio característico ajudou a abrilhantar músicas que se tornaram verdadeiros clássicos do rock.

David Lee Roth é um capítulo à parte. Sua forma de cantar, suas performances acrobáticas, senso de humor e jeito espalhafatoso, influenciou não apenas toda uma geração de vocalistas, mas também o transformou em um verdadeiro show man, sendo um dos cantores da história que mais demonstra intimidade com o palco e com a plateia.

Difícil saber o que seria do rock se ainda estivéssemos na Era AVH. Certamente sem eles, o rock não seria o mesmo.


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