Ramones: a resenha do álbum "End of The Century"

Resenha - End of the Century - Ramones

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Por Brunelson T., Fonte: Rock in The Head
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A biografia dos RAMONES, “Hey Ho Let’s Go: A História dos Ramones”, escrita pelo jornalista musical inglês, Everett True, foi lançada originalmente em 2002. Este jornalista era da revista Melody Maker e foi a mesma pessoa que "descobriu" o grunge em 1989 e mostrou à imprensa britânica, antes ainda do gênero explodir no mainstream em 1991.

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Portanto, segue logo abaixo um trecho desse livro onde é destacado o 5º álbum de estúdio dos RAMONES, “End of The Century”, e que havia sido lançado no começo de 1980:

Para alguns fãs – e quase certamente para Joey (vocalista) – o 5º álbum dos RAMONES, “End of The Century”, produzido por Phil Spector, foi o auge da carreira. A Muralha do Barulho (RAMONES) encontra a Muralha de Som (Phil Spector).

Para outros – Johnny, com certeza (guitarrista) – era o começo do..., se não do fim, de uma série de anos vazios em que o grupo vagou sem direção certa, por álbuns feitos sem interesse ou entusiasmo, até se reagruparem no final dos anos 80 e recapturarem um público que se manteve fiel enquanto os RAMONES continuaram subindo ao palco. É claro que o fato de terem se tornado um franchising naquelas alturas dos acontecimentos (uma banda-tributo que mantinha 03 de seus componentes dos primeiros tempos e muito pouco da vitalidade original), parecia que os RAMONES tinha escapado de praticamente todos que compartilhavam essa escola de pensamento. Novamente, havia certas facções que consideravam a voz surpreendente e única de Joey como algo descartável – menos vital para os RAMONES do que um bom som de bateria.

Porém, não importa o seu grau na cultura camp (kitsch), a parceria RAMONES e Phil Spector faz muito sentido – na teoria.

As raízes dos RAMONES jazem no pop barroco de grupos femininos produzidos por Spector nos anos 60, como a THE RONETTES e a THE CRYSTALS – se bem que, com uma interpretação minimalista que suprimiu as luxuriantes harmonias e orquestras de 20 peças, as introduções e as conclusões rocambólicas. Só porque Johnny tocava alto – com implacáveis acordes-pancada que inicialmente deixavam os seus dedos em tiras – não significa que os irmãos espirituais dos RAMONES fossem as bandas MC5, STOOGES ou qualquer uma das nervosas bandas punk britânicas no final dos anos 70. Sua música era pop – BEACH BOYS, BEATLES, HERMAN’S HERMITS... De fato, eles eram de um filão pop tão clássico que a sua gravadora não pôde entender por que não foi uma das maiores bandas do mundo?

O problema deve estar, eles raciocinam, com a produção e a imagem – então, Tommy Erdelyi (ex-baterista dos RAMONES), o homem mais responsável que ninguém pela visão dos "bro", estava fora logo após ajudar a criar 04 dos Álbuns Definitivos da Música Rock. Ponto final! (os 03 primeiros discos como baterista e o 4º como produtor). Era tempo de ganhar no nome dos produtores – e perder nas jaquetas de couro enquanto ainda a estavam usando. E quem melhor para começar do que o legendário, recluso, maníaco e controlador Phil Spector – o homem por trás de canções como “He’s a Rebel” (THE CRYSTALS), “Be My Baby” (THE RONETTES), “A Christmas Gift For You” (álbum com vários artistas convidados), “You’ve Lost That Lovin' Feelin” e “Unchained Melody” (ambas dos RIGHTEOUS BROTHERS), “River Deep Mountain High” (TINA TURNER) e mais tarde o álbum “Let it Be” dos BEATLES, mais álbuns solo dos beatles John Lennon e George Harrison..., e a lista continua. Phil já era herói e inspiração – e fã convicto dos RAMONES (ele já tinha se oferecido para gravar o 3º e o 4º álbum do grupo, mas a banda havia recusado).

O problema era que Spector tinha..., bem..., o seu próprio jeito de gravar.

“Hey, cara!”, disse Dee Dee Ramone em pânico (baixista). “Se você me bater, eu acerto você de volta! Tenho muito respeito por você...! De qualquer jeito, não sei quantos seguranças você tem escondido na cozinha que vão sair para me arrancar a pele se eu revidar!”

Ainda assim, Dee Dee se manteve em guarda. Braços rigidamente pressionados contra os lados do corpo, punhos fechados, olhos semicerrados e pronto para um soco que nunca veio.

“Deixe-me em paz, ok?”, berra desafiadoramente para Phil Spector – que, depois de me dar a sua pistola automática para que a guardasse em lugar seguro, está executando movimentos Ali Shuffle (famoso jogo de pernas do pugilista Mohamed Ali) em frente ao seu consternado hóspede.

Joey, Johnny e Tommy antecipam silenciosamente o seu próximo movimento. Caso houver pancadaria, estão prontos – se bem que um pouco relutantes.

“Vim nessa noite convidado por você”, vocifera Dee Dee, que já não fala com Spector, mas grita com toda a força dos seus pulmões “para admirar a sua casa, escutar a sua música e estar na sua festa, então, pare com isso antes que alguém saia machucado!”

Acho que Dee Dee não estava se referindo a si próprio.
(Roy Carr, revista New Music Express, 21 de Maio/1977).

“Eu estava na casa de Phil uma noite com os RAMONES e com Rodney Bingenheimer (conhecido DJ da rádio de Los Angeles)”, Roy Carr começa. O crítico estava em Los Angeles escrevendo um roteiro sobre a história de Phil Spector para ser estrelado pelo ator Al Pacino (posteriormente arquivado). A noite em questão aconteceu em Fevereiro/1977, depois de vários shows dos RAMONES e do BLONDIE no clube Whisky a Go Go, Los Angeles, como atrações alternadas.

“Phil estava na ilusão de que os RAMONES eram Joey e a sua banda”, Carr explica. “Ele estava muito interessado na voz de Joey – ela o lembrava de Dion di Mucci (responsável por sucessos clássicos de doo-wops no começo dos anos 60 e que posteriormente trabalharia com Spector nos anos 70). Ele se ofereceu para assinar com os RAMONES em seu selo e disse que eu poderia empresariá-los enquanto ele seria o produtor. Os RAMONES não sabiam o que fazer a respeito, especialmente quando ele perguntou quantos discos já haviam vendidos”.

“Então, ele desapareceu em uma de suas muitas salas e voltou com um impresso de computador com as vendas deles”, continuou o jornalista. “Ele disse à banda que o álbum ‘Leave Home’ (2º disco, 1977) vendeu menos que o álbum ‘Ramones’ (1º disco, 1976) e ofereceu a cada um deles U$ 50.000,00 mil dólares em dinheiro. Com Spector era: ‘O que você quer? Carros, garotas?’ Ele ofereceu ligar para Marty Machat (famoso advogado do show business que trabalhou com FRANK SINATRA) que estava no bairro Beverly Hills, mesmo que fosse à 01:00 hora da manhã – ‘Ele vai trazer o dinheiro com ele’. Então, legalmente ou não, estava oferecendo assinar com os RAMONES por U$ 200.000,00 mil dólares em dinheiro – os 04 ficaram tentando imaginar essa quantia, o que eles poderiam fazer? Tinham dificuldade em lidar com U$ 50,00 dólares cada um”.

Os RAMONES recusaram a oferta de Spector – mas isso não impediu do produtor telefonar depois de cada álbum lançado sugerindo que poderiam gravar o próximo juntos. “Vocês querem fazer um disco bom ou um excelente?”, perguntou a Joey, um grande fã de Spector. (Como David Fricke, renomado jornalista da revista Rolling Stone ressalta nas notas da coletânea dos RAMONES, “Anthology”, o fato de Phil ter cotado o álbum “Rocket to Russia” (3º disco, 1977) apenas como “bom”, foi indício suficiente para saber que algo estava errado).

As gravações de “End of The Century” começaram no Gold Star Studio em Los Angeles, em 1º de Maio/1979 – os RAMONES imediatamente enlouqueceram com a presença de enormes tanques de oxigênio e uma piscina subterrânea que duplicava o som como uma câmara de eco. Esse lugar tinha história – assim como as próprias produções de Spector com artistas e bandas como EDDIE COCHRAN, BEACH BOYS, SONNY & CHER, BUFFALO SPRINGFIELD e IRON BUTTERFLY (entre outros) tinham gravado lá. Era intimidador.

“Uma vez, lembro de uma conversa demorada com Joey Ramone ao lado da máquina de Coca-Cola do estúdio, tarde da noite no corredor”, escreveu o correspondente da revista Melody Maker, Harvey Kubernik, nas notas não revisadas no encarte do relançamento de “End of The Century”. “Joey ficou aturdido quando contei a ele que a banda THE WHO havia mixado a música ‘I Can See For Miles’ nesse estúdio. Ele tirou os seus óculos e chacoalhou a cabeça de puro assombro”.

Na sala principal de controle, onde o volume podia chegar a 130 decibéis, Spector improvisava uma série inteira de gestos de mão elaborados para se comunicar com o seu engenheiro Larry Levine – que sofreu um ataque do coração durante as gravações. Certamente era um som muito alto para o volume normal da fala.

“Phil era doido”, relembra o engenheiro de som dos RAMONES, Ed Stasium, “ele havia sido nomeado como diretor musical e convidado para exercer um papel de ‘mediador’ a Henry Kissinger (diplomata americano)... O volume era inacreditável. Ele fez a banda trabalhar take após take após take. Tenho tudo anotado. Ele escutou a música “This Ain’t Havana” mais de 300 vezes! Ninguém sabia por quê? Dava uma porção de pulos, dava mostras de que estava praguejando, fazia sinais para Larry... Caso quisesse um som de caixa, imitava uma caixa. Se quisesse mais reverberação, dava um tapa na própria língua com a mão”.

“Phil não nos dizia onde estaríamos gravando”, Stasium admite. “Viemos fazer a pré-produção em 19 de Abril/1979 e Phil tinha 03 estúdios reservados. Ele disse à banda para ir ao Gold Star Studio e a Monte Melnick (gerente de turnê dos RAMONES) para ir ao Rumbo Studio. Phil queria fazer o maior disco de todos os tempos – não o meu maior disco, dos RAMONES ou dele mesmo..., mas ‘O’ maior disco já realizado. Ele apontava para o seu próprio olho com o dedo dizendo, tipo: ‘Este vai ser o Nº 1, o maior em que você já trabalhou, esteja preparado’”.

O produtor levou o grupo à loucura – a lenda diz que ele fez Johnny tocar o acorde de abertura da música “Rock’n Roll High School” durante 08 horas sem parar. O guitarrista saiu e Spector mandou que ele voltasse. “O que você vai fazer?”, Johnny perguntou. “Atirar em mim?” Ele não estava brincando: Phil já tinha apontado uma arma para Dee Dee depois que ambos tinham descambado para uma briga de garotos, do tipo: “A minha arma é maior que a sua”. Johnny chegou a marcar um voo para New York e houve uma série de telefonemas histéricos entre Stasium, Spector e Seymour Stein (presidente da Sire Records, gravadora dos RAMONES) antes dele voltar. Foi uma época difícil para Johnny. Não só porque o método de trabalho de Spector ia totalmente contra o seu modo de ser, mas porque o seu pai morrera durante as gravações. “Não foram 08 horas, mas um longo período de tempo”, Stasium corrige. “Toquei algumas das guitarras. Phil estava fazendo alguma coisa na sala de controle que até hoje ninguém sabe o que era? Ele estava procurando no cosmos um som e com aquele equipamento antiquado não poderia achar. No fim do dia, Johnny estava, tipo: 'Tô fora daqui!’ O resto dos rapazes estavam em pé de guerra”.

“Não diria que Johnny estava felicíssimo”, suspira David Kessel (sócio de Spector e amigo de longa data). “Não era o seu ritmo usual. Johnny estava, tipo: ‘Hey, cara, vam’tocar de uma vez?’, e Phil responderia: ‘Espera, ainda não estou pronto para lidar com você’. Eu não chamaria o que houve entre eles de discussão. Estava mais para diferentes pontos de vista expressos com paixão”.

“Johnny é um guitarrista poderoso e inovador, 100% BUDDY HOLLY, com uma guitarra da marca Mosrite e um amplificador da Marshall”, Kessel continua. “Ele deve ter puxado ferro, porque todos aqueles acordes-pancada são por si só trabalho físico pesado”.

Kessel também tem uma visão levemente diferente da história da arma: “Dee Dee seria o 1º a admitir que ele mesmo estava um pouco descontrolado”, diz ele. “Coloco assim para ser delicado... Ele era nervoso, arrogante e um mal baixista – basicamente um cara legal, usando a música como expressão da sua agressividade. Phil também era de New York. Ele apenas queria clarificar um pouco a relação e sim, as histórias da arma são verdade. Não é ofensivo, é meramente informação factual”.

“Sim, uma hora ele estava bêbado, doidão e começava a andar pra lá e pra cá armado”, conta Marky Ramone (baterista). “O lugar era um hospício. Fui à cozinha e tinha lá um cachorro são-bernardo matador na corrente. Os portões ao redor da mansão eram eletrificados..., toda aquela cocaína. Ele tinha seguranças faixa preta em caratê. Talvez estivesse paranóico sobre certos negócios do passado ou talvez fosse só a bebida. Quando se bebe como bebemos, sempre há algumas razões...”

Antes do trabalho com os RAMONES, Spector tinha sido assaltado no estacionamento de um restaurante italiano na avenida Sunset Strip, Los Angeles. Dee Dee admitiu que algumas das tensões foram criadas por ele mesmo: “Os RAMONES eram um pé no saco!”, o baixista disse a Harvey Kubernik.

“Foi legal com Spector”, Marky admite. “Não sei o que os outros pensam a respeito. Ele tinha uma foto dos filhos em cima do piano... Íamos ao Roxy (clube noturno em Los Angeles) com os seguranças dele para beber e agitar a noite inteira. E, é claro, ele andava armado. Não se usavam detectores de metal naquele tempo”.

Nas noites de folga do estúdio, todos os RAMONES, com exceção de Joey, iam ver o filme “Alien – O 8º Passageiro”. “Os rapazes viram todo dia e noite de folga!”, Spector escreveu a Kubernik. “Joey me pediu para ir ao clube Whisky a Go Go quando estavam filmando o vídeo clipe da banda, mas recusei. Ele queria que eu fizesse uma coisa, tipo Hitchcock”.

Spector adorou Joey por sua sonoridade nova-iorquina, sua interpretação lírica e sua atitude. Kessel também: “Ele obviamente não era um cantor de ópera”, explica, “mas usava o que tinha brilhantemente e Phil ensinou várias coisas a ele sobre controle de voz”.

Durante as mixagens, a banda comia sanduíches de arenque, língua e corned-beef da Delicatessen Canter’s. Joey estava no Sétimo Céu, trabalhando com uma lenda consagrada: “Joey amou cada minuto”, sorri Stasium. “Ele não queria ir embora. Ele adorou Phil. Phil o adorou de volta. Joey tinha um pouco de Ronnie Spector em sua voz (vocalista da THE RONETTES e ex-esposa de Spector). Eles eram camaradas”.

Mas Spector ainda conseguiu assustar um de seus maiores fãs...

“Uma vez, Joey estava sentado ao piano perto de Phil, estudando um arranjo com as palavras escritas para ele por Phil em um pedaço de papel”, recorda a amiga Joan Tarshis. “Quando estava pronto para sair, ele dobrou o papel e guardou no bolso. De repente, soube que havia feito algo muito errado. Porque se saísse com aquele pedaço de papel, simplesmente não iria sair – se você entende o que eu quero dizer. Então, teve que dar um jeito de retornar o pedaço de papel sem Spector saber que ele sabia que Joey o estava colocando de volta”. “Alguém trazia para Phil esses pequenos copos descartáveis de vinho Manischevitz”, Joey contou para a revista Rolling Stone em 1987, “e logo Phil estaria bêbado e fora de si. Ele desabava no chão, praguejando: ‘Droga, merda, foda-se! Foda-se essa merda!’, e era o fim da sessão”.

“O problema era que Phil nunca tinha trabalhado com uma banda antes, pois os seus artistas eram mais a sua própria concepção”, Joey disse a Jaan Uhelszki (co-fundadora da revista Creem) com o benefício da percepção tardia. “Phil gostava de dominar e manipular, então era um pouco estranho. Mas eu me senti cantando para o mestre. Ele é um apaixonado e uma pessoa dramática. Ainda o admiro, mas durante esses episódios ninguém estava gostando nada daquilo. Estávamos todos de saco cheio de sua bebedeira, suas palhaçadas, seus dramalhões e da sua loucura”.

Seymour Stein – que vendeu a Sire Records à Warner Bros. por uma grande soma e um lugar à mesa dos diretores – foi forçado a processar Spector para ter de volta as fitas originais para o lançamento do álbum.

Johnny odiou esse álbum, não é? “Sim”, disse Monte Melnick.

“O álbum de Phil Spector é um dos maiores já feitos”, exclama George Tabb (roadie dos RAMONES). “Sei que Johnny não gosta dele, mas todos os fãs o adoram – os RAMONES podem pensar o que quiserem. Sim, era um álbum solo de Joey – mas você tem que ouvi-lo cantando a música ‘Baby I Love You’ e sim, as guitarras estão no fundo, mas há uma bela muralha de cordas também. Na canção ‘Danny Says’, a guitarra da introdução aparece ao lado dessa muralha em um crescendo e é lindo. Posso entender por que Johnny odiou o disco”.

É claro que ele o odiou. É desrespeitoso! Phil Spector estava gravando com os RAMONES, então deveria ter usado os RAMONES. O álbum detonou a fórmula original da banda e destruiu todos os seus componentes. Ele deveria ter feito um álbum solo e o chamado assim, mas esse disco hipotético também não teria nada a ver com a mentalidade de gangue dos RAMONES (quando Dee Dee decidiu que precisava fazer um álbum solo no final dos anos 80, ele deixou a banda).

Mas Dee Dee, antes de morrer, disse que apreciou “End of The Century”: “Agora entendo mais e mais”, o baixista disse a Kubernik na primavera de 2002. “A voz de Joey era uma parte muito importante no som dos RAMONES, muito importante mesmo – e isso começa em ‘End of The Century’. Phil Spector e Joey formaram uma grande parceria. Phil ressaltou o romantismo de Joey... Nunca tinha pensado nisso como um atrativo dos RAMONES, mas Phil se deparava por toda parte com as suas músicas: The Cat Club, Burger King, 7-11 (loja de conveniência em postos de gasolina), bastava se virar para dar de cara com cada uma delas. Joey era um cara romântico...”

Espera aí! Foi preciso 28 anos desde a formação da banda para Dee Dee perceber que a voz de Joey era um componente vital no som dos RAMONES? Cruzes! Falando em não reconhecer as próprias forças: essa atitude pode explicar por que nos últimos álbuns a banda não manteve nem mesmo um de seus mais reconhecíveis traços – a voz de Joey – e colocou o substituto de Dee Dee, fã dos RAMONES - CJ Ramone - para cantar em muitas das músicas.

Que seja. Dee Dee está certo em ressaltar o romantismo compartilhado por Joey e Phil: o tema do verdadeiro amor era retomado pelo vocalista de tempos em tempos, apesar do fato de Joey nunca ter se casado. “End of The Century” apresenta vários desses momentos: a canção melancolicamente devocional, “I’m Affected”, enfatizada por um eco inspirado na voz com um ameaçador track de fundo (lembrando um cover da THE RONETTES), e uma das porradas absolutas do álbum, a música mini-sinfonia adolescente, “Danny Says”.

“O título dessa última canção foi inspirado nas músicas de Lou Reed (vocalista/guitarrista do VELVET UNDERGROUND) como ‘Candy Says’ e ‘Caroline Says’”, Joey disse a David Fricke. O título era também um tributo a Danny Fields (empresário dos RAMONES), que em seus últimos dias de componente da turma de Andy Warhol (pintor, empresário e cineasta americano), trabalhou com Lou Reed também. “Estávamos em Los Angeles no clube Tropicana. Encontrei alguém meio especial e quando acordamos, realmente assistimos ao seriado 'Agente 86' na TV”.

Alguém meio especial era quase com certeza Linda, – que logo seria a causa da maior desavença da banda – uma das quais Joey e Johnny nunca se recuperariam. A música em si ("Danny Says") é magnífica e evocativa, com versos como: “Passagem de som às 17:02hs / Lojas de discos e entrevistas / Oh, mas eu não posso esperar para estar com você amanhã”, sintetizam perfeitamente a solidão e o sofrimento causados por grandes períodos passados na estrada, sem raízes, apenas sonhando com segurança – nenhuma segurança. Musicalmente, é o encontro entre “In My Room” (canção do BEACH BOYS) e os RAMONES, com Joey soando deliciosamente inocente em sua entonação quase infantil.

A música “All The Way” também se refere à vida na estrada, mas desta vez é o poder das apresentações ao vivo que aparece explodindo através das guitarras distorcidas e da bateria super carregada – Monte Melnick ganha uma menção, embora depreciativa. Assim como as canções “High Risk Insurance” e “This Ain’t Havana” (ambas de Dee Dee) e a bastante descartável “Let’s Go” (com a sua letra de louvor aos mercenários e escrita por Johnny e Dee Dee), “All The Way” é uma volta direta dos RAMONES ao rock – ótima e tudo, mas você sabe que tanto Stasium quanto Tommy teriam gravado melhor.

Para a música “The Return of Jackie and Judy”, – uma canção dos RAMONES autorreferente no estilo da música “Judy is a Punk” (lançada no 1º álbum) e um sinal preocupante de que a banda começava a ficar sem novas ideias – Spector utilizou um conjunto de batedores de palmas, incluindo Rodney Bingenheimer e os músicos Jeff Morrison, Maria Montoya e Phast Phreddie.

Como Marky diria mais tarde: “Era cafona!”

“Não foi o meu melhor álbum”, Dee Dee disse a Kubernick. “Estava escrevendo e escrevendo e me dei conta que corria o risco de me tornar um rockstar frígido. Depois de ‘End of The Century’, tive que voltar ao ofício de escrever música. Mas então, não estávamos fazendo mais isso como banda. Perdemo-nos uns dos outros na estrada”.

O álbum alcança o seu auge incontestável quando Spector ataca com a música “Rock’n Roll High School”, consideravelmente renovada e reforçada. Então, há os órgãos e saxofones dos anos 60 fazendo soar como uma orquestra inteira de percussão na abertura da canção “Do You Remember Rock’n Roll Radio?”, com o músico Sean Donahue fazendo a memorável locução de DJ da rádio, introduzindo: “This is rock'n roll radio / C’mon let’s rock’n roll with the Ramones”.

A voz de Joey raramente soou tão vital com a Muralha de Som (Phil Spector) anunciando cor e paixão a esta última música citada – apropriado para uma canção que revisita grandes bandas e DJ’s do passado e declara o desejo pelos dias em que o rock era mais simples e direto. Se existe uma música que resume o credo dos RAMONES ao rock dos anos 60 e em si próprios, é essa! Que jeito de começar uma nova década!

“A canção 'Do You Remember Rock’n Roll Radio?’ pode ser entendida como uma música de Joey, mas pode ser aplicada a toda banda”, falou Dee Dee. “Quando eu estava na Alemanha, passamos uns maus bocados para ouvir música na Radio Free Europe ou na Rádio Luxembourg. Eu costumava ouvir tarde da noite os sons vindos do canal... Eu me escondia sobre os cobertores com um rádio transistorizado”.

Todo esse movimento resultou em um grande single.

Outro single do álbum, a música “Baby I Love You” (cover da THE RONETTES), é novamente outra coisa a se falar...

Para começar, Spector era ciumento em relação aos seus trabalhos anteriores, especialmente os que envolvessem a velha banda de sua ex-esposa e vocalista, Ronnie Spector (THE RONETTES) – o casal esteve envolvido em uma interminável ação judicial sobre a propriedade do material por anos. Seymour Stein o convenceu a mudar de ideia. Então, houve o fato de nenhum dos ramones – além de Joey, obviamente – estarem na gravação dessa música no estúdio.

“É verdade”, admite Kessel. “Os músicos Barry Goldberg está nos teclados e o legendário e adorável Jim Keltner na bateria. Lembro de Jim virando para mim e dizendo: ‘Os meus filhos não vão acreditar que eu estou em um disco dos RAMONES!’ Com certeza essa canção provocou controvérsias por causa das cordas e da batida, mas entrou para o Top 10 na Inglaterra. Qual é o problema com o pessoal? Eles só relaxaram... Alguém ficou chateado quando os BEATLES mudaram o estilo e cresceram? Então, se for o caso, não comprem esses álbuns, porque eles são bons”.

“Foi um erro”, Johnny disse mais tarde, “foi a pior coisa que já fizemos em nossa carreira”.

Ele está errado! A produção da música “Baby I Love You” é incrível – as cordas crescentes, as harmonias vocais em pista dupla, a ribombante muralha de percussão e o ritmo quase disco – puro coração partido com negação e encantamento embrulhados em 03 minutos e 49 segundos de perfeição musical. Um dos melhores singles já produzidos – e não só em relação aos RAMONES. Permanece também como o single dos RAMONES de maior venda no Reino Unido.

A visão da apresentação dos RAMONES no programa de TV britânico, Top of The Pops, na primavera seguinte, foi impagável: regulamentações do sindicato estabeleciam que a orquestra da BBC (canal britânico) tinha que tocar (ou dublar) a sessão de cordas, sendo que a câmera manteve-se cortando entre Joey, - todo curvado sobre o microfone parecendo um comprido grotesco - a banda taciturna – na verdade mal-humorada – e os músicos da orquestra vestidos de black tie e casaca. Anos depois, para adicionar injúria ao insulto de Johnny, a música foi usada em um comercial de fraldas para bebês e num anúncio das Páginas Amarelas.

Marky lembra-se de uma experiência parecida na televisão por razões diferentes: “Quando tocamos a música “Do You Remember Rock’n Roll Radio?” no programa britânico, The Old Grey Whistle Test, Roger Daltrey (vocalista do THE WHO) teve a coragem de vir até mim e dizer: ‘Vocês não vão chegar a lugar nenhum com essas jaquetas de couro’. Então, comecei a tirar uma da cara dele dizendo coisas do tipo: ‘Roger, vai beber a sua porra de chá das 17:00hs e não enche!’ Ele tinha 1,68 metro e eu tinha 1,80 metro e queria dar uma porrada na cabeça dele. Eu estava puto, mas consegui me acalmar e ficar na minha. Quando o THE WHO estava começando a carreira, ele era o Senhor 'Mod' (um estilo de vida da moda britânica na época) e tenho certeza de que ninguém ainda havia dito nada parecido a ele”.

“Recebemos muita atenção por causa do sucesso do single ‘Baby I Love You’, especialmente na Europa”, Dee Dee disse a Kubernik em 2002. “Na Holanda e na Espanha fizemos um monte de programas de TV. Era assustador! Também tocamos no Teatro Apollo em Glasgow, Escócia. Estávamos na estrada há anos e de repente lá estavam todas essas menininhas – não para os RAMONES, mas para a música ‘Baby I Love You’”.

A canção “Chinese Rock” também atraiu controvérsia por diferentes razões. Dee Dee declarou que escreveu a música quando estava no apartamento de Chris Stein (guitarrista do BLONDIE que, incorretamente, Dee Dee disse ser o de Deborah Harry, vocalista do BLONDIE) com Tommy – mas a deu para Johnny Thunders gravar (guitarrista do NEW YORK DOLLS e depois do HEARTBREAKERS), depois de Johnny Ramone se recusar a deixar os RAMONES tocarem uma música que faz menção às drogas pesadas, especificamente a heroína (sobre cheirar cola podia, tudo bem...). Então, os HEARTBREAKERS disseram que a música era deles. Quem vai saber a verdade? Assim como em matéria de energia, a versão original esfrega o chão para a do disco de Spector.

“Richard Hell só escreveu o refrão no meio da música (baixista do TELEVISION, depois do HEARTBREAKERS e por fim da banda VOIDOIDS)”, Dee Dee disse a Charles Shaar Murray (jornalista musical inglês), “mas os outros ramones não tem nada a ver com isso. Não glorificamos a heroína. Os HEARTBREAKERS tinham orgulho de serem junkies, mas para nós é só um relato honesto de como é a vida de um viciado. Usar heroína é coisa para a vida inteira – se souber usar - mas não dá para cheirar cola mais que uns meses, porque o seu cabelo cai e você não consegue fazer nada e então, você morre. A canção ‘Now I Wanna Sniff Some Glue’ (lançada no 1º álbum, traduzindo: ‘Agora Eu Quero Cheirar um Pouco de Cola’) era uma piada óbvia”.

“É como algo vindo de Andy Warhol”, explica Roberta Bailey (fotógrafa dos RAMONES). “Andy diria: ‘O que devo pintar?’ E alguém responderia: ‘Pinte o que você gosta!’ Então, ele pintou sangue... Escreva sobre o que você conhece! Os RAMONES escreviam sobre experiências suburbanas, embora o distrito do Queens, New York, não seja um subúrbio..., experiências como cheirar cola, sabe? Depois, você pensa no que mais escrever a respeito..., batalhar por heroína é a cara de Dee Dee. Não é algo que os outros ramones faziam. Isso não retratava a imagem deles, então, deram a música”. No fim, eles a pegaram de volta.

“Estavam ficando sem material. Tinham que fazer alguma coisa”, completou Roberta.

Depois de quase 06 meses mixando o álbum (Stasium acredita que Spector fez 03 remixagens completas), “End of The Century” surgiu em Janeiro/1980. A respeito do disco, constava que foi gravado em 05 diferentes locações e custado U$ 200.000,00 mil dólares – uma pequena fortuna para uma banda lutando em fazer face às despesas.

“Na verdade”, Stasium diz, “todos ficaram comentando que dureza de 03 ou 04 meses no estúdio era aquele disco, mas gastamos somente 02 semanas gravando os instrumentos, sem contar os overdubs e os vocais”. Um fato confirmado pela agenda dos RAMONES nesse mesmo período na estrada: 100 shows entre 08 de Junho e o final do ano de 1979. E apesar de que no encarte do disco estão listados 05 diferentes estúdios, isso era devido à paranóia de Spector – a banda esteve somente em 01 estúdio.

A imprensa adorou o álbum. “Velhos ‘fãs' que se ressentiram com a intromissão de Spector ou o lado mainstream dos RAMONES”, escreveu Scott Isler na revista Trouser Press, “estão se privando de uma deliciosa e subversiva experiência. Às vezes, um pouco de camuflagem não machuca”. Na revista New Music Express, Max Bell escreveu: “É a melhor coisa que já fizeram, com os 02 primeiros álbuns ali incluídos também” (lembrem-se, Max foi o homem que criticou o show de estreia dos RAMONES no Reino Unido).

A revista People sugeriu que: “Os RAMONES soam maiores, plenos e mais lapidados do que nunca. Spector não mixou a crudeza subjacente e a salvação dirigida que fez o grupo o 1º dos new wave (!!!) a atrair atenção nacional. Parece que os RAMONES vão entrar para o Top 40 desta vez”. Kurt Loder, da revista Rolling Stone, escreveu que era: “o mais comercialmente incrível álbum dos RAMONES já feito, além de ser um dos melhores esforços de Spector nos últimos anos”, e esteve nos Melhores Discos do Ano de 1980 da revista Time.

Em um nível, “End of The Century” provou que a Sire Records estava certa – a presença de Spector ajudou a vender mais do que qualquer outro disco dos RAMONES até hoje! Alcançou o nº 44 nas paradas americanas, mas deixou a banda inteira ressentida e confusa.

De acordo com o livro “Coração Envenenado”, Dee Dee nem se lembra de ter estado por perto. “Até hoje”, ele escreveu, “não tenho ideia de como eles fizeram ‘End of The Century’ ou quem tocou baixo nele”.

“Ele definitivamente tocou baixo”, afirma Marky. “Eu estava lá com ele e tenho boa memória”.

A controvérsia não parou com o disco.

Pela 1ª vez desde o começo do grupo, os RAMONES não estavam usando as suas jaquetas de couro na capa de um disco: em vez disso, havia uma imagem no estilo Parada de Sucessos mostrando os músicos tentando parecer sonhadores e vestidos com camisas coloridas (e falhando miseravelmente: só o olhar de Johnny daria arrepios em qualquer garota púbere). Tirar as jaquetas foi sugestão do fotógrafo Mick Rock – e Dee Dee e Joey votaram contra Johnny, 2x1, na capa final. Marky, não sendo membro original, não teve voto. A decisão causou um enorme bate-boca entre os membros da banda: Johnny sentiu-se traído no que ele viu como crescente relaxamento e falta de comprometimento com o grupo (Joey nessa época estava bebendo demais, o que estava começando a afetar as suas habilidades de letrista. Além disso, ele era frágil e inclinado a acidentes e Johnny via isso como fraqueza). O fato da canção “Baby I Love You” ter sido gravada depois que o restante dos RAMONES haviam deixado o estúdio, também não ajudou.

Mas, como Johnny mencionou mais tarde, o racha na banda começou quando Tommy saiu: “Tommy era o nosso principal porta-voz”, ele explicou. “Joey era o que falava menos. Dee Dee e Joey se juntavam a mim se eu estivesse com Tommy. Uma vez que Tommy saiu, isso se tornou uma luta poderosa”. Johnny disse que as razões pelas quais ele e Joey nunca terem se dado bem são pessoais, mas: “75% são por diferenças artísticas”.

“Eles estavam tentando culpar as jaquetas de couro por nossa falta de sucesso”, Johnny comentou com amargura. “Então, pusemos a foto com jaquetas de couro na capa interna do álbum. Pensei que estava vendendo muito”.

“Todos sabíamos que Phil não era a pessoa certa para nos produzir”, ele continua. “Foi por isso que o descartamos para os álbuns ‘Rocket to Russia’ e ‘Road to Ruin’ (4º disco, 1978). Concordamos finalmente em fazê-lo porque pensamos que o seu nome nos ajudaria. Já era compromisso suficiente para não precisar tirar fotos sem as nossas jaquetas. Por causa disso, eu e Dee Dee tivemos um desentendimento”.

Os RAMONES podiam estar cada vez mais quebrados, mas ainda excursionavam incansavelmente. O itinerário em 1980 incluía uma viagem de 02 meses à Europa, 05 noites em Chicago no mês de Maio, 01 semana de visita ao Japão no mês de Julho seguida por 01 quinzena na Austrália e Nova Zelândia e outras 06 semanas novamente na Europa para o fim do ano, reforçado pelo sucesso do single “Baby I Love You”.

Os RAMONES estavam na estranha situação de ser uma banda em uma turnê bem-sucedida sem 01 disco de sucesso – ao menos nos EUA. Encantados pelo sucesso de grupos do estilo new wave como THE POLICE, CARS e BLONDIE, e despedaçados por sua escolha de produtores da cena nascente do punk rock e hardcore que estava começando a dominar em lugares como em Los Angeles (bandas como X, THE GERMS, BLACK FLAG e MINUTEMEN), no Estado do Arizona (MEAT PUPPETS) e na capital Washington (FUGAZI e MINOR THREAT), os RAMONES precisavam de uma mudança..., e rápido! Então, radicalizaram livrando-se dos elementos que os tornaram uma grande banda: Tommy, as jaquetas de couro e a visão artística minimalista.

Mas nada estava funcionando...

Track-list:

1- Do You Remember Rock'n Roll Radio?
2- I'm Affected
3- Danny Says
4- Chinese Rock
5- The Return of Jackie and Judy
6- Let's Go
7- Baby I Love You
8- I Can't Make it on Time
9- This Ain't Havana
10- Rock'n Roll High School
11- All The Way
12- High Risk Insurance

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