Judas Priest: álbum clássico "Sin After Sin" completa 40 anos
Resenha - Sin After Sin - Judas Priest
Por Sidney Alencar
Fonte: Blog Meus 300 Discos
Postado em 20 de julho de 2017
Pedi a um grande amigo meu para escrever um texto sobre um grande disco lançado no ano de 1977.
Resultado?
Um grande texto, escrito pelo grande Rogério Ribeiro, sobre o grande álbum "Sin After Sin", do grande JUDAS PRIEST.
Aproveitem! O texto está excelente, cheio de regionalismos, aposto que muita gente vai se identificar…rs
"Aceitei o convite do Sid para falar de um álbum que esteja soprando quarenta velinhas em 2017 e decidi que seria sobre o "Sin After Sin", terceiro álbum do JUDAS PRIEST.
É um dos trabalhos que mais gosto da banda, representando o fim de uma forma de compor, mais técnica, elaborada e malvada, que guinaria para um temporário direcionamento mais palatável com o "Stainled Class".
Minha suspeita é de que a Columbia só gravou esse disco por que já estava quase tudo composto. Depois de assinarem eles só precisaram compor "The Last Rose Of Summer". Sob o ponto de vista do dinheiro, eles acertaram em cheio, já que após esse trabalho o Judas começou a vender mais do que cerveja ruim em copa do mundo.
Mas minha escolha não foi por gostar do disco, e sim de como esbarramos.
Em 1993, ainda experimentando as primeiras bandas, eu já conhecia JUDAS PRIEST, pois havia comprado em sociedade com um amigo (sim, isso existia!) os vinis do "Screaming for Vengeance" e "Painkiller".
Depois disso eu passava sempre que podia na loja Discomania e ficava namorando as capas do "Point of Entry" e do "Turbo". Eles ficavam expostos tão alto que inibia a gente de pedir pra dar uma ouvidinha. Eu ficava lá de pescoço quebrado, imaginando como deveriam soar. Me divirto muito lembrar disso pois são exatamente os discos do Priest que menos gosto!
Então por volta de 1994 encontro com um primo que me diz:
– A mãe juntou uma ruma de cacareco pra botar no mato e acho que tem coisa que tu vai querer.
– O que é?
– Uns discos.
– Disco, disco?
– Sim, macho. É dessas coisas de demônio que tu gosta.
– Eu não gosto de demônio.
– Pronto, pois vai lá em casa.
– Mah, tua mãe só gosta de samba. Que é que pode ter lá que eu goste?
– Sei não, mas tem.
Chegando lá havia uma pequena pilha de discos e no topo aquela capa com um templo obscuro que me paralisou. Havia também um selo dourado escrito "Columbia Amostra Invendável". Eu nem sabia que aquele álbum existia. Puxei o acetato de dentro da capa e o pus nas mãos do meu primo.
– Põe pra tocar – disse lívido.
Ele ligou o 3 em 1, largou a agulha em cima e me deixou lá fritando com a abertura de "Sinner…" e quando a perversíssima trinca "Raw Deal/Here Comes The Tear/Dissident Agressor" terminou e a agulha retornou ao descanso, eu já estava feito picolé pardal de castanha em mão de criança.
Quando se tem uma coleção de discos com menos de dez títulos, você ouve um álbum como não se não fosse conhecer mais nada na vida. É esse tipo de experiência que o "Sin After Sin" me deu que tento resgatar quando me deparo ‘obrigado’ a ouvir centenas de discos que eu (não sei de onde tirei isso) deveria conhecer.
Em tempo: O disco realmente estava na coleção da minha tia, mas eu não o ganharia. Meu primo queria comprar minha bicicleta e usou o disco como valor de entrada.
Valeu a pena, a música sempre vence."
ROGÉRIO RIBEIRO, 2017
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