November's Doom: mais um álbum de alta qualidade
Resenha - Hamartia - November's Doom
Por Fábio Nobre
Fonte: Blog Audiorama
Postado em 27 de abril de 2017
O ano de 2017 teve um bom começo em termos de doom, com PALLBEARER e OCEANWAKE despejando discos de qualidade em nossos ombros. Agora vem o novo "opus emotionale" do NOVEMBER'S DOOM, "Hamartia". A palavra "Hamartia" é definida como uma falha fatal em um herói ou heroína que acabará por levar à sua queda trágica. Que melhor assunto para outra dose excessiva de doom/death do melhor de Chicago? Com a mesma formação de "Bled White", de 2014, "Hamartia" é familiar em sua abordagem global, mas marca uma mudança para a banda. Enquanto os álbuns passados se concentraram mais no lado death metal, com algumas partes de doom sombrio aparecendo, este é o inverso – muito mais focado no doom, com uma maior dependência de vocais limpos do que nunca. Ainda é a banda que você conhece, mas numa versão mais suave e mais introspectiva.
A abertura com "Devil’s Light" é uma pegada típica do NOVEMEBER'S DOOM, alavancando os rugidos profundos e ressonantes de Paul Kuhr, temperados com harmonias melódicas arrancadas do coração de um frio inverno finlandês. É dramático e pesado sem ser inovador ou surpreendente. As boas-novas chegam com "Plague Bird", onde a paixão da banda pela melancolia escura e sonhadora é reafirmada e tornada palpável pelos vocais morosos e góticos de Kuhr, que dividem a paternidade entre David Gold (WOODS OF YPRES) e Peter Steele (TYPE O NEGATIVE). A energia sombria da canção vem da conexão dos vocais limpos para os rugidos death, resultando em uma canção estranhamente bela que fica com você depois que acaba.
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Essa faixa, por sua vez, é imediatamente superada pelo destaque do álbum, "Ghost", que é uma grande salada de doom, com o canto lamentador de Kuhr se misturando excelentemente com seu vocal de death para um coro impressionante cheio de pena, desespero e ameaça. Este é o NOVEMBER'S DOOM no seu melhor e há um poder único na escrita e desempenho. É depois disso que as coisas ficam mais suaves, com uma série de melodias de tristes, sem death, como "Ever After" e a faixa-título, ambas boas e atmosféricas, mostrando o lado doomier da banda. A primeira tem uma grande atmosfera do já citado WOODS OF YPRES, enquanto a última tem a mesma intensidade do melhor material do TIAMAT. A banda sabe como escrever uma música angustiante, emocionalmente forte, mas a abundância de cortes melancólicos como estes faz cm que o álbum pareça mais familiar e mais contido do que passagens passadas do NOVEMBER'S DOOM.
As coisas com "Waves in the Red Cloth", e a longa montanha-russa emocional de "Borderline", que é como as viajosas coisas que os Beatles fizeram mais tarde em sua carreira misturada com o Woods of Ypres. Essas faixas de conclusão não são particularmente pesadas nem agressivas, cimentando a natureza descontraída do álbum, então aqueles que procuram uma face mais extrema podem ficar do lado de fora.
O NOVEMBEER'S DOOM é conhecido por excelentes trabalhos de produção e Hamartia possui outra boa. É limpo e dinâmico com um som nítido e completo. As guitarras têm um tom grosso e robusto e os grunhidos de Kuhr e seu barítono reverberam poderosamente. Embora tenha 57 minutos de duração, ele não parece. O fato de que a maioria das músicas estão na faixa de 3-5 minutos ajuda imensamente, e ele parece menos massante do que "Bled White".
Após 10 álbuns, Paul Kuhr é o único membro original. Seus vocais sempre definiram o NOVEMBER'S DOOM e aqui mais do que nunca. Eu não recordo dele cantando mais com vocais limpos do que aqui em um álbum e, embora isso cause uma coleção mais leve de canções, o álbum praticamente transborda com emoção e desespero. O outro lado é que, com tanta música limpa, as limitações de Kuhr se tornam mais evidentes. Embora abençoado com um tom e um timbre grandes, nunca vai realmente além de seu usual semi-falado e gótico murmúrio. Esta não é uma questão importante, mas a relativa ausência de mais peso, momentos mais death metal, resulta em uma paleta menos diversificada com um pouquinho de monotonia, a guitarra de Larry Roberts e Vito Marchese, no entanto, é de primeira classe. Embora eles tenham menos oportunidades de ir realmente ao pesado ou entregar riffs "a la OPETH", eles ainda introduzem suas harmonias com abundância de ganchos melódicos inteligentes e entregam um trabalho de solos emotivo.
"Hamartia" é mais um álbum de alta qualidade de um grupo muito único e consistente. Eu poderia discutir sobre proporção relativa de death e doom, mas o material ainda é emocionante e tão escuro como a alma de um assassino. Qualquer que seja a hamartia pessoal do NOVEMBER'S DOOM, ainda está para ser descoberta e explorada, e espero que permaneça assim. É um bom novembro em abril para todos.
Originalmente publicado em:
https://blogaudiorama.wordpress.com/2017/04/14/critica-novembers-doom-hamartia-2017/
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