UDO: Lá e de volta uma última vez
Resenha - Live - Back To The Roots - Dirkschneider
Por Sérgio Henrique dos Santos
Postado em 11 de março de 2017
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Quando o ACCEPT se separou pela primeira vez, na virada para os anos 90, os fãs receberam como consolo um registro ao vivo gravado em 1985 no Japão. E que registro! Com excelente qualidade sonora e a performance afiadíssima, Staying a Life veio como um verdadeiro legado para que qualquer um pudesse ter boas recordações ou mesmo conhecer como soava poderosa essa banda em seu auge.
Algumas reuniões e várias desavenças depois, hoje o inventário sonoro do grupo é compartilhado por dois núcleos: o oficial, surpreendentemente bem sucedido com o vocalista Mark Tornillo, que ajuda o guitarrista Wolf Hoffman e o baixista Peter Baltes a seguirem adiante, e a carreira solo de UDO DIRKSCHNEIDER, que após desentendimentos envolvendo a parte financeira e os direitos pelo nome da banda não quer mais conversa com seus ex-companheiros. Confraternização nos bastidores? Sem chance. Participação em um eventual show de despedida? Ele garante que não, não vai rolar.
Mais ainda: em 2016 UDO anunciou que faria uma turnê se despedindo dos clássicos da sua antiga banda. Segundo ele, dali em diante quem quiser ouvir aquelas músicas deverá procurar o ACCEPT oficial, já que ele focará apenas em sua já extensa discografia solo.
Apenas marketing ou não, eis que Live: Back to The Roots (e apenas como DIRKSCHNEIDER) é o inevitável registro ao vivo dessa turnê. E, olha só, serei obrigado a me repetir: que registro!
Confesso que não esperava nada tão bom assim. Talvez versões burocráticas de grandes clássicos, com um vocalista desanimado, enfastiado, cansado. Mas meu queixo caiu logo na primeiras faixa: Starlight, com o baixinho de voz rasgada cantando com muita vontade e sem nenhum alívio ou truque. Só já perto do final, em Balls to the Wall, é que se nota um cansaço, o que é mais que compreensível frente a um show longo que exige drives de um sexagenário praticamente o tempo todo.
Uma das primeiras coisas que eu presto atenção em álbuns ao vivo de heavy metal é o som das guitarras. Se estiverem baixas, escondidas, "frouxas", é muito difícil que haja salvação. E Back to the Roots possui um dos sons de guitarra mais lindos e perfeitos que eu já me deparei. Soam cortantes, altas, firmes, como tem que ser. Se você está lendo essa resenha já entendeu o que eu quis dizer, certo? E todos os instrumentos estão muito bem gravados. Sabe aquele sentimento que você tem quando escuta um live album e pensa "nossa, essa é a versão definitiva dessa música!"? Pois é.
E que energia absurda temos aqui. Gravado na Alemanha, o público colaborou em peso. Quando os tradicionais backing vocals aparecem o coro da plateia sempre vem junto. E há momentos em que a música acaba em cima do palco mas a empolgação é tamanha que os fãs continuam cantarolando a melodia ou refrão. Isso acontece por exemplo em I´m a Rebel, confira!
Outro golaço da Alemanha é o set list. Nada menos que vinte e quatro clássicos do ACCEPT. Como o set é restrito apenas aos anos 80 houve espaço para pérolas como Wrong is Right, Winter Dreams, Midnight Highway (com sua sensacional mistura de AC-DC, Thin Lizzy e Judas Priest!) e até duas do relativamente injustiçado Russian Roulette: TV War e Monsterman. Poderia haver até mais: faltam talvez Love Child e Dogs on Leads. O resto é tUDO o que você esperaria: a priestiniana Midnight Mover, o hino Balls to the Wall, o andamento matador de Princess of the Dawn, as pancadarias Breaker e Fast as a Shark etc. Inclusive se você precisa de um bom "curso intensivo de ACCEPT" para convencer um amigo(a), é uma boa pedida!
A comparação com o também recém lançado ao vivo do ACCEPT oficial, Restless And Live é até óbvia de se fazer. Para a pergunta sobre qual é o melhor a minha resposta seria: precisa mesmo que haja um melhor? Apesar de algumas músicas em comum no set o ouvinte atento perceberá que são propostas diferentes. Restless And Live traz muito material recente, dos três trabalhos com Mark nos vocais, e tem um som mais "atualizado", o que fica latente na bateria e andamento. Já Back to the Roots é total retrô, com um heavy metal mais oitentista possível. Compare por exemplo as Restless and Wild: a do ACCEPT atual é mais pesada e rápida, com um trabalho monstruoso de bateria, já a de UDO mais cadenciada e fiel à original (pena que ele optou pela versão encurtada da música). Ambos são excelentes, complementares, e quem ganha são os fãs que não precisam abrir mão de um em detrimento do outro. Aceite isso.
Em 1990 ganhamos o antológico Staying A Life por um motivo triste, o fim da banda. Agora, novamente poderia haver aquele sentimento agridoce pelo fato de UDO DIRKSCHNEIDER estar (supostamente) abandonando definitivamente o seu melhor repertório. Mas isso tUDO fica em segundo plano quando você escuta Back to the Roots e sente orgulho de dizer que, ora ora, quem diria, temos um sucessor à altura. E ouso dizer: Back to the Roots é o Staying A Life turbinado.
Não deixe de ouvir.
CD1
01. Intro
02. Starlight
03. Living For Tonite
04. Flash Rockin' Man
05. London Leatherboys
06. Midnight Mover
07. Breaker
08. Head Over Heels
09. Neon Night
10. Princess Of The Dawn
11. Winterdreams
12. Restless And Wild
13. Son Of A Bitch
CD2
14. Up To The Limit
15. Wrong Is Right
16. Midnight Highway
17. Screaming For A Love-Bite
18. Monsterman
19. T.V. War
20. Losers And Winners
21. Metal Heart
22. I'm A Rebel
23. Fast As A Shark
24. Balls To The Wall
25. Burning
26. Outro
Músicos:
UDO DIRKSCHNEIDER - Vocal
Andrey Smirnov - Guitarra
Kasperi Heikkinen - Guitarra
Fitty Wienhold - Baixo
Sven DIRKSCHNEIDER - Bateria
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ripper Owens: "Há uma razão pro Iron Maiden tocar pra 20 mil e o Judas pra 5 mil"
20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
Rhapsody se despedirá com formação clássica ao lado do Epica na América do Sul
Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
Steve Harris conta o que Brian May disse sobre o show do Iron Maiden no Rock in Rio I
O cantor de prog metal que foi cotado para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden em 1993
Rush é parado na fronteira dos Estados Unidos com o México e precisa adiar show
Classic Rock ranqueia discografia do Bon Jovi do pior ao melhor álbum
Shane Embury (Napalm Death) fala abertamente sobre luta contra o alcoolismo
O show em que o Iron Maiden tocou Van Halen, de acordo com Adrian Smith
A cantora que conquistou James Hetfield com sua voz "de cheiro de cigarro"
Dave Lombardo comenta lenda dos 33 minutos de "Reign in Blood"
Os dois clássicos do Judas Priest que Ripper Owens não queria cantar no Masters of Voices
Deep Purple lança "Guilt Trippin'", faixa de seu próximo disco de estúdio
O clássico do Angra de Andre Matos que parece com faixa do "MI'RAJ", segundo Edu Falaschi
As bandas de rock que não saíam dos ouvidos do saudoso piloto Ayrton Senna
Black Sabbath: Tony Iommi explica como tocar "Paranoid"
A banda que fez Robert Plant se envergonhar de ser ícone do rock

Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos



