Barok-Projekto: Metal com música barroca
Resenha - Sovaga Animo - Barok-Projekto
Por Victor Freire
Fonte: Rock'N'Prosa
Postado em 22 de novembro de 2016
Nota: 8 ![]()
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Já pensou no que a mistura de metal com música barroca originaria? Confesso que nunca imaginei escutar uma banda como o Barok-Projekto. O álbum Sovaga Animo (2016) traz esse conceito bem excêntrico nas bandas de metal. A banda é formada por Karliene Araújo (vocais), Rafael Milhomem (guitarra, flauta e teclado), Muniz (violão e guitarra), Thiago Alberto (baixo) e Júnior Nieri (bateria) e vem de Catalão/GO.
Após uma introdução falada em um idioma até então desconhecido, intitulada Antauparolo de prapatra kaciko, com a presença de instrumentos de cordas diversos, o metal é iniciado de fato em Tauba kaj Kerana. Os riffs carregam pouco peso, destacando solos e uma atmosfera dada pelo teclado. Os vocais me lembraram um pouco aquela clima do Cirque du Soleil, onde eles cantam em uma linguagem própria, sendo que aqui a linguagem de fato existe. Posso estar enganado, mas após pesquisa rápida descobri a língua Esperanto. O idioma foi criado na Polônia com o objetivo de ser uma língua neutra, que não pertencia a nenhuma nação. Essa língua não foi só escolhida pela banda para as letras, mas para toda a parte gráfica do álbum.
Ce ni estas Abasai´ dá continuidade ao álbum com um início bem heavy metal, destaco ainda a presença de elementos de música celta na composição. No entanto, o metal é o elemento principal. O que gosto é que não só a música, mas o álbum como um todo, possuem aquele clima de ópera, como se estivéssemos assistindo a algum espetáculo ou até mesmo o Cirque du Soleil, como citei antes. Droniga pasio possui início bem nessa linha, com inclusão de cravo, que logo é combinado com as guitarras. Regino de la nokto traz um dueto com vocal gutural, bem legal, gostei também do refrão — mais dentro do metal melódico. A faixa-título, Sovaga animo, vem logo em seguida, trazendo todo um clima céltico. Muito boa a música inteira no violão, flauta e percussão.
O peso volta a dominar o álbum com La sep filoj. Arrisco a dizer que é a música com mais elementos do heavy metal presentes. Mais flautas voltam a soar em La sagoj de Ruda´, mas, novamente, o metal volta a ser o elemento principal. Gostei das variações na batida e melodias. Aliás, esse é o maior destaque de todo o álbum: variações. A banda varia muito dentro da linha de composição, incluindo novos instrumentos e a própria sequência das músicas não deixa o álbum monótono — músicas rápidas e lentas intercaladas.
O álbum ainda conta com duas "kroma trako": Kaapora e La plej bona casisto. Confesso que foi o álbum mais diferente que escutei de uma banda do Brasil. Primeiro, o idioma. Apesar de não entender nada, as palavras no Esperanto soam muito bem aos ouvidos e combinam muito bem com o metal. Segundo, a mistura de elementos. A banda firmou a base no metal, mas incluiu elementos diversos da música barroca, como o cravo e o violão. Além disso, combinações de vozes — masculina e feminina (gutural e não) — é outra característica marcante nas músicas.
Meu sentimento com o Sovaga Animo (2016) é que ele deve ser escutado na íntegra, como um álbum do Pink Floyd, por exemplo. Não dá para isolar as faixas. Elas se complementam na obra — como uma verdadeira ópera. O Barok-Projekto conseguiu criar um som próprio e isso é transferido para as músicas, elas não se assemelham com nada que escutei antes.
#Tracklist:
1.Antauparolo de prapatra kaciko
2.Tauba kaj Kerana (Malbeno – 1a parto)
3.Ce ni estas Abasai´
4.Droniga pasio
5.Regino de la nokto
6.Sovaga animo
7.La sep filoj (Malbeno – 2a parto)
8.La segoj de Ruda´
9.Malodio de Akuanduba
10.Kaapora (faixa bônus)
11.La plej bona casisto (faixa bônus)
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