Black Triad: Música sem complicações, para ser curtida
Resenha - Genesis - Black Triad
Por Fabio Reis
Postado em 14 de agosto de 2016
Poderia começar esta análise de diversas maneiras, a mais óbvia seria dissertando sobre o passado dos ilustres músicos envolvidos com a Black Triad, porém após diversas audições de "Genesis", chego a conclusão que é totalmente desnecessário enaltecer o que os integrantes fizeram anteriormente quando o presente é capaz de se sobressair de maneira tão brilhante.
A Black Triad foi formada em 2014, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, um dos grandes polos reveladores de bons grupos de nosso país. Desde então a banda vem fazendo diversos shows pela região e apresentando algumas das composições que viriam a fazer parte de seu debut. Um EP ao vivo foi gravado e lançado digitalmente, "Triad Live 2015 - Festival Som de Peso", que serviu para dar uma pequena amostra do que estaria por vir, mas acredito que nem mesmo o ouvinte que gostou muito do EP esperaria por um álbum de estréia como este.
"Genesis" chama a atenção de imediato pela produção impecável, porém a maior qualidade do disco certamente fica por conta de sua musicalidade de fácil assimilação. Todos os amigos leitores, em algum momento devem ter se deparado com um registro daqueles em que a audição simplesmente flui de maneira tão natural, que quando acaba você imediatamente sente vontade de ouvi-lo novamente. É exatamente o que acontece com o debut da Black Triad, que apesar da qualidade inegável de seus integrantes, o investimento foi em músicas simples, pegajosas e despojadas.
As influências musicais são muitas, de Venom à Motorhead, porém tudo é executado de forma a não deixar a Black Triad se tornar uma mera cópia, mas sim uma banda que chegou para preencher uma lacuna. O Heavy Metal apresentado é calcado em cima de refrões grudentos e ótimos riffs, cortesia do seu experiente guitarrista, que agora se aventura também como vocalista.
Tudo soa tão homogêneo que destacar alguma das faixas seria cometer uma enorme injustiça com as outras. Desde a abertura com "Go On" até o fechamento com "Santero", o álbum é diversão garantida do primeiro ao último segundo, daqueles que você coloca pra rolar quando vai tomar uma cerveja com os amigos.
Para o amigo que se interessou e vai escutar o disco, tenha em mente a palavra entretenimento. Existem bandas que precisamos ficar atentos as viradas, mudanças rítmicas e escutar com atenção todos os momentos de virtuose, mas em "Genesis", é como colocar um disco do AC/DC, Motorhead ou Kiss pra tocar. É música sem complicações, para ser curtida, sentida e apreciada.
Acredito que a proposta da Black Triad ficou bem clara, então agora sim, vamos citar os nomes dos músicos por trás dessa delícia de disco e contar um pouquinho de suas obras. O dono dos riffs e refrões grudentos citados acima é o experiente guitarrista Ricardo Aronne, simplesmente um dos mais respeitados guitarristas do país e um dos precursores do Rock no sul do país.
Para se juntar a Aronne e formar este power trio de peso, uma parte rítmica das mais competentes e concisas foi escolhida. No baixo, temos a presença de Marcelo Pithan, outro experiente nome da cena gaúcha, que ao lado da fera Zico Cavinatto, simplesmente um musico que chegou a concorrer ao prêmio de melhor baterista no Grammy Latino, formam este time pra lá de competente.
Se você é fã daquele Heavy Metal que não foi feito pra te impressionar pela técnica, mas te cativar pelo feeling e simplicidade, este é o disco a ser ouvido. O detalhe que vale ser ressaltado é que tudo isso foi feito propositalmente e a sonoridade escolhida é a que os músicos admiram e querem proporcionar a seus fãs, pois técnica é o que não falta a estes caras. Altamente recomendado!
Integrantes:
Ricardo Aronne (guitarra e vocal)
Marcelo Pithan (baixo)
Zico Cavinatto (bateria)
Faixas:
1. Go On
2. R.I.P.
3. Fallen Mask
4. The Duke
5. Genesis
6. Carnage
7. Into the Void
8. Zeitgeist
9. Evil Lady
10. Santero
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