Harmonium: Mais uma pérola relativamente escondida e subestimada
Resenha - Si On Avait Besoin D'Une Cinquième Saison - Harmonium
Por Tiago Meneses
Postado em 07 de março de 2016
Uma cena progressiva que nos presenteou com grandes álbuns foi a famosa cena progressiva de Quebec no Canadá. Infelizmente a banda em questão, HARMONIUM, foi também juntamente de várias outras daquele lugar, um grupo de carreira bastante curta, duraram somente 5 anos, tempo de lançarem 3 álbuns, tendo como ápice criativo seu segundo disco, "Si On Avait Besoin D'Une Cinquième Saison" em 1975. A banda é sem dúvida alguma um dos principais expoentes da cena ao lado dos grupos, POLLEN e MANEIGE. O trio que melhor representou os momentos mais frutíferos do Canadá para com o rock progressivo.
A banda acima de qualquer coisa é considerada um grupo de música folk, mas de uma sonoridade mais encorpada, progressiva, fazendo uma espécie de cruzamento com a música sinfônica. "Si On Avait Besoin D'Une Cinquième Saison" é sem dúvida alguma um álbum perfeito pra começar uma colação de rock progressivo franco-canadense. Uma sonoridade suave, sublime, recheado de instrumentos clássicos, melottron. Aqui também é um álbum conceitual onde cada uma das quatro primeiras faixas do álbum representam uma das estações do ano, e tem uma 5ª que trata-se de um épico e que não sei bem a sua representação dentro da obra como um topo.
Representando a Primavera, o álbum começa através de, "Vert", com uma maravilhosa melodia de flauta. Uma música que pode não mostrar toda a maturidade que a banda conseguiu do primeiro para esse segundo álbum, mas mesmo assim, de sonoridade ainda superior em todos os aspectos. As harmonias vocais estão lindas, a instrumentação é complexa, porém acessível e de resultado final simplesmente mágico.
"Dixie" é a segunda faixa e representa do Verão. Soa como uma canção pop, mas não é um genérico. Tem alguns toques jazzísticos, ainda mantém o folk. É muito otimista, alegre, e até estimula no ouvinte umas palmas de mãos e batidas de pés. Possui um excelente piano, principalmente o riff principal.
A terceira faixa representa o Outono e se chama, "Depuis l'automne". Uma música mais obscura do que as anteriores. Após os primeiros versos, há uma parte curta onde podemos ouvir um mellotron maravilhoso. Depois, começamos uma ruptura instrumental, onde novamente nota-se um mellotron em destaque e que é de difícil definição devido a sua beleza. Mas todos os instrumentos sustentam muito bem a canção, um baixo simples, mas de ótimo gosto. A banda cria passagem instrumentais de beleza que sem dúvida alguma pode ser comparada a criada por gigantes e mais conhecidos grupos. Possui no meio uma parte melancólica e que tem como carro chefe um violão acústico sobre um teclado viajante e por fim o coro que completa o momento antes de voltarem pra cadencia inicial. Uma música viciante por completo.
O Inverno chega com, "En Pleine Face". Mais uma curta e linda canção e de tom novamente bastante melancólico. Executada basicamente de forma acústica, tem em seus dois minutos finais o maior destaque. Traz um maravilhoso tema repetitivo com grande uso de harmonias vocais, violão e acordeão.
O álbum tem o seu final com o épico, "Histoires Sans Paroles". O primeiro movimento é muito edificante e tem uma das melhores melodias de flauta que eu já ouvi. O próximo é introduzido por uma parede de mellotron. Eu raramente ouvi um uso tão maravilhoso do mellotron, incrível como eu falei o nome desse instrumento nessa resenha, mas é que não tem como, é um dos álbuns com o mais belo uso dele que conheço. Mais tarde, um piano elétrico toca com afinidade junto das guitarras em uníssono. O tema continua com variações menores que o tornam ainda mais lindo de se ouvir. Uma pausa musical um tanto bizarra segue criando uma atmosfera espacial, então o mellotron (de novo ele) assume sozinho por alguns segundos antes da faixa seguir com algumas vocalizações, violão acústico e teclado. Aqui eles soam de maneira semelhante a de RICK WAKEMAN durante "Tales of Topographic Oceans" do YES. A faixa segue com uma musicalidade forte que continua dando até arrepios e a passagem solitária de mellotron é repetida. Um sax bastante suave entra na música, e conforme essa parte vai passando, vou me perguntando sobre o que se trata essa música, um dia a entregarei nas mãos de alguém que domine bem o idioma francês e que possa me ajudar a montar a última peça do quebra cabeça que é o álbum. Será que é uma espécie de quinta estação? Uma referência a algo? Será esta uma versão musical do céu? de uma utopia? O que é isso? Este tema da música tem a duração de cerca de 5 minutos e a medida que cresce leva tudo para um clímax perfeito, muito edificante e otimista que traz de volta a introdução desta composição que conclui este disco simplesmente lindo.
Harmonium lançou três álbuns em 3 anos, em com a certeza de que entre o seu primeiro e último lançamento, acertaram em cheio com essa obra simplesmente maravilhosa. Um disco que não deixava a desejar em qualidade a nenhum dos produzidos na Europa, maior reduto do rock progressivo e onde se encontravam as maiores bandas e que serviram de espelho pra tudo que veio depois. Mais uma pérola relativamente escondida e subestimada. Porém, de qualidade sensacional.
FORMAÇÃO:
Michel Normandeau - Guitarra, acordeão e vocais
Pierre Daigneault - Flauta, saxofone soprano e clarinete
Serge Locat - Piano, mellotron e sintetizador
Louis Valois - Baixo, piano elétrico e vocais
Serge Fiori - Guitarra, flauta, cítara, tambor e vocais
Judy Richard - vocalizações na faixa 5
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