Uganga: Uma das melhores bandas nacionais da atualidade
Resenha - Opressor - Uganga
Por Vicente Reckziegel
Postado em 02 de janeiro de 2016
Nota: 9 ![]()
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É sempre salutar quando se vê uma banda com coragem de sair do lugar comum, da zona de conforto que a grande maioria dos grupos se "enfia" e ali ficam o resto da vida: A mesma música e a mesma visão incessantemente. O Uganga foge disso, e com "Opressor" acerta em cheio, de uma maneira que poucas bandas conseguem, isso não somente no território nacional.
Não há como indicar destaques individuais na banda, pois todos fizeram um trabalho formidável em "Opressor". Manu "Joker" fez seu melhor trabalho frente à banda. Impossível imaginar o Uganga sem sua voz ecoando pelos alto-falantes. A dupla Christian Franco e Thiago Soraggi nos brindam aqui com riffs, solos e melodias muito acima da média. Raphael "Ras" Franco faz estremecer as estruturas com seu baixo e ainda tem Marco Henriques fazendo um trabalho de bateria mais que competente.
Se algumas músicas ainda soam mais tradicionais, no velho Thrash Metal com um quê de Thrashcore, como, por exemplo, a intro "Guerra", "Casa" (e sua letra bacana e reflexiva sobre a vida na estrada) ou a mais Hardcore "Moleque de Pedra" (com vocal totalmente gutural/cavernoso de Juarez Tibanha), a regra em "Opressor" parece ser justamente não seguir regra alguma. A rifferama de "O Campo" combina com a força da letra, inspirada na visita da banda ao campo de concentração de Auschwitz (Polônia). Já a faixa-título "Opressor" é mais cadenciada, apesar de manter o peso lá em cima.
Mas a minha preferida é "Modus Vivendi", que sai um pouco do estilo da banda, onde abusam de melodias e riffs que ficaram sensacionais, isso sem perder o peso habitual do Uganga. "Nas Estranhas do Sol" tem um refrão mais arrastado, grande trabalho de bateria e uma mudança bacana de andamento em sua metade. "Aos Pés da Grande Árvore" tem um inicio quase Doom Metal anos 80/90, mas que depois se revela uma das músicas mais pesadas em "Opressor". "Who Are the True?" é cover da igualmente grande banda Vulcano, e não ficou devendo em nada a original, e tudo termina com "Guerreiro", talvez a faixa mais audaciosa em "Opressor", pois a mesma é quase acústica, e totalmente experimental, fugindo do que encontramos durante toda a audição do disco.
Não tenho nenhuma dúvida que "Opressor" foi um dos melhores discos lançados no, que parece agora tão longínquo, ano de 2014. E mostra que, quando bem aproveitados, vinte anos de estrada trazem a maturidade e qualidade tão perseguidas por centenas de bandas Brasil afora. Se é indicado? Só olhar a nota da bolacha e ali está a resposta...
Formação:
Manu "Joker" – Vocal
Christian Franco – Guitarra
Thiago Soraggi – Guitarra
Raphael "Ras" Franco – Baixo e Vocal
Marco Henriques – Bateria e Vocal
13 Faixas – 43:57
Tracklist:
1 - Guerra
2 - O Campo
3 - Veredas
4 - Opressor
5 - Moleque de Pedra
6 - Casa
7 - L.F.T
8 - Modus Vivendi
9 - Nas entranhas do Sol
10 - Aos Pés da Grande Árvore
11 - Noite
12 - Who Are the True?
13 - Guerreiro
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