Ocultan: Um dos maiores nomes do cenário extremo nacional
Resenha - Nexion Chaos - Ocultan
Por Marcos Garcia
Postado em 24 de dezembro de 2015
Nota: 10 ![]()
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O Metal ainda é um dos estilos musicais onde a cultura ainda é preservada a unhas e dentes. Sim, pois são raras as citações que tenham o mínimo a nos ensinar fora dele. E no Brasil, terra em que reinam preconceitos estúpidos e vazios, muitos preferem o capetismo vazio ou mesmo temas vazios a temáticas que nos desafiem a sair de nosso marasmo e ir mais fundo, a abrir nossos olhos e espíritos para algo mais profundo e relevante.
E é com plena convicção que afirmamos que o quarteto OCULTAN, de São Paulo, é um dos grupos com maior riqueza temática do Metal extremo nacional, e isso aliado a um trabalho musical excelente. E não é à toa que "Nexiom Chaos", seu mais novo trabalho, mostra o grupo ainda mais forte que antes.
Musicalmente, parece que a entrada de Malus (bateria) e Kazoth Bey (baixo) deram um novo sopro ao agora quarteto. Sim, pois assim, Count Imperium pode se concentrar apenas nos vocais. A base rítmica ganhou um pouco mais de diversidade técnica, sem alterar a essência dura e agressiva do grupo, ao passo que os vocais estão bem mais trabalhados em termos de tons, indo dos timbres rasgados tradicionais a outros guturais sombrios sem esforços. E não há o que falar do trabalho de Lady of Blood além de que, mais uma vez, ela se encontra entre os melhores guitarristas dos estilos extremos do Brasil, apresentando riffs ótimos e bem diversificados, mas sem nunca perder aquela sonoridade sombria tradicional que o OCULTAN imprime desde seu início. Sombrio, agressivo, bruto, ora mais lento e azedo, ora mais veloz e ríspido, mas sempre com bom gosto. Por isso, o trabalho deles é um exemplo de como se explorar com profundidade o próprio estilo, sem, no entanto sair do mesmo.
Gravado no Kripta Bestial Studio e no The Dark Studio, com o próprio Count Imperium cuidando da mixagem e masterização, em termos de sonoridade, é o melhor disco do grupo, pois consegue associar aquela sujeira já conhecida e timbres fúnebres com um nível de clareza maior que antes. Ou seja, a música da banda se tornou bem mais compreensível, e assim, mais fácil de ser absorvida. E do lado artístico mais uma vez enfoca a figura de Exu, que possui amplo e profundo significado na cultura afro-brasileira, mas bem feita. Layout e encarte também estão ótimos.
Musicalmente, como dito acima, o OCULTAN evoluiu sem fugir de seu próprio estilo. Digamos que a banda se aprofundou ainda mais na própria musicalidade, sem nunca perder a visão do que já haviam construído. Mas não se pode negar que os arranjos musicais deram uma melhorada, e o prumo da banda é o bom gosto, o feeling que os guia há tantos anos. As letras ainda tratam sobre Quimbanda, óbvio, mas há momentos em que há citações a outras culturas, e mesmo a forma da banda se expressar é bem mais encorpada. Coisa de quem entende do que fala, simples assim.
Temos sete músicas excelentes, usando de durações maiores que antes, e não é possível destacar esta ou aquela, pois realmente, o disco está perfeito.
"Exu Lord of Fire" (alternando momentos mais velozes e outros mais cadenciados, vemos uma verdadeira invasão de riffs macabros e ótimos arranjos de guitarra. Mas os vocais estão assentados de uma forma excelente), "Reino da Morte" (mais sombria e carregada com uma atmosfera soturna e introspectiva, é uma canção bem executada, com a base rítmica mostrando um trabalho excelente. A velocidade oscila entre o cadenciado e o um pouco mais veloz de forma bem espontânea, mais uma vez mostrando como os vocais melhoraram bastante), "The Essence of the Oposser" (é ouvir e ficar grudado. Os arranjos são ganchudos, envolventes, a base mantém um ritmo um pouco mais tradicional em termos de Black Metal, mas realmente os riffs fazem uma diferença absurda), "Mother of Chaos" (um dos melhores momentos de todo CD. É uma mÚsica causticante, aliando uma bateria com bumbos excelentes, riffs sinistros, ritmo que se alterna bastante. E reparem como o baixo dá um peso extra em muitos momentos), "Tehom" (mais uma vez, o grupo uso sua pegada e jeitão mais tradicionais, com belas incursões de mini solos de guitarra, vocais extremamente bem encaixados, e uma mórbida riqueza musical), "Perdition" (outro ponto alto! Uma música sinistra, onde melodias macabras surgem nos arranjos de guitarra, mas ao mesmo tempo, a base rítmica segura muito bem o ritmo e suas mudanças, que não são poucas), e "Dissolução do Universo" (fúnebre e introspectiva, é uma faixa digna de encerrar com chave de enxofre o disco. Melodias sinistras, vocais urrando com boa dicção, e um andamento lento e azedo, deixando a faixa com uma atmosfera opressiva que poucas bandas conseguem criar) são todas excelentes, mais uma jóia rara nos concedida pela banda.
Podemos afirmar com certeza que o OCULTAN é um dos maiores nomes do cenário extremo nacional, e que "Nexion Chaos" é seu melhor trabalho. Aliás, merece uma edição gringa, pois o Brasil anda pequeno para eles há tempos.
Ocultan - Nexion Chaos
(2015 - Pazuzu Records - Nacional)
Músicas:
01. Exu Lord of Fire
02. Reino da Morte
03. The Essence of the Oposser
04. Mother of Chaos
05. Tehom
06. Perdition
07. Dissolução do Universo
Banda:
Count Imperium Vociferus Necrocosm - Vocais
Lady of Blood - Guitarras
Kazoth Bey - Baixo
Malus - Bateria
Contatos:
http://www.facebook.com/ocultan
http://ocultan.wix.com/ocultan
http://www.twitter.com/ocultanband
http://www.reverbnation.com/ocultanband
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