Maverick: Uma grata revelação do Metal nacional
Resenha - Motor Becomes My Voice - Maverick
Por Fabio Reis
Postado em 17 de novembro de 2015
O Maverick foi um lendário automóvel fabricado pela Ford e chegou a ser comercializado no Brasil entre 1973 e 1979. Apesar de não se tornar tão popular quanto nos EUA, o modelo GT, que contava com o famoso motor de 8 cilindros em V (V8), é conhecidíssimo por sua potência e ronco ensurdecedor. O veículo chegava de 0 a 100 km/h em menos de 10 segundos e é um dos mais cultuados pelos amantes de carros.
A banda Maverick escolheu o seu nome em homenagem ao modelo da Ford e pode-se dizer que sua sonoridade causa o mesmo impacto que o motor V8 causou nas pessoas na década de 70. "The Motor Becomes My Voice" é o primeiro disco de estúdio do grupo oriundo de São José do Rio Pardo, São Paulo e o que pode-se dizer é que esses caras são realmente brutos.
O álbum além de ser excelente, é uma verdadeira destruição sonora. Composto de 8 faixas e pouco mais de 35 minutos, o que se escuta são composições bem construídas, agressivas, repletas de ótimos riffs e passagens que se equilibram entre a velocidade do Thrash Metal e momentos mais cadenciados de extremo peso.
Os vocais insanos do guitarrista/vocalista Gabriel Sernaglia é apenas um dos muitos destaques positivos do trabalho. Caio Henrique é o responsável pelas linhas de guitarra e a "cozinha" formada por Lucas Silva (baixo) e Gustavo Polississo (Bateria), é muito competente e segura. O quarteto parece se entender muito bem e apesar dos músicos não se preocuparem em exibir nenhum tipo de virtuose, as composições são elaboradas e possuem diversas mudanças de andamento e viradas fantásticas.
Ao ouvir músicas como "Upsidown", "Shadows Inc.", "Disorder" e "Dehumanized", fica nítido as influências de bandas como Pantera e Sepultura na época do clássico "Chaos AD". O que mais me chamou a atenção sobre essas inspirações, é que dificilmente eu vejo grupos que conseguem captar referências dessas duas bandas e não soar uma cópia mal feita. No caso do Maverick, o resultado é pra lá de satisfatório, pois além de exibir uma identidade muito forte, em nenhum momento pensa-se estar escutando um clone defeituoso.
O único quesito que na minha visão poderia ser "melhorado" para um próximo lançamento, seria adicionar uma maior quantidade de solos de guitarra. Nem chamaria isto de destaque negativo, pois algumas composições realmente não pedem os solos, porém senti falta e acredito que elevaria a sonoridade do grupo a uma esfera ainda mais elevada. Deixo claro que este pequeno porém não compromete em nada a qualidade inegável do álbum e apenas acrescentaria ainda mais elementos ao som do grupo.
Recomendo a todos os fãs de um Thrash/Groove de alta qualidade a audição de "The Motor Becomes My Voice". Um álbum de estréia que convence e apresenta uma banda pronta para figurar entre os grandes nomes do Metal nacional. Uma Grata surpresa e que vale muito a pena ser acompanhada. Os próximos passos desta verdadeira revelação da música extrema prometem e muito.
Integrantes:
Gabriel Sernaglia (Guitarra/Vocal)
Caio Henrique (Guitarra)
Lucas Silva (Baixo)
Gustavo Polississo (Bateria)
Faixas:
1 - V8
2 - Upsidown
3 - Motor Becomes My Voice
4 - Shadows Inc.
5 - Disorder
6 - Karma Extinction
7 - Dehumanized
8 - Scarecrow
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