Muse: o segundo disco e a definição da identidade.

Resenha - Origin of Symmetry - Muse

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Por Hugo Alves
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Menos de dois anos depois de lançar seu primeiro disco, o notório “Showbiz”, o MUSE terminou uma bem-sucedida primeira turnê e se isolou em diversos estúdios a fim de lapidar suas novas canções, compor e gravar seu segundo disco. Eles se revezaram entre os estúdios Ridge Farm, Real World, Astoria (de propriedade do ex-Pink Floyd David Gilmour), Richmond, Abbey Road (do clássico dos Beatles) e Sawmill. Tanto trabalho assim tinha um motivo: a experiência adquirida após anos no underground, gravação de EPs demo, gravação de um disco e turnês, MUSE finalmente definiu sua identidade artística e musical, e era chegada a hora de transpor isso para o CD. Essa definição acarretou numa tímida, porém decisiva mudança na direção musical, algo que veio a expor ao mundo quem era o trio de fato e, diferente do primeiro disco (no qual a banda mostrou de onde veio), a que veio. Sob essa premissa nasceu, a 17 de Julho de 2001, “Origin of Symmetry”, hoje um marco na carreira dos britânicos e um disco sempre lembrado com muito carinho e euforia, tanto pela banda como pelos fãs.

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O disco começa com “New Born”, uma das canções mais comemoradas da banda, que chega intimista, com sua introdução no piano e voz sombria de Matthew Bellamy (voz, guitarra e piano), para logo em seguida desaguar numa canção furiosa sobre um recém-nascido num mundo cheio de coisas ruins com as quais ter de lidar, inevitavelmente. A canção é uma das muitas trilhas sonoras que o MUSE viria a compor e gravar que são perfeitas para o fim do mundo, e este disco como um todo é assim. Esta canção tem tanta força que foi escolhida para ser o segundo single de promoção do álbum. Outra canção que marcou foi “Bliss”, a segunda do disco e o terceiro single desta fase. Esta merece destaque pela introdução extremamente técnica e muito bela ao piano, obra de Matthew Bellamy que, neste disco, resolveu mostrar seus dotes como pianista e não ficou devendo a nenhum membro de orquestra por aí. A introdução – que também serve de mola-mestra para a canção, como um todo – lembra muito a música-tema do vídeo-game “Top Gear”, muito popular nos anos 1990 e disponível para plataformas como SNES, por exemplo (se não me engano, Matt chegou a dizer numa entrevista que havia relação entre uma coisa e outra, ele se inspirou, algo assim – corrijam-me se eu estiver errado).

E, se nas duas canções anteriores, Bellamy ainda não havia se provado um exímio pianista, em “Space Dementia” ele “chutou o balde”, conduzindo toda a canção num andamento bastante complicado para os dedos, mas belíssimo aos ouvidos. E, confirmando minha teoria de que este disco poderia facilmente integrar a trilha sonora para o fim do mundo, temos “Hyper Music”, que lembra um pouco de Grunge (considerando que Nirvana foi uma das maiores influências do trio) misturado com Red Hot Chili Peppers. Tão forte é a canção, que veio a ser o quarto single de promoção do disco. Mas a força motriz do disco é, de fato, “Plug in Baby”, o trunfo da obra. Essa canção – a primeira escolhida como single para esta nova fase – definiu uma identidade musical para a banda e a catapultou para o sucesso. A introdução soa como um exercício de escalas para aquecer os dedos, mas é muito acertada. Outra coisa que chamou a atenção no disco, mas principalmente nesta canção, é o fato de que o baixo de Chris Wolstenholme é o que segura as canções, o que deixou muito mais espaço para que Matt Bellamy se aventurasse enquanto vocalista e fosse ainda mais criativo, deixando apenas nuances interessantes de guitarra nos versos, muito barulho nos refrãos e o “xeque-mate” fica mesmo para as introduções, pontes e solos. E a bateria de Dominic Howard, como já era de se esperar, é um soco no saco, no melhor sentido da expressão (se é que há bom sentido em levar soco no saco, enfim). Até hoje, “Plug in Baby” é canção obrigatória nas setlists de shows do MUSE.

Outra canção muito amada pelos fãs e que tem força de single, apesar de não o ser, é “Citizen Erased”. Muitos fãs consideram esta canção como o pico do disco devido a uma das muitas teorias da conspiração que viriam a permear a carreira do MUSE nos anos que se seguiram a “Origin of Symmetry”. A tal teoria diz que até “Plug in Baby”, o disco tem canções bastante pesadas e agitadas e em “Citizen Erased” há uma mistura disto com nuances mais leves, soturnas até, e estas seriam o “carro-chefe” da segunda parte da obra. Seja como for, esta canção vai ainda mais além, tendo sido a fonte da qual o trio beberia por pelo menos mais dois discos para compor outras tantas canções. Guitarra distorcida com harmônicos atônicos, um interlúdio calmo e um puta som apocalíptico dão o tom da obra.

“Micro Cuts” é uma das canções do MUSE na qual Matt mais abusa dos falsetes ao cantar, chega quase a soar como canto lírico! O instrumental é poderoso e a cozinha formada por Chris Wolstenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria) desce a porrada. O clima, no entanto, é quebrado por “Screenager”, canção com levada no violão e que tem provavelmente a sonoridade mais atípica do disco e talvez de toda a carreira dos rapazes, chega a ser difícil de identificar o tom da canção. “Darkshines” começa com jeitão muito Indie, mas misturado com algo de cowboy. Fica com bluesy no meio, mas só pra voltar ao refrão e terminar com aquele “barulho” típico da banda.

Com o disco se encaminhando para o final, o MUSE resolve se aventurar com uma canção cover (provavelmente a única dentro da discografia regular da banda) e a escolhida para esta categoria é uma pepita de ouro que merece parágrafo à parte chamada “Feeling Good”. Essa canção foi composta por Anthony Newley e Leslie Bricusse e ficou famosa através da voz de Nina Simone. Desde então, vários artistas se aventuraram com esta canção, mas pode ser dito que o MUSE a transformou em uma de suas canções sem, no entanto, desrespeitar a versão original. Um cover de luxo, daqueles que chutam os rabos de todas as outras tentativas. Matt dá um show de voz e criatividade (a parte do megafone é simplesmente genial). Não obstante, tornou-se por muito tempo uma das obrigatórias nos shows.

“Megalomania” vinha com título perfeito para o que seria o MUSE dali para a frente. Parece que eles sempre tinham uma ideia do que seria do próximo disco e metem tudo na última do disco em questão. É um lamento desesperador de quem sabe que o fim ainda não teve seu desfecho, mas que já começou.

Com “Origin of Symmetry”, o MUSE finalmente mostrava que tinha algo a dizer, e ordenava que parássemos e ouvíssemos. O disco chegou ao terceiro lugar nas paradas do Reino Unido, e surpreendeu com o segundo lugar das paradas na França e na Bélgica, além do quinto lugar na Itália e sétimo na Áustria. Esse disco marcou a mudança musical na banda, com o baixo de Wolstenholme mandando nas canções e dando espaço para que as mesmas fluíssem muito melhor. Muito mais do que isso, esse é o disco definitivo do que o MUSE intencionava. Eles queriam dominar o mundo. Hoje, 14 anos depois, continuamos a acompanhá-los e, se eles ainda não alcançaram esse objetivo, com certeza estão muito mais próximos disso, e “Origin...” tem grande parte nisso. Num momento brevemente posterior, a banda continuou a seguir sua fórmula inovadora e certeira e coisas maravilhosas começaram a acontecer em sua carreira.

Mas este futuro fica reservado para uma nova resenha...

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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