Motorhead: Sonzeira alta, descompromissada e contagiante

Resenha - Bad Magic - Motorhead

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Se tem um cara que eu admiro de certa forma é o Lemmy Kilmister. Ele faz o estilo bad motherfucker, aquele cara que bota panca de fodão, fala o que quer, tá pouco se lixando para o que os outros pensam dele, e tudo isso de uma forma extremamente genuína e autêntica. Há anos que o Motörhead vem cruzando a estrada com essa mesma atitude, disco após disco. Verdade também seja dita, se você ouviu um disco só dos caras, você ouviu todos. Até as capas dos discos não variam tanto assim. O curioso é que a gente não espera que eles mudem de forma alguma, porque senão estragaria a graça!

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Os caras cruzaram as décadas desde quando começaram lá nos anos 70, mantendo-se como uma constante em meio a um mundo em constante transição. O sucessor do ótimo Aftershock (2013), Bad Magic (2015) então na verdade não necessitaria de uma resenha, você sabe o que vai encontrar no disco. Guitarras rufantes, som altíssimo e sem frescuras, acelerado, letras enérgicas, bateria ensurdecedora, o vocal sempre carregadíssimo de Jack Daniels, cervejas e cigarro de Lemmy, aquele metalzão misturado com punk que lembra genuinamente aquele som puro de motocicleta acelerando, enfim, tudo o que você espera ouvir em um disco do trio, você vai ouvir.

Então vou só destacar o que já se ouviu de monte por aí. A pedrada inicial é sempre uma bem vinda pedrada, "Victory or Die"; as aceleradas "Thunder & Lightning" e "Shoot Out All of Your Lights" também são ótimas pedidas; aquelas que os caras fazem aquela mistura de blues com as guitarras enfurecidas como "Fire Storm Hotel" também são cheias de energia e atitude; e se quiser um elemento diferente no som do trio, tente "The Devil", em que o guitarrista Bryan May participa em um breve solo.

Que mais? Tem "Teach Them How To Bleed" onde você pode ouvir de forma mais evidente aquele baixão carregado, sujo e saturado do Lemmy; ah, um momento de surpresa, embora houve isso anteriormente em outros discos, mesmo que tenha sido raro, uma balada, "Till The End". Sim, você leu certo, uma balada! Pode-se contar nos dedos de uma só mão se bobear, quantas baladas o grupo fez durante a carreira. Essa aqui até saiu bem bacana, achei a melhor do grupo até agora.

Volta a pancadaria em "Tell Me Who To Kill", também tem um Hard Blues bem bacana, "When The Sky Comes Looking For You" e fizeram até uma cover dos Rolling Stones aqui com mais peso, "Sympathy For The Devil", que eu achei foda ao quadrado! Na boa, essa música dos Stones caiu certinho para a voz carregada do Lemmy.

Se você curte, assim como eu, essa sonzeira alta, completamente descompromissada e contagiante, então você já sabe o que vai encontrar, amigo, nada mudou. E se nunca curtiu, você também sabe que o Lemmy tá se lixando pra você amigo, seja você quem for, como eu já falei antes, ele faz o que quer e não tá nem aí. Salta mais um copo de whisky ou cerveja para celebrar mais uma pedrada na cabeça do autêntico fã do Motörhead.

Claro, a idade veio e o bigodudo com cara de Logan enfrenta vários problemas aí, como falta de ar, diabetes, já chegou até a quase bater as botas por causa de seus exageros, até cancelou vários shows por aí porque estava mesmo mal das pernas, ele está mesmo passando um momento bem difícil. Entre o médico, sua dieta, cirurgias e várias outras tralhas, o cara ainda mistura lá uma soda com bebida e taca goela abaixo. E entre um problema ou outro, o cara está ainda por aí, fazendo seu som, viajando, esticando um belo de um dedo médio do tamanho do mundo para a morte ou o que quer que seja. Ele se tornou um ícone de uma geração e de uma ideologia, a da estrada. E dane-se o resto. Motörhead até o fim... e além.

Bad Magic (2015)
(Motörhead)

Tracklist:
01. Victory or Die
02. Thunder & Lightning
03. Fire Storm Hotel
04. Shoot Out All of Your Lights
05. The Devil (feat. Bryan May)
06. Electricity
07. Evil Eye
08. Teach Them How to Bleed
09. Till the End
10. Tell Me Who to Kill
11. Choking on Your Screams
12. When the Sky Comes Looking for You
13. Sympathy for the Devil (cover The Rolling Stones)

Selo: UDR

Motörhead é:
Lemmy Kilmister: voz, baixo, arte da capa
Philip Campbell: guitarra (piano em "Sympathy for the Devil")
Mikkey Dee: bateria

Participação especial:
Bryan May: guitarra em "The Devil"

Discografia anterior:
- Aftershock (2013)
- The Wörld Is Yours (2010)
- Motörizer (2008)
- Kiss of Death (2006)
- Inferno (2004)
- Hammered (2002)
- We Are Motörhead (2000)
- Snake Bite Love (1998)
- Overnight Sensation (1996)
- Sacrifice (1995)
- Bastards (1993)
- March ör Die (1992)
- 1916 (1991)
- Rock 'n' Roll (1987)
- Orgasmatron (1986)
- Another Perfect Day (1983)
- Iron Fist (1982)
- Ace of Spades (1980)
- Bomber (1979)
- Overkill (1979)
- Motörhead (1977)
- On Parole (1976/1979)

Site oficial: www.imotorhead.com

(Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
acienciadaopiniao.blogspot.com.br)

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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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