Chá de Flores: Inferior aos discos anteriores, mas vale a pena

Resenha - Com a Língua Envenenada Entre os Seus Dentes - Chá de Flores

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Por Mário Orestes Silva
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Com a faceta de ser a primeira banda de Manaus a chegar no terceiro álbum lançado (com exceção da apagada banda Essence), a Chá de Flores brinda o seu público em 2014 “Com a Língua Envenenada Entre os Seus Dentes”, que foi gravado no ano anterior. O vocalista Bosco Leão é o único membro remanescente da primeira formação, que não esconde a satisfação em continuar persistindo na árdua tarefa de levar adiante uma banda de rock na terra do boi bumbá, mesmo tendo passado por diversas formações, até apresentar um álbum bastante diferente do que já foi feito com o nome.
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O CD abre com “Um Tiro de Misericórdia”. Um rock básico com letra na segunda pessoa e vocais dobrados. A segunda “Eu Rio... Com Um Milhão de Clorofilas” segue a mesma linhagem, mas desta vez sem bancking vocals e com um refrão mais apelativo. A terceira faixa é “Os 12 Macacos” que desce para o pop rock com uma guitarrinha ska. Em quarto lugar vem “Petróleo e Diamante” que tem uma batida quase acústica, mas a ótima letra compensa, bem como o esforço dos efeitos de guitarra. Na sequência está “Alvorada”. Uma música fraca com acompanhamento de piano (não creditado no encarte), que não acrescenta muito ao disco.

Em seguida está “A Mãe dos Pássaros” transmitindo uma leve impressão de que não há variação na melodia vocal entre as músicas, mas esta é salva pela ótima guitarra. A sétima faixa é “Amor Ressonante” que parece ter sido gravada ao vivo em estúdio, devido a crueza de gravação da voz. Poderia ter recebido um tratamento melhor. Posteriormente “Falsa Direção” aumenta o peso com um break em seu meio e um bom solo em seu final. Em nono vem “Preliminares”, a balada forçada apenas com voz e piano que até poderia ficar mais bonita se tivesse um arranjo mais trabalhado.

A penúltima é “Névoa de Hortelã”. Ótimo título, mas o mesmo não pode ser dito para a canção em si. Outra balada, sendo agora com a banda tocando, mas que não tem muito brilho de destaque. Pra fechar o disco “Alvorada (Piano Bar)”. A mesma quinta música em versão apenas de voz e piano. Poderia muito bem ter ficado de fora do álbum, ou dado lugar pra uma outra que agradaria mais. O grande talento do baterista Ciro Jamil, poderia ter sido melhor explorado nos arranjos em várias faixas.

A arte gráfica merece um parágrafo à parte. Não que esta seja esplendorosa, ao contrário, deixa tanto a desejar que faz o disco parecer um CD demo. A ausência de letras já é algo corriqueiro nos álbuns das bandas de Manaus, salvo algumas exceções. Tudo indica que o piano não creditado na faixa 5, também tenha sido gravado por Kelson (creditado para as faixas 9 e 10), mas esta pequena falha, demonstra que os créditos não mereceram o devido carinho. Mas a maior falha está nas capas. A capa frontal é ilustrada com uma fotografia explicitamente amadora. O enquadramento poderia ser melhor e a iluminação é péssima que parece ter sido feita apenas com o flash da máquina. Em contrário, a contra capa é de uma beleza encantadora pelo profissionalismo quase que palpável. As cores ficam evidentes justamente pela iluminação perfeita que chega a ser encantadora. A impressão é que trocaram a capa pela contra capa.

Em suma “Com a Língua Envenenada Entre os Seus Dentes” certamente que é o ponto baixo dentre os três álbuns da banda Chá de Flores, e logicamente diferente de seus antecessores, principalmente o primeiro e homônimo disco da banda, recheado de grandes canções. Mas mesmo assim, ainda é um CD que vale a pena ser adquirido por quem acompanha a história do grupo.

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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: – Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.

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