Mano Sinistra: Rock de viola em álbum de 2014
Resenha - Mano Sinistra - Mano Sinistra
Por Claudinei José de Oliveira
Postado em 09 de junho de 2015
Nota: 7 ![]()
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Em álbum homônimo, lançado em 2014, o "power trio" Mano Sinistra nos brinda com um rock pesado, baseado no som de uma viola caipira que põe muita guitarra elétrica no bolso.
"Power trio", no rock, sempre é sinônimo de vigor, sustância, peso, contundência, etc. Com o "power trio" paulistano Mano Sinistra não é diferente. Faz um rock pesado, vigoroso, cheio de sustância e contundente, tanto na sonoridade quanto na poeticidade das letras.
O nome da banda é uma expressão italiana para nomear o canhoto mas é, também, o termo técnico que, nas execuções de piano, define a inversão das mãos no teclado. Um dos nomes do Diabo é "O Canhoto" e, como dizem, "o Diabo é o pai do rock". Um dos integrantes do Mano Sinistra é canhoto.
O "power trio" é formado por músicos experientes. O baterista Paulo Thomaz já tocou na Centúrias, pioneira banda nacional de "heavy metal" e hoje toca no grupo Baranga. O baixista e vocalista Marcos Lucke tocou, entre outros, no Malaco Soul e Houdinis. O violeiro Ricardo Vignini faz parte do projeto Moda De Rock e do Matuto Moderno. Isso mesmo, violeiro. Ricardo toca viola caipira. O Mano Sinistra é um "power trio" de rock pesado baseado no som da viola caipira. Parece paradoxal, mas não é.
A viola caipira executada com "destreza" (aí sim, um paradoxo, embora linguístico) por Ricardo, raramente remete às convenções do instrumento, às quais, normalmente, nossos ouvidos estão acostumados, ou seja, a sonoridade do sertanejo de raiz ou, dependendo do gosto, música caipira. No Brasil, a associação do rock com o instrumento vem de longa data, porém, sempre considerando agregar elementos regionais à sonoridade do rock, numa espécie de "folk rock" tupiniquim.
A viola de Vignini é totalmente "envenenada", pois usa e abusa de distorção e não é adaptada, isto é, uma viola normal amplificada. Ao contrário, foi construída para o rock. Possui corpo maciço e captação sonora peculiar a instrumentos com este tipo de corpo.
Por suas afinações diferenciadas, a "viola elétrica" dá ao Mano Sinistra uma certa originalidade que, em alguns momentos, remete a certos climas "zeppelinianos", pelo fato de Page fazer uso de afinações e escalas exóticas na guitarra elétrica.
Todos os elementos apontados acima podem ser conferidos, no álbum homônimo, lançado pelo trio no ano de 2014. O rock pesado, executado pelo Mano Negra, é complementado pelas letras de Paulo Nunes ( o "quarto Mano", como diz o encarte e não aquele ex-Grêmio e ex-Palmeiras), as quais adicionam ainda mais peso à sonoridade, por suas temáticas urbanas. Violência, vício, crime,alienação, desilusão,solidão e o ritmo frenético da vida nas grandes cidades são abordados de maneira poética, porém, numa poesia fria, enxuta, rude até. O timbre e o estilo vocal de Marcos Lucke acentuam ainda mais o "peso poético" das letras.
O som do Mano Sinistra é altamente indicado aos apreciadores daquele rock pesado, sem firulas, curto e grosso, contundente, desafiador e ainda belo, para os capazes de, aí, encontrar beleza o que, convenhamos, não é todo mundo. Beleza "bruta, rústica e sistemática", fazendo jus aos grandes "power trios" da história do rock .
Tracklist do CD:
1."Suporte Para Óculos"
2."Balada Do Zé Jesus"
3."Canção Para Ninar Noia"
4."Bate Bola"
5."Duas Luas"
6."Cadeia Alimentar'
7."A Mulher Humaniza O Homem"
8."Quando Eu Me For"
9."Renegue"
10."Subir Ao Amanhecer"
11."Resumindo"
Gravadora: Tratore
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