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Resenha - Intervention - Coldness

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Desde quando criaram a COLDNESS, Gabriel Andrade e George Rolim sabiam que queriam uma banda que tocasse um heavy-metal épico, com alguma influência de NWOBHM, mas também um pouco de power metal e prog. E desde o primeiro EP, a banda cearense já demonstrava um grande talento para as composições e arranjos, mas faltava alguém no centro do palco que estivesse à altura do que criava. Depois de várias mudanças de formação, mas sempre mantendo o núcleo George/Gabriel a banda agora conta com Lenine Matos nos vocais, Pasknel Ribeiro na bateria e Yago Sampaio (INTRUSOR). Tivemos a oportunidade de ouvir o disco, quando ainda estava na fábrica, e recebemos a versão finalizada e garantimos: o resultado valeu a espera.

O CD, cujo lançamento foi precedido por uma websérie com seu making of, inicia com uma faixa que não poderia ter nome auto-explicativo. "Becoming The Passanger" é a responsável por introduzir o ouvinte na nova viagem para a qual a COLDNESS quer levá-lo. O submarino submergirá até o riff de teclado que vai te acompanhar não só na próxima música, mas durante várias horas do seu dia, incomodando (sim, essa é a palavra) o cérebro onde não dá pra coçar e tirar (e, sim, isto é um ponto extremamente positivo, é o que músicos do mundo inteiro buscam incessantemente ). Mas, além da melodia grudenta de Gabriel Andrade no teclado e do acompanhamento cheio de Feeling de George Rolim no baixo, é "Failure In Your Eyes" a faixa que nos apresenta realmente os novos componentes da COLDNESS. Djam Rodrigues, que esteve apenas no CD, entrega um marcante solo de guitarra, belo e consistente, petrucciano como os que Wilton Bezerra costumava fazer. Pasknel Ribeiro, assim como seu antessessor, Pedro Neto, faz um trabalho criativo e merecedor de registro na bateria. Mas, justiça seja feita, o interesse maior aqui não poderia deixar de estar no novo vocal. A COLDNESS sempre teve um instrumental de alto nível e isso talvez tenha lhe criado uma severa dificuldade: encontrar um vocalista à altura. Felizmente e finalmente, podemos afirmar que o problema não existe mais. Dono de uma extensão vocal privilegiada, inspirado por grandes vocalistas do heavy metal e power metal (principalmente ANDRE MATOS - o sobrenome é apenas coincidência) e conhecedor de técnicas que usa a seu favor, Lenine Matos, finalmente dá a COLDNESS a voz que ela merece. E em dois momentos, em particular, chega a impressionar.

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"The Turnaround Motion" continua mostrando o bom trabalho dr composição, principalmente de Gabriel Andrade, com melodias que grudam e com um baixo num excelente timbre por George Rolim. Djam e Pasknel são mais discretos em suas participações, mas Lenine explora várias nuances de sua voz, levando-a até o limite. O fade out no final tira um pouco o brilho da faixa (ou seria a vontade sádica de continuar vendo, ou melhor, ouvindo, Lenine se matando?). A banda sempre se aproximou do progressivo e algumas paradas aqui são uma prova disso. O trabalho de teclados também lembra algo de synth pop, mas nada que vá despachar um troo para o IML.

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A levada continua com todos os músicos se sobressaindo em "Tormented", a faixa escolhida para ser o primeiro single do álbum. Gabriel Andrade consegue fazer no teclado um riff em cavalgada (acompanhado pelos demais membros) a la IRON MAIDEN e talvez a isso tenha se dado a escolha. "Hope", por sua vez, aparenta ser o momento mais tranquilo do álbum no início, mas termina num heavy metal furioso, com solo marcante de Djam no final.

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Se uma das qualidades da COLDNESS sempre foi permitir que o instrumental viajasse à vontade, livremente, solto, a serviço do tema a que se propõe debater mas sem estar preso a ele, na faixa título deste segundo álbum, a banda supera mais um limite. A letra de "Intervention" clama por ajuda, até mesmo renegando a própria liberdade (não sei se a semelhança com o atual momento brasileiro foi intencional), mas a música faz exatamente o contrário. Pontuada pelo coral "Intervention", formado por Chico Saga, Amanda Lima, Manu Volkova (INTRUSOR) e pelo próprio Lenine, a faixa é um dos melhores exemplos da liberdade criativa da banda e da riqueza de seus arranjos, que proporcionam momentos de rara beleza. Talvez a mais pesada do álbum seja "Profundis Fati", surpreende ao trazer um duelo bonito de se ver entre guitarra e teclado, algo meio floydiano até. Tanto faz quem ganhe, o importante é que a batalha não acabe. E quando acabar, o refrão vai ficar na cabeça.

"Gathering" é o momento em que o baixo de George Rolim consegue se destacar mais, enchendo de soul a canção. Inicialmente bem direta, "The Closure", que fecha o play, revela-se mais um momento bem progressivo do álbum, com Gabriel Andrade rendendo homenagens (mesmo que involuntárias) diversas vezes a Richard Wright.

A bela arte de capa e encarte ficou sob responsabilidade de Marcus Lorenzet, com fotos de Gandhi Guimarães, resultando num trabalho bastante profissional. E, finalizando, mais uma vez fica comprovado o zelo da banda com o instrumental. E agora, felizmente, o mesmo zelo também está presente na voz que guia as canções. Um ou outro escorregão no inglês das letras de caráter bem existencialista não tira o brilho do trabalho, mas, o que faz um pouco de falta ao final é uma maior participação de George Rolim. Um dos mentores da banda e responsável por quase todas as letras, o baixista ficou um tanto eclipsado em meio a tanta gente nova querendo mostrar bom trabalho. Não há sombra de dúvida sobre seu talento, mas algo como "In The Mirror (No Choices)" ou "Insight", ambas do álbum "Existence", só teriam a acrescentar.

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Para saber mais sobre a COLDNESS, acesse os canais de comunicação da banda:

http://www.coldness.com.br
http://www.soundcloud.com/coldness
facebook.com/coldnessband
youtube.com/coldnessband
[email protected]

Foto: Gandhi Guimarães
Foto: Gandhi Guimarães

Track List:

1. Becoming the Passanger
2. Failure In Your Eyes
3. The Turnaround Motion
4. Tormented
5. Hope
6. Intervention
7. Profundis Fati
8. Gathering
9. The Closure


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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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