Opeth: Enfim se encontrando sem os guturais
Resenha - Pale Communion - Opeth
Por Marcos Aurélio
Postado em 25 de outubro de 2014
Nota: 8 ![]()
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Mudanças raramente são aceitas e bem vindas, ainda mais aquelas que você não consegue controlar. Bandas mudam de formações, flertam com outros estilos e até mudam completamente seu estilo de tocar, calcular se elas foram positivas é impossível de se saber; quando o assunto é opinião não existe unanimidade. Mas, lidar com essa divergência de opiniões entre seus fãs deve ser tarefa fácil para o OPETH já que desde os seus primórdios a banda mesmo imersa no mundo do metal extremo já mostrava influências de outros estilos. Só que recentemente a coisa começou a ficar mais complicada.
Com o último disco "Heritage" a banda decide distanciar-se do metal extremo e o vocal gutural que os consagrou e abraçar de vez o seu lado mais sereno e progressivo, aproximando-se bastante do som característico das bandas setentistas que influenciam o grupo. Apesar de ser um belo disco parece que a banda não atingiu seu verdadeiro potencial e acabou não agradando a maioria dos fãs.
Já em "Pale Communion", as coisas começam a andar para o destino certo. O disco aparenta-se ser um mais focado e com composições mais melódicas e enxutas, tornando-se mais acessível do que seu antecessor, já que agora a banda aparenta estar mais confiante nesse novo caminho, deixando de lado a sensação de timidez e falta de rumo com as experimentações do álbum anterior.
A abertura do disco "Eternal Rains Will Come" já mostra o quão presente são as influências setentistas no disco, o órgão Hammond e o Mellotron criam uma intrigante camada de mistério no ar dando já de caras os motivos para serem consideradas um dos destaques do álbum. "Cusp of Eternity", bastante compacta com seu baixo presente mostra que mesmo sem o peso de antes a banda ainda consegue ser direta e precisa, não foi a toa escolhida como primeiro single do disco.
"Moon Above, Sun Below" é a mais longa do disco e talvez seja a mais parecida com os trabalhos anteriores da banda, carregada em um tom sombrio, a faixa intercala momentos complexos com quase acústicos em suas diferentes passagens e quase sem perceber a mudança de faixa a calmaria toma conta de "Elysian Woes" lembrando os momentos mais folks do disco anterior.
"Goblin", inspirada pela banda de mesmo nome que ficou famosa por criar as trilhas sonoras dos filmes de terror do cineasta Dario Argento nos anos 70, é uma homenagem não só a banda como para todo o rock progressivo dessa época. Belíssimo instrumental. "River" começa com um clima mais íntimo e caloroso que vai esquentando lentamente até uma chegar ao excelente duelo de guitarras que incendia a faixa de vez até ela se encerrar bruscamente em seu ápice. Provavelmente a melhor do disco.
"Voice of Treason" mantém o bom nível acrescentando belas passagens de orquestradas ao disco que já vai dando o clima de encerramento com essa faixa, mas a despedida só ocorre realmente com "Faith In Others" que com sua melodia mais triste e intropesctiva fecha o álbum com um belo coro.
Em "Pale Communion" parece que o OPETH se encontrou de vez nesse novo caminho escolhido ao abraçar por completo suas influências setentistas mas mesmo assim soando original e atual. Mesmo recebendo críticas ao deixar os guturais a banda ainda consegue se mostrar fiel ao seu próprio estilo, soando tão OPETH quanto antes. Espero ansioso para mais um lançamento na mesma linha.
1. Eternal Rains Will Come (6:43)
2. Cusp of Eternity (5:35)
3. Moon Above, Sun Below (10:52)
4. Elysian Woes (4:47)
5. Goblin (4:32)
6. River (7:30)
7. Voice of Treason (8:00)
8. Faith in Others (7:39)
Tempo total: 55:40
- Mikael Åkerfeldt / vocals, guitarras, produção, direção de arte
- Fredrik Åkesson / guitarras
- Joakim Svalberg / piano, teclados
- Martín Méndez / baixo
- Martin Axenrot / bateria, percussões
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