Carcass: 21 anos de um verdadeiro divisor de águas do Death Metal

Resenha - Heartwork - Carcass

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Por David Torres, Tradução
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Ao lado de bandas como Napalm Death, Unseen Terror, Elecro Hippies, Fear of God e Terrorizer, o Carcass foi um dos pioneiros do Grindcore. A banda inglesa liderada pelo baixista e vocalista Jeffrey Walker havia iniciado com trabalhos viscerais e brutais, indo do Grindcore de seu álbum de estreia, "Reek of Putrefaction" (1988), caminhando em direção ao Death Metal, mas ainda flertando com o Grindcore, em "Symphonies os Sickness" (1989) até finalmente chegar a uma sonoridade completamente direcionada para o Death Metal no aclamado "Necroticism - Descanting the Insalubrious" (1991). Em 18 de outubro de 1993, através do selo da Columbia Records, os britânicos lançam aquele que seria o álbum que marcaria uma tremenda transição na sonoridade da banda, "Heartwork", o quarto álbum de estúdio do Carcass. Há dois dias, esse grande trabalho completou o seu aniversário de 21 anos e nada mais justo que revisitar esse grande feito não apenas da banda, mas do Metal Extremo como um todo.
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Contando com uma singela, porém interessante ilustração de capa realizada pelo recém-finado artista plástico suíço H.R. Giger (que é mundialmente conhecido por ter criado o visual do alienígena da série de filmes de ficção científica ''Alien", além de ter desenvolvido artes para bandas como Celtic Frost e Triptycon) e abandonando a temática sangrenta dos primeiros trabalhos e substituindo por visões de uma sociedade decadente, o álbum se inicia com a cadenciada "Buried Dreams". Aqui nós temos um genial trabalho de guitarras, cortesia da excelente dupla Michael Amott e Bill Steer, que são acompanhados pelo grande desempenho do baterista Ken Owen e do “frontmen” Jeff Walker, que destrói os autofalantes com seus vocais tão característicos e rasgados. A ótima “Carnal Forge” vem logo em seguida, iniciando de forma veloz e intensa, apresentando absurdas variações de andamento, “riffs” pesadíssimos e velozes, além de belos solos de guitarras.

O quarteto novamente pisa nos freios e emenda com “No Love Lost”, novamente trazendo um andamento mais contido e moderado, mas jamais deixando a qualidade e o “feeling” de lado, entregando aos ouvintes mais uma grande som, com belas viradas de bateria, “riffs” afiados e vocais agressivos e bem encaixados. Logo após, é a vez da excelente faixa título dar as caras. “Heartwork” é uma canção muito bem construída, novamente mostrando um Carcass renovado e ainda mais maduro, possuindo belíssimas harmonias, mudanças de andamento engenhosas e vocais matadores. Assim como a faixa anterior, essa composição também ganhou um videoclipe.

“Embodiment” se inicia com “riffs” truculentos e arrastados e aos poucos vai ganhando mais velocidade e força. Mais uma vez somos brindados com um grandioso trabalho da dupla de guitarristas Amott e Steer, além de viradas insanas de bateria. A sexta faixa é a excepcional “This Mortal Coil”, que já abre implodindo os autofalantes com seus “riffs” furiosos e com uma bateria altamente debulhadora. O ouvinte novamente não se decepciona, recebendo doses maciças de vocais perfeitamente agressivos e rasgados e um sempre inspiradíssimo trabalho de guitarras. A explosiva “Arbeit Macht Fleisch” não deixa o ouvinte se entediar, contando com mais uma grande sequência de arranjos e “riffs” muito criativos e violentos, solos velozes e um desempenho descomunal de bateria. Uma curiosidade é que o nome da canção é uma paródia a expressão "Arbeit Macht Frei", que traduzida significa algo como "O Trabalho Liberta", uma frase que era usada na entrada de alguns campos de concentração nazistas.

A interessante “Blind Bleeding the Blind” possui um caótico início e alterna para um andamento cadenciado, construído por uma escala de “riffs” encorpados e rapidamente transita novamente para um ritmo veloz e ensandecido. O “groove” dos “riffs” de Michael Amott e Bill Steer, aliados ao peso das baquetas de Ken Owen caracterizam o começo da nona faixa, “Doctrinal Expletives”, uma faixa que possui um ritmo mais contido, porém fascinante. O final desse grande trabalho de estúdio fica reservado para a magnífica “Death Certificate”. O “riff” principal é soberbo e marcante e além do peso extraordinário ao longo da canção, nós temos mais variações de andamento bem construídas e esplêndidos solos de melodias de guitarra ao longo da música.

Mais trabalhado, mais diversificado e completamente diferente do que a banda havia concebido em seus trabalhos anteriores, "Heartwork" fez muitos fãs antigos torcerem ao nariz devido a sua mudança drástica no rumo das composições e das letras da banda, entretanto, independente do rumo que a banda tenha decidido tomar e as mudanças pelo qual optaram realizar nesse quarto registro de estúdio, "Heartwork" é realmente uma obra-prima do Death Metal melódico e do Metal Extremo como um todo, sendo referência para diversas bandas até hoje e considerado por especialistas com um dos maiores álbuns de Death Metal da história.

01. Buried Dreams
02. Carnal Forge
03. No Love Lost
04. Heartwork
05. Embodiment
06. This Mortal Coil
07. Arbeit Macht Fleisch
08. Blind Bleeding the Blind
09. Doctrinal Expletives
10. Death Certificate

Faixa Bônus:
11.This Is Your Life"

Jeff Walker (Vocal/Baixo)
Bill Steer (Guitarra)
Michael Amott (Guitarra)
Ken Owen (Bateria)

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Post de 23 de outubro de 2014

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Sobre David Torres

Moderador e criador nas páginas Mundo Metal e The Old Thrash Metal, tem como estilo predileto o bom e velho Thrash Metal e procura sempre conhecer mais e mais acerca do estilo, assim como do Rock/Metal como um todo e as suas mais variadas vertentes e subgêneros.

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