Jack White: Uma das figuras mais relevantes do rock atual
Resenha - Lazaretto - Jack White
Por Paulo Pontes
Postado em 24 de julho de 2014
Jack White não é um daqueles guitarristas que toca notas em altíssima velocidade, mas coloca feeling e intensidade em cada uma das que executa. Durante a audição de seu mais recente disco, "Lazaretto", ele prova que é uma das figuras mais importantes e relevantes do rock atual, Jack forjou um dos melhores lançamentos de 2014.
White sempre teve um som original, além de possuir uma criatividade musical enorme, bem acima da média, apto a criar canções marcantes e riffs de guitarra avassaladores. Em seu primeiro trabalho solo, "Blunderbuss", Jack teve total liberdade para mostrar tal criatividade e não se prendeu a rótulos ou fórmulas pré-estabelecidas, teve seu álbum entre os melhores de 2012.
O músico resolveu repetir a dose, desta vez incluindo em seu rico e diversificado som, alguns novos elementos. Uma curiosidade da gravação do disco, é que ela contou com duas bandas de apoio, uma formada só por homens, Buzzards, e outra só por mulheres, Peacocks, ambas irrepreensíveis.
"Three Women", que se baseia em uma gravação de Blind Willie McTell de 1928, abre o álbum de forma empolgante, com o vocal característico e facilmente identificável de White, segundo o próprio, a canção é sobre vaidade e solidão na era das mídias sociais, exemplificada no trecho: ‘It took a digital photograph to pick wich one I like’ (‘Foi preciso uma foto digital para eu escolher aquela de quem gosto’).
Já o suingue da faixa título é perfeito, com um riff de baixo distorcido muito bom, um solo de guitarra furioso e sujo, além de variações rítmicas sensacionais e adição certeira de instrumentos inusitados, como o violino – presente em vários trechos do disco.
O álbum todo é recheado de momentos sublimes, como nos backing vocals femininos em "Temporary Ground" e "I Think I Found The Culprit", que transmitem beleza e sensibilidade ao trabalho. As experimentais "Would You Fight For My Love?" e "That Black Bat Liorice" – esta última com um excelente trabalho de bateria. A simplicidade de "Just One Drink", lembrando os momentos de The White Stripes e um refinado toque country na belíssima "Entitlement".
O trabalho instrumental em "High Ball Slepper", com os ruídos característicos gerados pela guitarra de Jack White, foge totalmente do usual padrão que estamos acostumados a ouvir em músicas instrumentais de guitarristas, onde tocar o maior número de notas em um menor espaço de tempo, muitas vezes parece ser mais importante que a melodia e a intensidade que a canção pode transmitir.
Impossível não comentar que, "Alone In My Home", tem uma influência enorme e muito bem vinda dos Beatles – quem não é influenciado pelos Beatles? -, uma das melhores músicas do disco.
"Want and Able" encerra Lazaretto com chave de ouro, um folk matador, calcado em piano e violão, que deixa qualquer admirador de Bob Dylan com um sorriso de orelha a orelha.
Durante uma conversa que tive com um amigo há alguns dias, ele resumiu a sensação e a experiência de ouvir Lazaretto de forma simples, única e perfeita, "é viciante".
Resenha originalmente publicada em:
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