Sebastian Bach: "Give 'em Hell" é disco de uma música só
Resenha - Give 'em Hell - Sebastian Bach
Por Rafael Tavares
Postado em 17 de abril de 2014
Nota: 5 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Em 2014 Sebastian Bach lança seu quarto disco solo, "Give 'em Hell", que serve para mostrar que uniformidade não é o seu forte desde que saiu do Skid Row. O que não é necessariamente uma coisa ruim.
Sebastian Bach - Mais Novidades
Desde que foi desligado de sua banda de maior sucesso, o nosso querido Tião participou de vários projetos, desde o confuso "The Last Hard Men" ao metal progressivo do Frameshift. Mas como artista solo ele nos brindou com "Bring 'em Bach Alive!" (1999), "Angel Down" (2007) e "Kicking and Screaming" (2011) e, definitivamente, não há como traçar paralelos entre esses trabalhos. Mas analisando por uma ótica otimista talvez deveríamos ser gratos por isso. O motivo é simples: "Give 'em Hell", apesar de mostrar bons momentos, soa forçado e pouco inspirado.
O disco conta com a participação de músicos como Duff McKagan (Guns N' Roses, Velvet Revolver, Loaded) no baixo, Devin Bronson (Avril Lavigne), John 5 (Rob Zombie) e Steve Stevens (Billy Idol) nas guitarras e Bobby Jarzombek (Halford, Fates Warning, Iced Earth) na bateria, além da produção de Bob Marlette e Tom Baker. Talvez o fato de não ter uma banda fixa lhe acompanhando seja motivo dessa falta de inspiração pois o disco, apesar dos bons momentos, não soa natural para quem acompanha a carreira de Bach e seus shows ao longo dos anos.
"Hell Inside My Head" abre os trabalhos com um riff seco, cortado e muito agressivo acompanhado de uma harmonia que deixa a música com um ar bem moderno mas com os gritos que os fãs de Sebastian conhecem desde os anos 80. "Harmony" segue lembrando um pouco algo que poderia ter sido escrito para o Stone Sour, além do fato de sua estrutura lembrar a faixa anterior: mesmo tipo de riff, mesmo tipo de progressão da ponte para os refrões, "mais calmos" e "melódicos". Essas características se repetem nas faixas "All My Friends Are Dead", "Temptation", "Taking Back Tomorrow" e praticamente todas as faixas mais pesadas do disco. A inspiração passou longe, aqui.
Como todo disco com a marca de Sebastian Bach precisamos de baladas. Ao contrário do que se espera, elas não lembram em nada as baladas grandiosas que o deixaram famoso, como "18 and Life", "I Remember You" ou "Wasted Time", mas felizmente não remetem às baladas vergonhosas de "Kicking and Screaming". "Push Away" segue uma batida cadenciada e arrastada que leva o vocalista a agudos consideráveis até chegar ao refrão, seguindo para algumas quebradas de tempo um tanto duvidosas. "Had Enough" é uma baladinha radiofônica demais se você pensar em rock moderno e tem um solo bem interessante. Mas é na acústica "Rock N Roll is a Vicious Game" que Sebastian acerta, pelo simples fato dela ser a única música em que ele ousou fazer algo diferente – mesmo que não tenha saído muito de sua zona de conforto. Existe algo na voz de Sebastian que combina muito com violões e gaitas. Vale a pena conferir essa música com carinho.
Destacam-se, também, "Dominator", "Gun to a Knife Fight" (melhor música do CD), "Disengaged" e "Forget You" por serem as únicas músicas pesadas onde Sebastian tentou ousar – não muito, é verdade – e fazer algo diferente do resto. Todos os clichês das outras músicas encontram-se nessas também (mesmo tipo de riff, mesmo tipo de progressão da ponte para os refrões, "mais calmos" e "melódicos"), mas com alguma coisinha que faz com que elas se destaquem um pouco mais, como as hamonias de voz e o solo em "Forget You" ou a gritaria insana de "Gun to a Knife Fight".
A sensação que fica ao final de "Give 'em Hell" é que não houve inspiração alguma durante a composição deste trabalho. Não há variações de estilo de riffs, solos, melodias, letras, timbres de guitarra/voz... O disco é uma grande maçaroca de sons parecidos, como se todas as músicas tivessem saído de uma só jam session. Não que as músicas sejam ruins, pois sozinhas funcionam bem e podem agradar, mas juntas não formam um álbum decente.
Respondendo à afirmação do começo da resenha, de que a falta de uniformidade nos discos solo do Sebastian Bach não é necessariamente uma coisa ruim: ainda bem que os discos não são todos iguais, pois quem sabe o próximo não soe NADA parecido com "Give 'em Hell". Sebastian precisa escrever e gravar um disco com uma boa banda que o acompanhe ao vivo, ao contrário de músicos contratados para o trabalho de estúdio, pois só assim haverá cumplicidade e entrosamento que fatalmente refletirão em um disco que soa espontâneo, como "Angel Down" por exemplo.
"Rock N' Roll é um jogo perverso", Sebastian. Lembre-se disso no próximo disco.
Outras resenhas de Give 'em Hell - Sebastian Bach
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Aos 94, "Capitão Kirk" anuncia álbum de metal com Zakk Wylde e Ritchie Blackmore
O que já mudou no Arch Enemy com a entrada de Lauren Hart, segundo Angela Gossow
Slash aponta as músicas que fizeram o Guns N' Roses "rachar" em sua fase áurea
A maior canção de amor já escrita em todos os tempos, segundo Noel Gallagher
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
A banda que Kurt Cobain viu ao vivo mais de 100 vezes
Journey convidou Steve Perry para a turnê de despedida
Dave Grohl explica decisão de demitir Josh Freese do Foo Fighters
At the Gates presta homenagem a Tomas Lindberg em seu novo clipe
Primal Fear disponibiliza a nova música, "One"
Regis Tadeu revela por que Sepultura decidiu lançar trabalho de estúdio antes de encerrar
10 discos de rock que saíram quase "no empurrão", e mesmo assim entraram pra história
O programa com a maior audiência da MTV Brasil de todos os tempos, segundo ex-diretor
A incrível história de como Pelé ajudou Guns N' Roses a voltar e não acabar
Bruce Dickinson assume a culpa por álbum do Maiden que foi terrivelmente mal gravado
5 álbuns que salvaram carreiras: Artistas em declínio que ressurgiram das cinzas


Sebastian Bach se arrepende de ter discutido com anônimos nas redes sociais
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



