Queen: os 30 anos do bom "The Works"
Resenha - Works - Queen
Por Igor Miranda
Fonte: Revista Cifras - Igor Miranda
Postado em 27 de fevereiro de 2014
Após o desapontante "Hot Space" dar as caras em 1982 e definitivamente só ter a arrasa-quarteirões "Under Pressure" de aproveitável, o Queen caiu novamente em estúdio em agosto de 1983, após quase um ano afastado dos palcos, para gravar um novo disco. Como já viram que transformar o som deles em música de discoteca não dava certo, esperava-se um trabalho mais espontâneo. E eles cumpriram.
Queen: "The Works"
Lançado em 27 de fevereiro de 1984
Lançado há exatos 30 anos, "The Works" foi o primeiro disco com distribuição da EMI por todo o mundo, já que a Elektra se responsabilizava, até 1982, pelos Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália. Em suma, o disco representou uma volta parcial do Queen ao rock n roll mais direto que fazia no início de sua carreira.
Mas atenção: a palavra utilizada foi "parcial". Ainda tem-se os sintetizadores e influência da disco music, mas bem diferente de seu antecessor, que se apoderou de elementos dançantes e funky. As guitarras ganharam espaço novamente em algumas faixas e o quarteto se demonstrou mais inspirado do que de costume.
"Radio Ga Ga", composição do baterista Roger Taylor, abre o álbum com classe. A batida envolvente e o refrão contagiante garantiram o 2° lugar nas paradas inglesas e o 16° nas norte-americanas, além de grande repercussão na MTV (ironicamente, a letra critica o fato das rádios terem sido substituídas pela emissora a partir dos anos 1980). Dão sequência a pauleira "Tear It Up", obra genuína do guitarrista Brian May, e a melódica balada "It's A Hard Life", que também virou single e conta com a assinatura padrão de Freddie Mercury, principalmente pela presença de ótimos pianos.
"Man On The Prowl", meio rockabilly, chega e arremata o ouvinte com melodia cativante e uma pegada bem Elvis Presley. Mas logo após, há um dos momentos mais fracos na minha opinião. "Machines" é bem pasteurizada e robótica, com presença de sintetizadores forçada. A irreverente e carismática composição do baixista John Deacon, "I Want To Break Free", conquista até o mais machão. Quem não conhece seu controverso videoclipe, onde todos os músicos utilizam trajes femininos? De longe uma das mais legais e famosas canções dos caras.
"Keep Passing The Open Windows" dá sequência à bolacha com a elegância e a finesse de uma composição dos tempos do "A Night At The Opera". Parece ser uma demo perdida daquela época. Para fechar com chave de ouro, "The Works" apresenta a imponente "Hammer To Fall", com seu ótimo riff de guitarra e belíssima performance de Mercury, e a emocionante balada "Is This The World We Created...?", com letra reflexiva.
"The Works" obteve um modesto 23° lugar nas paradas norte-americanas, mas garantiu uma segunda posição no Reino Unido, conquistando disco triplo de platina. A boa repercussão chegou até o Brasil, onde o disco vendeu mais de 100 mil exemplares - principalmente por conta da história apresentação no Rock In Rio, já que estavam em turnê para divulgar o álbum em questão.
Além disso, o trabalho emplacou quatro singles. "Radio Ga Ga" o carro-chefe. É o único álbum da carreira do grupo em que todas as canções foram utilizadas nos singles como lado A ou B, além de "I Go Crazy" que não chegou ao play final. Nos dias de hoje e em âmbito mundial, já se estima que o álbum vendeu 5 milhões de cópias. Apesar de não ser muito longo (37 minutos de duração), "The Works" é impecável e marcante.
Freddie Mercury (vocal, piano, teclados, guitarra adicional)
Brian May (guitarra, violão)
John Deacon (baixo, violão, guitarra adicional, teclados)
Roger Taylor (bateria, teclados, bateria eletrônica)
Músicos adicionais:
Fred Mandel (piano em 4, teclados, sintetizadores)
01. Radio Ga Ga
02. Tear It Up
03. It's A Hard Life
04. Man On The Prowl
05. Machines (Back To Humans)
06. I Want To Break Free
07. Keep Passing The Open Windows
08. Hammer To Fall
09. Is This The World We Created...?
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