Motörhead: a banda ainda soa relevante e interessante
Resenha - Aftershock - Motörhead
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 19 de fevereiro de 2014
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Chega a ser triste escrever estas linhas justamente no momento em que pipocam notícias a respeito do estado de saúde debilitado do lendário Lemmy Kilmister, uma das mais icônicas figuras do rock pesado em todo o mundo, herói de legiões de bangers devotados. Mas é impossível deixar de falar de "Aftershock", o 21º álbum de estúdio do Motörhead e que traz a banda fazendo o que sabe fazer de melhor, afiadíssima, em forma, poderosa como sempre.
Você pode até dizer que o trio está fazendo rigorosamente o mesmo tipo de música que há, sei lá, 30 anos. Pode ser, arrisco dizer, que você esteja certo. Mas, no caso deles, não chega a ser demérito algum. Se "Aftershock" não é o Motörhead inovando, pelo menos é o Motörhead se renovando - o que é muito difícil de ver acontecer com determinadas bandas veteranas. É uma banda que se mostra ainda relevante o bastante para ter tesão em fazer (e tocar) músicas inéditas, anos após ano.
O disco abre com "Heartbreaker" e fecha com "Paralyzed", dois exemplares típicos do bom e velho Motörhead: faixas do tipo cacetada, sujas, pesadas, aceleradas, nervosas, metal transbordando atitude e urgência herdadas do punk. Só isso (aliado ao baixo certeiro de "Queen of the Damned", uma espécie de herdeira direta de "Ace of Spades") já seria o suficiente para definir "Aftershock" - mas o legal é que tem um temperinho ainda mais ardido neste jantar. "Dust and Glass" e "Lost Woman Blues" são dois momentos mais melódicos, mais blues, explorando um Lemmy diferente – mas igualmente sacana, leia-se.
Sacana também é a guitarrinha que Campbell desfila ao longo de "Silence When You Speak to Me", um pouco mais encorpada e grooveada. Já "Crying Shame" e "Do You Believe?" têm um sabor de rock clássico salpicado nas cordas do guitarrista, estilo anos 50, do tipo que dá até para arriscar – pasme! - uns passinhos de dança pra acompanhar. E eu desafio você a resistir ao charme da deliciosa "Keep Your Powder Dry", que é um combo ideal para bater cabeça e mexer os quadris.
Tudo isso, insisto, em um único disco do Motörhead, que dura inacreditavelmente menos de uma hora de audição contínua. Pense nisso.
Quando a gente ouve um disco como "Aftershock", ficamos secretamente rezando aos nossos deuses (sejam eles quem quer que sejam) para que um sujeito como Lemmy seja, de fato, tão imortal quanto sempre pensamos que ele fosse. Sabemos que anos de repetidos copos de Jack Daniel's e infindáveis maços de cigarros iriam cobrar tributo em algum momento. Mas não precisa ser agora. Porque o cara vai fazer uma falta e tanto. E não por uma espécie de saudosismo barato. Mas porque ele continua ativo, produzindo e entregando música boa. A gente merece. E ele também.
Line-up:
Lemmy Kilmister – Vocal/Baixo
Phil Campbell – Guitarra
Mikkey Dee – Bateria
Tracklist:
01. Heartbreaker
02. Coup de Grace
03. Lost Woman Blues
04. End of Time
05. Do You Believe?
06. Death Machine
07. Dust and Glass
08. Going to Mexico
09. Silence When You Speak to Me
10. Crying Shame
11. Queen of the Damned
12. Knife
13. Keep Your Powder Dry
14. Paralyzed
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Digão explica o erro dos Raimundos: "Mamonas Assassinas foram mais inteligentes"
Helloween - um espetáculo completo na borda da cidade de São Paulo
Seven Crossroads Festival anuncia oito atrações, seis delas inéditas no Brasil
Os 10 covers mais tocados pelo Metallica ao vivo, segundo a Noise Creep
Em parceria com a Casa da Moeda Real, Pink Floyd lança palhetas em cobre, prata e ouro
Ozzfest confirma segundo país que receberá o evento em 2027
Família de Brent Hinds publica manifesto sobre disputa com o Mastodon
Tarja Turunen fará show em São Paulo em maio de 2027
Malcolm Young era um guitarrista "melhor que Eddie Van Halen", segundo Angus Young
Cogumelo Records: 46 anos no coração do rock pesado de Belo Horizonte
A música do Metallica que deixava o público entediado, segundo Kirk Hammett
A banda de metal que Jerry Cantrell considera a maior e melhor de todos os tempos
James Hetfield explica o que faz de Tony Iommi a sua maior referência
Axl Rose estaria ajudando cantora country em projeto voltado ao rock
Marcelo Nova e Drake Nova lançam álbum "Onde Judas Perdeu As Botas" pela Radar Records
O que significa "havia alguma coisa errada com o rei" no clássico "Rádio Pirata" do RPM?
O hit que fez Raul Seixas e Paulo Coelho se separarem porque escritor encontrou o diabo

As 7 maravilhas do mundo do heavy metal e como conhecê-las
Os dois estilos musicais que Lemmy detestava e considerava pobres musicalmente
Motörhead ganhará exposição no Museu do Punk Rock, em Las Vegas
O amigo que Ozzy Osbourne sentia falta de ter por perto e chamava de cara definitivo do metal
5 clássicos do metal que escondem letras bem menos assustadoras do que o som
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?



