Disillusion: Death Metal com forte influência Progressiva

Resenha - Disillusion - Back to the Times of Splendor

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Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
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De volta aos tempos de esplendor é o primeiro álbum do trio alemão Disillusion. O nome da banda é um tanto enganoso, já que se trata de um death metal com forte influência progressiva, e não música melancólica-depressiva. Vurtox é o líder do bando, sendo responsável pelas guitarras, contrabaixo, teclado e todos os vocais, que se distinguem em três tipos diferentes: o rasgado/gutural, o teatral limpo e os distorcidos com efeitos sintéticos. Com Barthel na guitarra e Malushka na bateria, a banda se completa com músicos convidados para tocar diversos outros instrumentos.
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And the Mirror Cracked abre o álbum agredindo com um riff espetacular. A primeira parte da música é um death metal melódico extremamente técnico e empolgante, com vocal gutural nos versos alternando com o limpo nos refrãos. Impressiona como a voz limpa do Vurtox soa muito parecida com a do o Serj Tankian, do System of a Down. A pegada esfria e segue uma passagem acústica experimental com sonoridades orientais acompanhados por versos suaves e pouco empolgantes. A música parece acabar e eis que misteriosamente é reprisada, literalmente, desde sua introdução até o refrão, quando enfim acaba, definitivamente, pra não mais voltar. Muito esquisito.

Se na primeira faixa o vocal do Vurtox lembrava o do Serj, em Fall quase tudo lembra a System of a Down. O ritmo dá uma freada, as guitarras diminuem o peso, o vocal gutural desaparece. Os vários versos acústicos com percussão não tradicional e o refrão super melódico, daqueles grudentos como chiclete em cabelo, fazem dessa música a o single do álbum, sua faixa mais acessível. A música tem boa técnica e uma faceta experimental intrigante, mas, em comparação ao resto do álbum, faltou um pouco de energia à mistura.

Alone i Stand in Fires abusa no direito de empolgar, desta vez sem firulas. Ótima pegada que evolui durante toda a música, incrível. Temos versos em cântico sintetizados de apavorante aflição, temos ponte espetacularmente melódica para um refrão agressivíssimo e bombástico. Que composição! A ponte para o segundo refrão é uma das coisas mais formidáveis que já ouvi na música.

O violino abrindo Back to the times of splendor é de arrepiar. Novamente esses caras passaram do limite da boa música para entrarem no território das grandes obras-primas do metal. Conduzido pela belíssima melodia do violino, o primeiro riff é de maestria sobrenatural. Segue o bombardeamento de vários insanos riffs de death metal melódico, junto dos diversos estilos de volcal de Vurtox, que oras urra ferozmente, oras sibila em aflição ou vocifera em horror, num festival tenso de destruição e barbárie. Em meados do petardo chegamos ao apogeu cataclísmico da sanidade destes músicos, os caras quebram tudo. Impressiona. Tem-se então um momento de misericordiosa calmaria, uma passagem instrumental de erudito bom gosto que progride a passos famintos de volta aos avassaladores riffs assassinos. Em suma, a perfeição em forma de vibrações sonoras.

A Day by the Lake volta a explorar a faceta experimental da banda. Um riff acústico de sugestividade hipnótica dá fundo à cantoria de vocais limpos e teatrais que, acrescidos de gemidos de fundo em eco, trazem à imaginação paisagens orientais oníricas. A música não agride, é a mediadora que serve de contrapeso às duas gigantes do álbum. Serve também como ponto de reflexão e meditação que talvez exija um pouco da paciência dos metaleiros mais aguerridos.

A última e maior faixa do álbum, The Sleep of Restless Hours tem composição muito parecida com a faixa homônima, o que é sensacional. Difere na introdução onde, ao longo dos seus 3 minutos, progriede do dedilhado de cordas de violão aos riffs assassinos do mais puro death metal. Quando Vurtox abre gritando “Imposturrrre!”, com direito a eco e tudo, a música já está em clímax de tensão e agressividade que só tende a crescer ainda mais, o que é assustador. A música é temperamental, tem seus momentos chorosos ultra-melódicos e tem seus ápices de infernal moagem e mutilação. Após a última repetição do refrão, a música silencia totalmente, parecendo esconder um final secreto. Começa então outra sessão instrumental com o sugrimento de um dedilhado de violão, que então torna-se riff de pegada crítica e que chama um solo de guitarra infernal de distorção apavorante.A sensação é de como se um abominável titã das trevas tivesse emergido do abismo, uivando, babando, profanando em reivindicação de nossas almas em convite a dentrarmos na escuridão de sua essência sacrílega e maldita. Outra faixa espetacular.

O homem por trás deste fantástico álbum é conhecido por Vurtox. Além de multi-instrumentista e multi-vocalista, ele compôs todas as músicas, escreveu todas as letras, produziu e mixou o álbum. As duas demos lançadas pela banda antes deste álbum já davam mostras do potencial deste cara, mas o resultado final de Back to the Times of Splendor surpreende pela qualidade técnica, beleza, criatividade e pegada. É incrível o fato de Vurtox ter feito essa obra-prima logo em seu primeiro álbum completo.

Sonoramente, houve um casamento perfeito entre o death metal melódico e os elementos técnicos e experimentais característicos do prog metal, especialmente nas duas faixas mais longas, que por si só já valem o álbum. Aqui não existe música de preenchimento, descartável ou genérica. O álbum é coeso e extremamente consistente. Recomendado para qualquer fã de metal independentemente da crença, etnia ou partido político. Obra-prima.

Disillusion
Back to the Times of Splendor, 2004
Prog / Death Metal (Alemanha)

Lista de músicas:

And The Mirror Cracked (8:28)
Fall (4:54)
Alone I stand In Fires (6:53)
Back To Times Of Splendor (14:39)
A Day By The Lake (4:54)
The Sleep Of Restless Hours (17:02)

Tempo total: 56:50

Músicos:

Vurtox / vocal, guitarra, contra-baixo, teclado
Rajk Barthel / guitarra
Jens Maluschka / bateria

Músicos convidados:

Thomas Bremer / piano (1)
Matthias Schifter / Contra-baixo dem trastes (1 & 5)
Denise Schneider / vocal feminido (2 & 6)
Stefan Launicke / piano, cordas (4 & 6)
Alex Tscholakov / percussão (3)

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