The Clash: Polêmico na época, posteriormente um clássico
Resenha - London Calling - Clash
Por Eduardo Wolff
Postado em 12 de outubro de 2013
Câmbio.
Início de transmissão. Codificando sinal. É Londres chamando.
The Clash. Álbum London Calling. Lançado em 14 de dezembro de 1979.
Terceiro disco do grupo. Pulsos elétricos mais ecléticos.
Menos punk rock. Outros gêneros musicais presentes como: rockabilly, jazz, ska e reggae.
Mais instrumentos incorporados no álbum. Joe Strummer e Mick Jones, além das guitarras e dos vocais, tocam piano e harmônica. Instrumentos de sopro foram agrupados em muitas faixas desse registro.
Polêmico entre os fãs na época. Posteriormente, um clássico.
Lançado como LP duplo por preço de um. Atitude punk.
Capitalismo é a principal temática do disco.
No tributo Burning London: The Clash Tribute quase a metade das covers são do London Callling.
Desvendando os códigos. Sinais entrando em 1,2,3...
"London Calling", faixa-título. Muitas distorções nas guitarras é o que ressoa no início desta transmissão. O baixo de Paul Simonon é poderoso e presente, praticamente leva a música.
Segundo sinal "Brand New Cadillac". Um rockabilly mais ácido. Faz lembrar o Stray Cats, grupo que tocava este estilo musical. Anos mais tarde, iria difundir este som nos anos 1980.
"Jimmy Jazz" é o terceiro. Assovios no início, guitarras quase "limpas" (com poucas distorções) e instrumentos de sopro. O jazz é bem presente. Completa para esta sonoridade um solo de saxofone, mesclado com guitarra.
Quatro sinal é "Hateful". Som punk rock em nível médio, um agressivo moderado. Para agradar os fãs dos primeiros discos do Clash. A letra fala de ódio. Sentimento convencional de um "punkrocker".
Próximo é "Rudie Can't Fail". Reggae tocado ao estilo "clashiano", ou seja, uma boa sujeira de rock nesse ritmo jamaicano. Mick Jones e Strummer trocam os vocais principais nessa canção.
Sexto é "Spanish Bombs". Resgata a história da Frente Popular na Guerra Civil Espanhola. De Analuzia até Granada, cidades onde tiveram batalhas sangrentas. No refrão, as frases são cantadas em espanhol, mas sem muito nexo.
Na sequência é "The Right Profile". Novamente, uma influência de jazz. Porém, a canção é mais raivosa que Jimmy Jazz. Do mesmo modo, a parte de solo é com saxofone.
"Lost In The Supermarket" é o próximo. Consumismo é tratado nesta canção com ironia e depressão. "I'm all lost in the supermarket. I can no longer shop happily. I came in here for that special offer. Guaranteed Personality" (Eu estou totalmente perdido no supermercado. Eu não consigo mais comprar feliz. Eu vim pelas promoções. Personalidade garantida).
Frequência "Clampdown". Mais perturbações sonoras de uma guitarra começa mais um punk rock. Como também na letra, que aguça a repressão do capitalismo entre os trabalhadores.
Décimo "The Guns Of Brixton". Única composição com assinatura do baixista Paul Simonon. Brixton, um bairro de Londres, tem moradores descendentes de africanos e caribenhos. Reggae é o ritmo dessa canção, com menção a composição "Harder they Come", de Jimmy Cliff.
Espere por 10 segundos. Intervalo curto. Retomando contato.
Sinal "Wrong 'em Boyo". Tem o ska como ritmo. É ao estilo movimento Two Tone, oriundo no final dos 1970, tendo bandas inglesas como The Specials e Madness explodindo na época.
Décimo segundo "Death Or Glory". Inicia com uma guitarra a la blues soando de fundo. Música que deixa uma atmosfera reflexiva e paradoxal, ou seja, morte ou glória.
Frenquência "Koka Kola". Parecendo um jingle, a letra é justamente contra as propagandas. Com um punk rock ecoando, reflete sobre os inúmeros anúncios espalhados em vários cantos do mundo.
Próximo, "The Card Cheat". A mais dramática, com Mick Jones nos vocais. Piano é a base da canção, parecendo, por vezes, trilha sonora de filme de época. É a música mais produzida do disco.
Sinal "Lover's Rock". Um rock de intensidade suave cantado por Strummer, com Jones fazendo a segunda voz. Muitos instrumentos de percussão, geralmente encontrados no reggae.
Décio sexto é "Four Horsemen". Depois de falar dos quatro cavaleiros em meio ao consumismo, metade da canção tem uma batida de cavalaria. Acompanhada de um solo de baixo e guitarras, dando uma atmosfera viajante.
Na sequência "I'm Not Down". Como sugere o nome da letra, tem ritmo animado. Com direito a uma quebrada na música que remete ao Caribe.
Penúltimo, "Revolution Rock". Canção com reggae mais encorpado ao estilo tradicional da Jamaica. No final, uma batucada em ritmo africano.
"Train In Vain", o último. Estilo pop, no entanto autêntica. Grandes riffs de guitarra de Mick Jones. A harmônica acompanha bem os instrumentos de cordas.
Londres se despede. Encerrando a transmissão.
Câmbio, desligo.
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