Clash: em "London Calling" uma obra prima do rock mundial

Resenha - London Calling - Clash

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Por Elias Rodigues Emidio
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Como li certa vez em um site a respeito sobre esta obra-prima do rock sua origem é mais ou menos divina: Deus criou o homem, este a música, a história a dividiu em estilos e o Clash os reuniu em sua grande obra prima do Rock mundial.
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“London Calling” é o terceiro álbum de estúdio da banda The Clash. Os dois álbuns anteriores eram pérolas genuinamente punks, com pouquíssimo espaço para a improvisação, com aquela velha fórmula já conhecida: quatro acordes, acompanhados por uma batida rápida e letras com fortes e ácidas críticas sociais.

Os Sex Pistols tinham o empresário Malcolm McLaren que alçou a banda aos holofotes da mídia e fez da banda a mais famosa do movimento Punk, embora tudo tenha se revelado uma grande farsa para que o empresário ganhasse grana em cima do movimento que explodiu na segunda metade da década de 1970 na Inglaterra como pode ser conferido no filme “The Great Rock & Roll Swindle” (A grande trapaça do Rock & Roll). Não possuir um empresário que lhe ditasse o que fazer permitiu ao Clash uma liberdade musical jamais vista em outra banda punk, aliás poucas bandas experimentaram tamanha variedade sonora na história do Rock. Esta obra-prima do Clash tem um pouco de tudo do que já havia sido feito no Rock: Punk, Rockabilly, Jazz, Blues, Hard Rock, New Wave, Pop, Ska e Reggae. A sonoridade deste disco seria o suficiente para o colocar entre os maiores já feitos em toda a história do Rock, porém a banda ainda não satisfeita com isso deu origem aos mais bem elaborados versos de protesto já feitos no Rock mundial. Aliás que outra banda teria genialidade suficiente para rimar grateful, breakfast com paid for e feckless, ou ainda citar grandes gênios como Federico Lorca em suas composições? A crítica dita especializada da época que sempre torcia o nariz para as bandas de Punk Rock, teve de se render à genialidade deste disco, ao seu engajamento social, a sua sonoridade e acima de tudo ao talento inegável dos membros do Clash.

O disco abre com “London Calling” faixa que dá titulo ao álbum e a melhor de todo o disco, a introdução da música com uma batida forte e cadenciada é um show a parte na canção, que traz a tona os perigos de uma possível Guerra Nuclear na época, sobretudo pela Guerra Fria (disputa entre URSS e EUA), haja visto o episódio da crise dos mísseis em Cuba ocorrido anos antes, Joe Strummer dá um show nos vocais. Em sequencia temos “Brand New Cadillac” um Rockabilly acelerado com velocidade punk, que dá sequência ao clima criado pela canção anterior. É a vez o Jazz dar as caras no disco “Jimmy Jazz” como o próprio nome já sugere é uma canção com ritmo e letras contagiante típico das Big Bands de Jazz do sul dos EUA (Dixieland Jazz), o destaque fica por conta do saxofone. Em “Hateful” Topper Headon prova que foi acertada sua escolha para substituir Terry Chimes e nesta dá uma aula de criatividade na bateria, criando um ritmo dançante que obriga o ouvinte chacoalhar o corpo e bater palmas, uma das melhores em todo o disco. “Rudie Can’t Fail” é um Ska com uma batida extremamente contagiante, rimas perfeitas e que marca o começo da crítica social no álbum. O álbum continua crescendo em qualidade e na sequência temos “Spanish Bombs” uma crítica ácida ao regime ditatorial fascista espanhol, a canção tem uma das melhores melodias do álbum e (perigo!!!) um refrão que gruda como chiclete na cabeça. “Lost In Supermarket” tem como destaque a bateria de Headon e mais uma vez uma forte critica social que prepara o ouvinte para...

“Clampdown” é um verdadeira porrada no orgulho do capitalismo, uma das canções de protesto mais explosivas da história da música que não perdoa ninguém, seja governos corruptos e injustos ou as selvagens “leis” que regem o sistema capitalista, um dos maiores destaques do álbum. “Guns Of Brixton” traz uma forte crítica social, tendo como base o violento bairro londrino de Brixton. Apesar disso a canção tem uma batida Reggae contagiante, elaborada pelo baixista Paul Simonon, com destaque para o baixo e para a bateria marcantes. “Wrong’Em Boyo” é um Ska dançante, que dá sequência ao clima criado pela canção anterior, com arranjos simplesmente geniais com destaque para o saxofone e o órgão. “Death Or Glory” é um Hard rock direto, uma sonoridade até então incomum e novidade para uma banda de punk. “Koka Kola” traz mais uma vez uma forte crítica ao sistema capitalista e aos inclusos nele, o título da canção refere-se a empresa de mesmo nome que é um dos maiores símbolos do capitalismo ianque. “The Card Cheat” é outro Hard Rock, cujo destaque fica por conta da fantástica introdução com piano, baixo e bateria. “Lovers Rock” é vez do romantismo dar as caras no disco, rock simples, direto e descompromissado. “Four Horsemen” traz uma das melodias mais fracas de todo o disco que dá uma melhorada no refrão, a mais fraca em todo o disco, mas ainda sim uma grande canção. “I’m Not Down” traz uma melodia contagiante e vocal de Mick Love está sensacional, faixa mas enérgica que a anterior e que dá uma grande elevada na qualidade do álbum. “Revolution Rock” mostra mais uma vez a criatividade melódica da banda, e apesar do título traz uma batida cadenciada típica do Reggae. Pra fechar com chave de ouro “Train In Vain (Stand By Me)” uma da melhores composições de todo o álbum com uma melodia perfeita, cujos destaque fica por conta dos vocais de Mick Jones e da bateria de Headon.

A arte gráfica da capa do álbum é um caso a parte nesta obra-prima e remete ao não menos clássico “Elvis Presley” de 1956 um dos maiores trabalhos daquele que é tido por muitos como o rei do rock. A foto na capa é do baixista Paul Simonon destruindo o seu baixo em uma de suas apresentações em Nova Iorque. Como quase toda grande obra musical o impacto foi pouco sentido na época, porém com o passar dos anos “London Calling” se mostrou um dos álbuns mais influenciadores da história do Rock, influenciando desde artistas internacionais como Red Hot Chili Peppers e Living Colour (expoentes do Funk Metal) à artistas nacionais aclamados como Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso e Skank, que bebem na fonte da mescla de ritmos musicais variados, que sempre o maior destaque desta obra prima não só do rock, mas da música de um modo geral.

Item, essencial em uma coletânea, quando o assunto é Rock & Roll.

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