Lingua Mortis Orchestra: Parece - e é - um disco do Rage
Resenha - LMO - Lingua Mortis Orchestra/Rage
Por Luis Fernando Ribeiro
Postado em 17 de agosto de 2013
A primeira pergunta que me vêm à mente ao terminar a audição de "LMO" é: Este é realmente um disco da LINGUA MORTIS ORCHESTRA, é um disco do RAGE ou é as duas coisas ao mesmo tempo?
O disco é, na verdade, o 'debut' da LINGUA MORTIS ORCHESTRA, mas não deixa de ser o 22º disco de estúdio do RAGE. Isso mesmo! 22º. Peavy e seus companheiros são realmente incansáveis, mas nem por isso lançam álbuns ‘meia-boca’. Todos os lançamentos da banda são acima da média.
Desde que começou apostar na inclusão definitiva de orquestrações em sua música, com o lançamento do disco "Lingua Mortis", em 1996 - que já trazia a "Medley" de 15 minutos de arranjos e riffs marcantes em conjunto com a orquestra, que é a música mais expressiva dessa nova empreitada da banda - os alemães do RAGE formaram uma nova identidade musical, à qual carregam até os dias de hoje. É praticamente impossível não ver uma clara relação entre discos como "Carved in Stone" e "Strings to a Web", por exemplo. A proposta musical do RAGE tem funcionado muito bem e se em time que está ganhando não se mexe, é assim que o RAGE continua trabalhando.
É praticamente impossível dizer se o destaque do disco fica por conta das orquestrações extremamente bem elaboradas, do peso da música do RAGE, ou na variação de vozes de Peavy, acompanhado das incríveis vocalistas Jeannette Marchewka e Dana Harnge, da LINGUA MORTIS ORCHESTRA. Mas é obrigatório que seja falado sobre o incrível guitarrista Victor Smolski, principal compositor desta magnifica obra e que vem se tornando um dos principais músicos do cenário Heavy Metal mundial.
Também é imprescindível citar a belíssima arte da capa do disco e seu conceito, todo escrito por Peavy, baseado na queima das bruxas, na cidade alemã de Gelnhausen, em 1599.
Musicalmente, como já foi falado, "LMO" não possui muitas diferenças em relação aos últimos lançamentos do RAGE, porém, é mais polido e elaborado. A gravação é impecável, deixando todos os instrumentos bem audíveis e o entrosamento da banda com a orquestra é monstruoso.
A primeira faixa, independente de ser a mais longa, é a primeira música de trabalho deste lançamento. "Cleansed by Fire" é um épico dividido em três partes, "Convert the Pagans, Pt. 1", "The Inquisition (Instrumental)" e "Convert the Pagans, Pt. 2". Após uma longa introdução com citações em latim, a banda entra com tudo acompanhada de passagens orquestradas de extremo bom gosto. Quando Peavy começa a cantar, é quase impossível não se arrepiar. Muitos podem não gostar de seu estilo, mas é inegável que seu vocal é único e poderoso. Neste disco ele é acompanhado pelas vozes marcantes de Jeannette Marchewka e Dana Harnge, que o escoltam sem nenhuma dificuldade. Como já é de costume no RAGE, o refrão fica na cabeça de primeira, lembrando facilmente músicas como "Empty Hollow" ou "Carved in Stone". Esta faixa foi escolhida como primeiro single, pois da espaço à todos os instrumentos, mostrando a qualidade e talento de todos os músicos, individual e coletivamente.
Já nesta primeira música é possível perceber o primor com que este disco foi gravado e produzido. O som é límpido, sem deixar o peso de lado. Nenhum instrumento se destaca mais que o outro e tudo se encaixa perfeitamente.
O peso toma conta em "Scapegoat", com riffs de Victor Smolski e os bumbos duplos de André Hilgers. As variações vocais de Peter "Peavy" Wagner são tão claras que me peguei pesquisando alguma participação especial nesta faixa, ou você já imaginou que o ouvira cantando gutural? Do meio em diante o destaque fica por conta das variações da bateria.
"The Devil’s Bride" começa com alguns efeitos criados por sintetizadores, seguido por uma bela passagem de teclados. Os riffs novamente impressionam. Quem começa cantando dessa vez é Jeannette Marchewka, que não aposta em vocais típicos de bandas com mulheres no microfone. O refrão é disparadamente o melhor do disco e os solos de teclado e guitarra são emocionantes.
Antes de continuar, dou-lhe uma dica leitor: Pegue os fones de ouvido, apague as luzes e desfrute de todo o charme de "Lament", que como o próprio nome sugere, é um lamento emocionante e épico. Esta balada dá ênfase as belas interpretações de Peavy, Jeannette e Dana. As melodias criadas por Smolski tanto no teclado quanto na guitarra, além do belo solo, apenas confirmam tudo que já foi dito sobre este incrível compositor.
Carregada de melancolia, "Oremus" serve como uma introdução para a pesadíssima "Witches Judge". Já de cara somos surpreendidos pelos bumbos velosíssimos André Hilgers. A música mantém o alto nível do disco bem como todas as características das faixas anteriores, sem soar repetitivo.
O disco se encaminha para o final com a carregada "Eye For An Eye", onde os destaques são as orquestrações, o refrão emotivo e os arranjos de teclado. Ela oscila entre momentos mais calmos e melodiosos e outros mais pesados e intrincados, com solos acelerados.
"Straight to Hell" começa com um interessante riff, acompanhado logo em seguida pela orquestra e depois pelo resto da banda. Este mesmo riff acompanha todo o desenrolar da música.
O disco é encerrado com a emocionante "One More Time" e quando ela começa você já estará com vontade de colocar o disco pra tocar de novo. Esta música literalmente fecha o disco com chave de ouro, sendo uma das melhores de todo o álbum. Os riffs estão entre os mais pesados do disco.
Este é definitivamente um dos grandes lançamentos de 2013 e não passará despercebido entre os fãs de Heavy Metal em geral. Uma descrição para este álbum? Épico. Esperamos que esses alemães não parem tão cedo de lançar discos nesse nível, os privilegiados somos nós, os fãs.
Lingua Mortis Orchestra feat Rage- LMO (2013 – Nuclear Blast)
Track List:
1 - "Cleansed by Fire"
2 - "Scapegoat"
3 - "The Devil's Bride"
4 - "Lament"
5 - "Oremus"
6 - "Witches' Judge"
7 - "Eye for an Eye"
8 - "Afterglow"
9 - "Straight to Hell"
10 - "One More Time"
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