Stone Sour: mais que apenas música, eles seguem fazendo história

Resenha - House of Gold & Bones Part 2 - Stone Sour

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
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O ser humano é saudosista por natureza. É comum a sensação de que o que foi feito no passado é, invariavelmente, melhor do que aquilo que é produzido agora, no nosso tempo. Explicar as razões que nos levam a sentir isso não é tarefa fácil. Elas envolvem, na maioria das vezes, muito mais a emoção do que a razão. Construímos histórias, relacionamentos, durante todas as nossas vidas, e, ao olhar para trás, a saudade e o distanciamento muitas vezes nos causam a falsa sensação de que o que vivemos antes nunca encontrará parâmetro no que ainda temos para viver, por melhor que sejam as perspectivas.
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Divagações à parte, em relação à música esse raciocínio é aplicado de maneira cada vez mais frequente. Ouvintes mais conservadores, ou com uma visão mais ortodoxa, muitas vezes afirmam com certeza absoluta que nada do que é feito hoje em dia no rock, no metal, na música de um modo geral, chega aos pés do que já foi produzido antes. Uma grande bobagem, muitas vezes defendida por mentes sem conhecimento do que está acontecendo. Cada época teve os seus artistas importantes, que fizeram história e mudaram o curso das coisas. E a comparação entre esses períodos distintos não passa de um exercício inútil. O motivo nos leva de volta ao primeiro parágrafo, e se chama identificação. A geração que consome música hoje em dia é diferente daquela que vivia em lojas de discos há vinte anos atrás. A realidade é diferente. Os gostos são diferentes. O mundo é diferente. Os ídolos são outros.

Corey Taylor é um dos personagens centrais do rock contemporâneo. Seja à frente do Slipknot ou liderando o Stone Sour, o vocalista tem a mesma importância, para as gerações mais novas, que um Ozzy Osbourne, um Bruce Dickinson, tiveram para mim e para você, que já passamos dos 30 e, muitas vezes, dos 40 anos. Sua trajetória o transformou em um ícone, e com justiça. Frontman carismático, compositor talentoso, letrista inspirado, Taylor é a voz de uma geração, o principal rosto do heavy metal produzido nos últimos 15 anos.

Todo esse status faz com que, como acontecia em épocas passadas a cada novo lançamento de seus principais nomes, o mundo parasse e prestasse atenção naquilo que lhe era entregue. Corey Taylor faz isso. Cada movimento seu é acompanhado com atenção, e inevitavelmente recompensa seus discípulos.

É o caso de "House of Gold & Bones Part 2", quinto álbum do Stone Sour, sucessor e segunda parte da história iniciada no disco lançado em 2012. Novamente produzido por David Bottrill, traz Taylor, James Root (guitarra), Josh Rand (guitarra) e Roy Mayorga (bateria) mais uma vez acompanhados por Rachel Bolan, do Skid Row, dando uma força no baixo. Com doze faixas, conclui a trama do trabalho anterior e soa como seu irmão siamês.

O estilo, o modo de fazer som pesado do Stone Sour, alcançou em ambas as partes de "House of Gold & Bones" o seu ápice. Grandes melodias, agressividade andando lado a lado em canções que poderiam tocar perfeitamente em qualquer rádio, riffs bem construídos e os vocais carregados de sentimento de Taylor colocam a banda no topo, acima da maioria dos demais grupos de sua geração.

Em relação ao CD anterior, este soa um pouco mais denso e emocional, levando o ouvinte em uma jornada repleta de momentos sombrios. A abertura, com a climática “Red City”, já deixa clara essa característica através de sua estrutura crescente. “Black John”, a seguir, inscreve-se fácil na lista de melhores músicas gravadas pela banda. “Peckinpah”, “Gravesend” e “Do Me a Favor” mantém o nível no alto, com grandes doses de energia e adrenalina sendo injetadas sem dó. Há, no entanto, um aspecto mais contemplativo aqui, com diversas baladas e faixas mais calmas que dão ao trabalho o desejado ar de conclusão de uma saga. História essa que chega ao seu fim com a primorosa faixa-título, daquelas composições que, ao ouvir, você já imagina o gigantesco impacto e estrago que causarão ao vivo.

Tão bom ou até melhor que o disco anterior, "House of Gold & Bones Part 2" é um álbum excelente, que dará ainda mais espaço e popularidade ao Stone Sour. A banda fez um belo trabalho outra vez, mostrando o porque de toda celebração à sua volta.

Daqui há alguns anos, quando você estiver mais velho e seus filhos estiverem mexendo na sua há muito tempo ultrapassada coleção de CDs e encontrarem "House of Gold & Bones Part 2", vão pegá-lo na mão e o manusear como muito mais do que apenas um CD. Irão abrir a sua embalagem, ler o seu encarte, sentir o seu cheiro. E, ao colocá-lo para tocar, irão se sentir como você se sente hoje ao pegar um LP antigo do Sabbath, do Maiden, do Metallica.

Mais do que apenas música, o Stone Sour segue fazendo história.

Faixas:
1 Red City
2 Black John
3 Sadist
4 Peckinpah
5 Stalemate
6 Gravesend
7 ’82
8 The Uncanny Valley
9 Blue Smoke
10 Do Me a Favor
11 The Conflagration
12 The House of Gold & Bones

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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