Misfits: ponte entre hardcore nova iorquino e o metal extremo

Resenha - Earth A.D./Wolfs Blood - Misfits

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Por Paulo Severo da Costa
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Capitaneados pelo baixinho mais encrenqueiro do rock n'roll, o MISFITS carrega em si um mundo de contradições: inventaram o horror punk, mas não encabeçam as mesmas listas de RAMONES e CLASH, influenciaram profundamente o death metal mas não tem um décimo do espaço das bandas da Flórida, foram regravados pelo METALLICA, GUNS, CRADLE OF FILTH e mais uma pancada de bandas de primeira linha e são ignorados pela mídia. Surgidosem New Jersey no auge do punk rock, a banda misturou GEORGE ROMERO, rockabilly e bandas dos porões de Nova York e criou um som singular, é reverenciada desde KERRY KING ao pessoal do CRAMPS.

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Em 1983, GLEN DANZIG encerrava as atividades da banda - que só voltaria, sem ele, em 1995, após uma disputa judicial pelo nome - mas não sem antes deixar ao mundo um clássico chamado "Earth A.D./Wolfs Blood"- o primeiro título representando o lado A e o seguinte o lado B do álbum. Totalizando pouco mais de vinte minutos de música (na versão estendida), o full é uma verdadeira ponte de transição entre o hardcore nova iorquino e o metal extremo que, naquela época, ainda engatinhava.

"Earth A.D." - a faixa- é rápida e virulenta como um combate desigual de MMA; a sequência com "Queen Wasp" e "Devilock" parece remontar à uma parede de concreto vindo de encontro ao ouvinte. É perceptível que, para além da sonoridade de X e BLACK FLAG, a pegada hardcore do MISFITS passeia por rudimentos dos elementos que estavam estruturando o thrash naquele momento: é válido lembrar que "Die, Die My Darling" e "Green Hell" posteriormente regravadas pelo METALLICA estão presentes nesse álbum. A bem da verdade é possível ao ouvinte mais atento perceber uma sutil semelhança de timbre entre os vocais de DANZIG e os encontrados em "Kill Em'all" - naquele estilo que o próprio HETFIELD já chamou de "cantar como um marinheiro".

A temática sangrenta permanece aqui: faixas como "Bloodfeast", "Demonomania" e "Hellhound" dão o ar da graça como molduras do inferno que, na época, ainda não conheciam o então não fecundado grindcore, em faixas que duram de quarenta segundos a três minutos. Resumo: rápido e dolorido.

Track list:
1. "Earth A.D." 2:09
2. "Queen Wasp" 1:32
3. "Devilock" 1:26
4. "Death Comes Ripping" 1:53
5. "Green Hell" 1:53
6. "Mommy, Can I Go Out and Kill Tonight?" 2:03
7. "Wolfs Blood" 1:13
8. "Demonomania" 0:45
9. "Bloodfeast" 2:29
10. "Hellhound" 1:16
11. "Die, Die My Darling"
3:11
12. "We Bite"




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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

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