Manowar: um desafio para os ouvidos

Resenha - Lord Of Steel - Manowar

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Por Leonardo Zoccaratto Ferreira
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Nota: 4

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Depois de um longo período somos convidados a ouvir o novo álbum destes gigantes do heavy metal. Que experiências esta nova audição nos traria?
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Confesso que as audições dos últimos álbuns do Manowar não tem sido uma tarefa simples. Se acostumar com o fato de uma banda com tanta história, com tão bons discos, lançar trabalhos ruins tem testado até o melhor dos "guerreiros do metal". Agora, este último disco, este tal de "Senhor do Aço", tem realmente desafiado meus ouvidos.

O que dizer sobre os lançamentos anteriores? Primeiro um longo período entre eles. E depois de tanto tempo seria de se esperar bons álbuns, mas o que tivemos? O limitado "Warriors Of The World", com seus gloriosos 30 minutos de Heavy Metal; o pomposo "Gods Of War" e suas orquestrações intermináveis; o excelente meio-CD "Thunder In The Sky"; e o absolutamente descartável "Battle Hymnys MMXI"(ou seja lá o que for). Com um histórico desses por que nos surpreendermos com mais esta porcaria?

Não sejamos saudosistas. Uma coisa é gostar da banda. Uma coisa é um trabalho infeliz. Outra coisa é perceber que há muito tempo o senhor Joey DeMaio já está de saco cheio de fazer música. Sim, é só olhar para este último disco: as ideias aqui são ruins? Não. Existe criatividade? Sim. O que falta então? Mais cuidado, mais carinho com o material, mais tempo de estúdio, mais vontade de buscar a perfeição. As ideias foram todas juntadas de qualquer jeito, de forma até amadora em alguns trechos, algumas colocadas onde não deveriam, outras repetidas ao extremo, chegando ao ponto de eu não conseguir ouvir as músicas do meio pro final dominado por uma vontade imensa de apertar o "next".

Este não é um disco ruim, é um disco desleixado, mal acabado, tirado antes do forno, feito "nas coxas". Tenho a impressão de que o que queriam era mais dar uma resposta aos fãs do que lançar algo com propriedade. Tipo assim: "Vamos lançar qualquer porcaria para que eles parem de nos encher os bagos nos próximo 5 anos...". Ai eles lançaram uma versão virtual para sentir a repercussão do álbum, viram que as pessoas perceberam a porcaria que estavam ouvindo, voltaram ao estúdio apressados, mudaram a mixagem, botaram um solo mal acabado aqui, um eco da voz do Eric Adams ali, e qual a surpresa? Mesmo tendo mais uma música, a fraca Kingdom Of Steel, conseguiram a proeza de piorar o trabalho inicial, destruir os únicos bons arranjos do álbum! Esta última música alias, era prometida como a salvação da pátria, mas não serve nem para lustrar os sapatos, por exemplo, da poderosa "Gods Of War" do disco de 2006.

Enfim, vamos a uma rápida análise sobre as músicas. (notas 1 a 10):

1- Lord Of Steel: Música de abertura, confesso que foi uma das únicas onde o bisonho som do baixo me caiu bem. A música possui dois bons momentos: o riff de guitarra, repetido a exaustão, e um razoável solo de guitarra. O resto é desprezível. A música como um todo é cansativa, chata, impossível de ouvir mais de 3 vezes sem apertar o "next". Tem uma boa proposta, mas não passa disso.
Primeira versão: NOTA 4
Segunda versão: NOTA 3

2- Manowarriors: Música mediana que ganha status porque o disco como um todo é fraco. Um bom trabalho dos instrumentos, uma letra marcante e só. O refrão, que em si é muito bom, é estragado quando repetido a exaustão. O que o nosso amigo Joey quer esticando as músicas desse jeito?
Primeira versão: NOTA 5
Segunda versão: NOTA 5

3- Born In A Grave: Excelente música destruída pela versão final do CD. Destruída sim, porque seu melhor momento era o começo, simplesmente suprimido pela nova mixagem, sem falar da adição de uma infinidade de repetições do refrão no seu final, transformando os seus minutos finais numa verdadeira máquina de tortura. Na primeira audição, era uma das únicas coisas bem trabalhadas do CD. Isto se perdeu na versão física.
Primeira versão: NOTA 8
Segunda versão: NOTA 4

4- Righteous Glory: Boa balada, mas só. Não chega aos pés de "Courage". Não consegue nem superar a medíocre "Blood Brothers". Não diria que é descartável, mas está longe de poder carregar o "álbum nas costas". Diria que seria uma boa coadjuvante em um disco de mais alto nível.
Primeira versão: NOTA 5
Segunda versão: NOTA 6

5- Touch The Sky: Outra boa música arrebentada pela nova configuração. Na primeira versão tínhamos algo direto, cru, cativante, empolgante. Na nova versão a música continua a mesma até sua metade. Mas o que é aquele novo arranjo depois do solo? Aquela bateria? Nem meu primo de 12 anos faria algo tão incompetente e amador. Grande exemplo de como 15 segundos mal pensados afundam uma boa música.
Primeira versão: NOTA 7
Segunda versão: NOTA 4

6- Black List: Esta sim, este é o verdadeiro teste pra saber se você é um guerreiro do aço. Porque só assim mesmo pra aguentar um enfadonho tão grande quanto o trazido por essa música. Aqui novamente ideias boas organizadas porcamente. Esta música tem quase 7 minutos. Ficaria muito boa com 4, e olhe lá. O início empolga, um ritmo poderoso, já posso ouvir o som da marreta batendo no aço. Mas isso vai murchando, murchando, murchando... e com 3 minutos eu já estava pedindo arrego. O que mais me chateia é o trabalho péssimo de Karl Logan. No momento em que deveria entregar um magnifico solo para segurar a música até o fim, como por exemplo, em "Today Is A Good Day To Die", nos apresenta algo medonho, sem um pingo de criatividade. Enfim, quando quiser botar meu filho de castigo vou mandá-lo ouvir Black List 3 vezes seguidas, quem sabe assim ele aprenda.
Primeira versão: NOTA 2
Segunda versão: NOTA 2

7- Expendable: Graças ao deus-metal essa música não foi mexida da primeira pra segunda versão. A única mudança, a qual alcançou o álbum inteiro, foi fundamental para dar ainda mais força às excelentes baquetas de Donnie Hamzik. Aqui a bateria mais crua surte grande efeito, principalmente no refrão. Também aqui o bom senso reinou: essa música acaba na hora certa, sem mais os 20 segundos de refrão/enrolação costumeiro. Ganha destaque mais pela mediocridade do álbum do que pela qualidade em si.
Primeira versão: NOTA 5
Segunda versão: NOTA 6

8- El Gringo: Primeira música disponível à audição. Tem uma levada interessante, uma cavalgada "ala" Iron Maiden que empolga, e só. Algumas partes não se harmonizam com o restante, que perde sua força até o final. Parece muito com dançar bolero com a irmã. Pode até ser curioso no começo, mas depois fica extremamente chato. Ah, não poderia deixar passar mais uma vez a repetição exagerada, o alongamento exacerbado da música. Tinha um bom potencial, mas a falta de harmonia e bom senso dos "reis do metal/enrolação" a danificaram.
Primeira versão: NOTA 2
Segunda versão: NOTA 2

9- Annihilation: O título empolga, e a música também. Uma das melhores do álbum, música perfeita para Manowar. Forte, firme, som de ferro batendo com ferro, verdadeira celebração do Heavy Metal. O ponto forte é a abertura da música e seu excelente refrão. Ponto fraco é mais uma péssima atuação de Karl Logan que repetiu (o cúmulo do descaso) algumas partes do solo de outras músicas. Mas no todo, música que merece ter o selo da banda.
Primeira versão: NOTA 8
Segunda versão: NOTA 7

10- Hail, Kill And Die: Essa música é o símbolo deste álbum. Deixa escancarado os otários que somos. Com esse título original, o recado é direto: "estávamos com preguiça de escrever a letra, então que tal copiar os títulos de outras músicas, mesmo que não faça qualquer sentido?" Ai podiam eles inventarem esse papinho de que "queríamos homenagear o nosso passado" para cobrir sua displicência. Ah, faz me rir. Música chata, fraca, desestimulante, não traduz o que é - ou era não é? - de fato o Heavy Metal forte, agressivo, poderoso, mas criativo, dos Reis do Aço. Não consegui ouvir duas vezes seguidas.
Primeira versão: NOTA 2
Segunda versão: NOTA 2

The Kingdom Of Steel: Foi transformada na última esperança, anunciada como se nos dissessem: "escutem, este primeiro álbum está uma porcaria, mas o melhor ainda está de fora, a versão física do CD terá uma surpresa"! Bem, está é a surpresa. Uma música que buscava ser pomposa, grandiosa, conceitual, etc... pode até ser, mas também é chata. Sim, não tem a mesma força, nem de longe, das outras deste estilo da banda. A banda lançou algumas nessa linha, alguns "hinos" muito bem sucedidos. Já citei aqui a excelente "Gods Of War". Mas isto, esta "O Reino do Aço", é ruim, pobre, sem criatividade, modorrenta. Seu começo é até bom, temos um sentimento que a qualquer momento a música vai empolgar, mas pelo contrário, se torna insuportavelmente repetitiva. Pelo menos temos um bom solo de Logan, mas que dura muito menos do que deveria, para voltarmos à cadência orquestrada e sonolenta de antes. O balanço? Nosso bote salva vidas afundou, e ela só não consegue ser a mais fraca porque compete bravamente com "Black List", "El Gringo" ou "Hail, Kill And Die". Chata demais!

Segunda versão: NOTA 3

Como finalizar este texto? Poderíamos dizer que o trabalho de Eric Adams esta razoavelmente bom. Poderíamos ressaltar as boas baquetas de Donnie. Mas infelizmente não podemos deixar de citar a mediana atuação de Joey DeMaio e seu piccolo bass. Talvez seja por isso que ele inventou aquele novo timbre "mosquito", para que não percebêssemos as pobres linhas de baixo construídas nesta obra. Também temos que falar de Karl Logan: que péssima jornada! Já estávamos carecas de saber que ele não era lá essas coisas, mas neste álbum se superou. Solos sem inspiração, alguns repetidos, e uma atuação digna de um guitarrista de garagem, no pior sentido. Parece que gravou tudo em 15 minutos e voltou para casa. Nem mesmo a capa do CD foi relevante. Um garrancho absurdamente sem graça e sem propósito de um musculoso segurando uma espada. Não da pra fazer melhor que isso? Nem que seja pra colocar uma foto do DeMaio cortando grama no quintal da sua casa. A capa daquele CD virtual, com aquela marreta, estava bem melhor do que esta última.

Por fim diríamos que não temos diante de nós ideias ruins, apenas toscamente pensadas. Algumas músicas ficariam melhores se simplesmente fossem organizadas de modo diferente. Outras ficariam ótimas se fossem podadas aquelas repetições infinitas e acrescentado verdadeiramente um final pra que elas não caíssem em tantos "fade outs". Não engulo esta mania de querer aumentar o tempo do álbum acrescentando refrãos, é uma loucura. Enfim, a iniciativa de fazer um disco direto, sem as tais orquestrações, foi valida, mas penso que se a questão é lançar álbuns por lançar e ficar nos entregando estas tranqueiras, apenas para que os fãs não fiquem mais roendo as unhas, talvez devesse o Manowar pensar se não é a hora de se retirar. Pelo menos deixaríamos preservada na memória a imagem de uma banda que já esteve no auge.

Manowar – The Lord Of Steel
Gravadora: Magic Circle Music

INTEGRANTES:
Guitarra:Karl Logan
Baixo:Joey DeMaio
Bateria:Donnie Hamzik
Vocal:Eric Adams

1. The Lord Of Steel
2. Manowarriors
3. Born In A Grave
4. Righteous Glory
5. Touch The Sky
6. Black List
7. Expendable
8. El Gringo
9. Annihilation
10. Hail, Kill And Die
11. The Kingdom of Steel

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