Dokken: muito abaixo do esperado pra uma banda no fim
Resenha - Broken Bones - Dokken
Por Igor Miranda
Fonte: Van do Halen
Postado em 02 de outubro de 2012
Nota: 5 ![]()
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Muita água rolou para o Dokken entre o lançamento deste play e de seu antecessor, o bom Lightning Strikes Again, de 2008. Don Dokken e George Lynch, que se odiavam, voltaram ao coleguismo. Lynch e Jeff Pilson chegaram a participar de um show com os velhos colegas em 2009, até que, no ano seguinte, o vocalista e o guitarrista apareceram juntos no That Metal Show, anunciando que a formação clássica da banda havia voltado. Não durou muito para que os próprios brigassem e voltassem atrás, não se reunindo mais.
Durante todo esse tempo, a banda lançou um Greatest Hits em 2010, com duas faixas inéditas, aparentemente para cumprir tabela. Jon Levin e Sean McNabb, respectivamente atuais guitarrista e baixista, ficaram estacionados durante o período, sem saber se continuariam empregados ou não. No final das contas, aconteceu o que todo mundo esperava: brigas e provocações na imprensa. Finalmente, no início de 2012, o mais novo registro do Dokken começou a ser realmente trabalhado. E, em setembro, temos a oportunidade de escutar Broken Bones, álbum que, segundo Don Dokken, deverá ser o último da banda.
http://www.vandohalen.com.br/don-dokken-confirma-que-esse-e-o-ultimo-disco/
"Empire", conhecida do público por seu videoclipe anteriormente lançado, abre o registro com velocidade e muita classe. Don Dokken não força a barra com sua voz já desgastada e consegue se sair bem mesmo assim. Destacam-se o entrosamento da cozinha comandada por Sean McNabb (baixo) e o veterano "Wild" Mick Brown (bateria) e o incrível solo de guitarra de Jon Levin. A faixa título, cadenciada e um pouco mais soturna, dá sequência. As dobras vocais incomodam, pois a voz de apoio cantada pelo próprio Don fica mais alta que a sua principal, enquanto a voz de apoio que não é cantada por ele (presente no refrão) tem volume ideal. Levin novamente se mostra inspiradíssimo, não apenas por seu solo, mas com riffs e arranjos excelentes.
"Best Of Me" tem uma boa linha de bateria e demonstra muito peso, provavelmente pela afinação alterada dos instrumentos de corda. Mas a performance de Don não empolga. Mantendo a cadência das duas anteriores, "Blind" seria o momento ideal para acelerar as coisas – mas, como dito, não foi aqui que isso ocorreu. Parece uma faixa irmã da sua anterior, mas com menor duração. "Waterfall" é um tédio, principalmente por seu refrão pouco pegajoso – algo que não tem nada a ver com o Dokken de outrora.
"Victim Of The Crime" começa com um instrumental empolgante, mas cai pra mesmice: quando a voz entra, a guitarra aparece sem distorção, depois volta, a cozinha faz o feijão-com-arroz e Don apresenta o de sempre, cada vez menos emotivo e satisfeito, aparentemente. O tão contestado Jon Levin salva a música com inspirados solos de guitarra, ao estilo George Lynch. "Burning Tears" engana com seu início acústico, pois a banda entra rapidamente. Essa canção me agradou mais que as outras, mas ainda segue o mesmo modelo das mesmas.
Chegamos à oitava faixa e finalmente o script é modificado. "Today" é uma bonita balada, predominantemente acústica. Tem um toque de contemporaneidade, mas nada comprometedor. A voz de Dokken caiu muito bem aqui. "For The Last Time", na sequência, é uma semi-balada enganadora: começa acústica, o peso é retomado em ponte e refrão, depois volta a ser acústica no verso e acaba pesada. Uma das melhores faixas, justamente por ser inspirada e diferente das demais. A batida mais acelerada colabora para o êxito da canção.
"Fade Away" é pra lá de melódica. Segue o modelo da faixa anterior, mas com melhor apresentação vocal de Don. Os vocais de apoio atrapalham o refrão – faltou bom senso ao produtor. "Tonight" fecha o disco com peso, mas bem menos cadenciada que as entediantes canções do miolo do play. O instrumental é magnífico. Trata-se de uma boa canção e fecha muito bem o play, apesar de tudo.
Broken Bones é um disco confuso e embaraçoso, até certo ponto. O Dokken teve uma carreira de qualidade incomparável e não deveria se findar desta forma. Mesmo que não acabe, trata-se de um ponto baixo na discografia do grupo. Em muitos momentos, o quarteto tentou soar como o Lynch Mob, liderado por George Lynch, eterno desafeto de Don. Mas sem a mesma classe. Se não fosse por algumas poucas faixas que realmente salvam o trabalho, Broken Bones seria um álbum 100% dispensável.
Don Dokken (vocal)
"Wild" Mick Brown (bateria)
Jon Levin (guitarra, violão)
Sean McNabb (baixo)
01. Empire
02. Broken Bones
03. Best of Me
04. Blind
05. Waterfall
06. Victim of the Crime
07. Burning Tears
08. Today
09. For The Last Time
10. Fade Away
11. Tonight
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