Candlemass: A história e as curiosidades do primeiro álbum

Resenha - Epicus Doomicus Metallicus - Candlemass

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Por Alcides S. Maia Júnior
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O álbum “Epicus Doomicus Metallicus” foi fruto de um longo processo que levou mais de dois anos para ser concluído considerando o tempo entre o final da banda Nemesis e o lançamento do álbum em junho de 1986. O Nemesis foi formado em 1983 e logo após ter lançado o EP “The Day Of Retribution” (1984) a banda se separou. Após a separação Leif Edling decide mudar o nome da banda para Candlemass, afim de evitar problemas com direitos autorais, já que havia outras bandas com o nome Nemesis.
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No período de 84 a 86 o Candlemass teve diversas formações, sendo Leif Edling o único membro permanente. Durante esse período o Candlemass influenciado por bandas como Black Sabbath, Venom, Accept, Angel Witch, Anvil, Trouble e algumas bandas da NWOBHM se concentrou no processo de composição, ensaios e a gravação de fitas demo que seriam distribuídas no circuito de trocas de fitas tão comum nos anos 80. Uma dessas fitas foi enviada para a gravadora francesa Black Dragon Records que se interessou pelo trabalho da banda, mas ainda estava indecisa quanto a contratá-los e pediu mais uma demo. A banda enviou para a gravadora mais uma demo com as faixas “Demon's Gate” e “Black Stone Wielder” e aconselhada por Mark Shelton guitarrista e vocalista do Manilla Road, a Black Dragon assinou um contrato para a gravação de um álbum.

Nesse momento a banda contava com Matz Ekström na bateria, Mats “Mappe” Bjorkman na guitarra base e Leif Edling no baixo, para a guitarra solo a banda testou vários guitarristas até escolherem Klas Begwall. Com essa formação começaram a gravar o álbum em fevereiro de 1986 nos estúdios Thunderload que ficava em um porão embaixo de uma estação de metrô em Estocolmo. A banda enfrentou vários problemas durante as sessões, como a falta de banheiro (no CD bônus da edição de 25º aniversário Leif lembra que só havia um balde em um canto do estúdio para a banda usar), não havia um bom isolamento acústico, o que fazia com que fosse possível ouvir a banda ensaiando na sala de mixagem e o rigoroso inverno sueco, que obrigava a banda a usar luvas sempre que não estivesse tocando, já que o estúdio não tinha aquecimento. Apesar de todos os problemas, alguns fatores foram decisivos para que a banda escolhesse os estúdios Thunderload, primeiramente o baixo custo já que contavam com um orçamento de somente U$$ 2.000 dólares, Yngwie Malmsteen usou o estúdio para gravar uma demo e o fato dele pertencer a Ragne Wahlquists da banda Heavy Load, que após o fim de sua banda passou a ter aspirações como produtor e participou do álbum como co-produtor e engenheiro de som.

Mesmo com as sessões de gravação em andamento, a banda ainda precisava de um vocalista. Matz mostrou para Leif uma fita demo da banda Jonah Quizz com Johan Langquist nos vocais e decidiu convidá-lo para se juntar à banda. Como as gravações estavam bem adiantadas e como Langquist não havia ouvido uma nota sequer antes das sessões, Leif teve que passar um bom tempo ao seu lado ensinando as músicas.

As faixas foram escolhidas com base no repertório que a banda acumulou no período entre o fim do Nemesis e a gravação do álbum. Com exceção de Solitude todas as outras faixas já haviam sido gravadas em fitas demo.

O álbum foi lançado em 10 de Junho de 1986 e o primeiro pagamento que a banda recebeu foi em selos postais internacionais. Apesar de atualmente ser considerado por muitos como o melhor álbum do Candlemass e um clássico do Doom Metal, a banda foi dispensada pela gravadora Black Dragon Records devido ao fracasso comercial na época do lançamento.

Os únicos membros a continuarem no Candlemass após o lançamento do álbum, foram Leif Edling e Mats Bjorkman. Não houve turnê de divulgação já que os outros membros saíram da banda logo após o lançamento de “Epicus”. Matz Ekström não conseguia conciliar os horários de ensaios com seu emprego noturno, Matz decidiu ficar no seu emprego à ter que conviver com as incertezas de uma carreira no ramo musical, o mesmo aconteceu a Klas Bergwall. Johan Langquist, já havia deixado claro antes das sessões de gravação que não continuaria na banda apesar de Leif tentar convencê-lo do contrário, Langquist manteve sua decisão e passou a se dedicar aos seus trabalhos mais orientados à música pop e ao Hard Rock melódico (conhecido pela sigla AOR), sem obter sucesso nessa empreitada chegou a trabalhar como taxista e técnico de futebol para crianças. Em 2009 voltou a ter algum destaque no ramo musical com o lançamento do álbum Expression da banda Impulsia. Voltou a trabalhar brevemente com o Candlemass, gravando algumas demos que podem ser ouvidas no box Doomology. Langquist participou do show de 20º aniversário do Candlemass, cantando ao vivo pela primeira vez algumas músicas do álbum. O show foi lançado em DVD em 2007. Em 2011 excursionou com a banda durante as comemorações do 25º aniversário de “Epicus” onde a banda tocava o álbum na íntegra com Langquist nos vocais.

O álbum foi relançado em 2001 e 2003 pelo selo Powerline, e em 2007 pela Peaceville Records em CD e LP duplos, com o álbum remasterizado no disco 1 e com um show gravado em Birmigham em 1988 no disco 2, já com a formação clássica com os vocais de Messiah Marcolin. Em 2011 foi lançada a edição de 25º aniversário com comentários de Leif Edling no disco 2.

Abaixo, as curiosidades de cada faixa:

Solitude:
Considerada a marca registrada do Candlemass, Solitude é faixa obrigatória em seus shows. Foi a última canção escrita antes que a banda entrasse no estúdio para gravar “Epicus Doomicus Metallicus”. Foi escolhida em meio a outras canções mais rápidas por ser a mais pesada. Leif Edling dedica a canção a si mesmo nos créditos do álbum.

Demons Gate:
A escolha inicial de Leif Edling para abrir o álbum, mas ele acabou sendo convencido pelos outros membros da banda a escolher Solitude. A faixa foi inspirada no filme de terror The Beyond (Terror nas Trevas) de 1981, do diretor italiano Lucio Fulci. No filme uma garota herdeira do Hotel Seven Doors (Sete Portas) encontra um livro escrito há 4 mil anos com as profecias de Eibon. Estas profecias falam dos sete portões do inferno que quando abertos espalharão o mal sobre a face da Terra.

Crystal Ball:
Leif teve muita dificuldade para escrever a letra, ele conta que a escreveu durante longas caminhadas que ele fazia buscando inspiração sem que se distraísse com telefone, televisão. A canção tem inspiração no livro o Senhor dos Anéis.

Black Stone Wielder:
Uma visão pessoal de Leif Edling da história dos três reis Magos. A faixa nunca havia sido tocada ao vivo até 2003.

Under the Oak:
É a quarta parte da saga “Tales Of Creation” uma história conceitual sobre a origem da vida que começou a ser escrita durante a época do Nemesis. A faixa seria lançada posteriormente dentro de seu conceito original no álbum “Tales Of Creation” com os vocais de Messiah Marcolin.

A Sorcerer's Pledge:
A faixa foi retrabalhada diversas vezes entre 84 e 86, e difere da versão lançada na fita demo principalmente pela introdução acústica e as vocalizações de Cille Svensson no final da canção.

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Sobre Alcides S. Maia Júnior

Conheceu o rock ainda moleque através do futebol, ao escutar We Are The Champions do Queen, a partir daí foi conhecendo diversas bandas clássicas como Black Sabbath, Deep Purple, Pink Floyd, Led Zeppelin, Rainbow, Judas Priest, Iron Maiden, Candlemass, entre outras.

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