Led Zeppelin: Ninguém atingiu um patamar tão vasto
Resenha - Houses of the Holy - Led Zeppelin
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 26 de julho de 2012
Nota: 10 ![]()
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Em várias ocasiões me deparei com uma distinção quase catedrática quanto à carreira dos BEATLES: a fase "inocente" – representada até "Help"- e a fase "madura"- de "Rubber Soul" até o último disco. Por mais pueril que seja essa divisão, fato é que existe realmente uma clara sensação de movimento e experimentalismo na discografia dos ingleses de Liverpool. A habilidade de absorção de influências, junto a uma infinita curiosidade em estúdio, foram realmente o fiel da balança da banda; o ponto diferencial de seu distanciamento frente aos seus contemporâneos.
Nessa esteira, surgiram outros "irresponsáveis" que sempre procuraram pautar sua discografia pela inovação – BEACH BOYS, CREAM, PINK FLOYD visavam a recriação a qualquer custo, muita das vezes invertendo uma pretensa lógica formal do processo. Mas, dentre eles, ninguém atingiu um patamar tão vasto, uma capacidade de síntese de influências tão abrangente quanto o LED ZEPPELIN.
È inegável que em termos de recursos de produção, álbuns como "Pet Sounds" ou "Dark Side Of The Moon" dificilmente serão superados - aliás, levando-se em conta a facilidade promovida pelos recursos digitais atuais – nunca serão. A abrangência a qual se refere ao LED é a catalisação de jazz, funk, blues, rock n´roll e música étnica transformados em um produto único, original, sólido, e que, ainda que reiteradamente ouvidos, possuem um sabor eterno de novidade.
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Depois de um disco de estréia blueseiro, seguiu-se um tratado em hard rock, por sua vez sucedido por uma mistura mágica entre folk, blues e afinações originalíssimas ao rock n´roll, a banda pariu um clássico torrencial, um misto de literatura de TOLKIEN e hard cacetada. No ano seguinte, chegaram ao quinto álbum- "Houses Of The Holy". Depois de lançar "Stairway To Heaven", "Good Times Bad Times", "Heartbreaker" e "Tangerine"- entre outros duzentos clássicos – quem é que tem algo ainda para dizer?
Pois é: gravado em 1972, menos de quatro anos depois do debut da banda, eles ainda tinham muita lenha para queimar. "The Song Remains The Same" é o sonho de composição de dez entre dez bandas: forte, repleta de camadas de chorus, a faixa é a quitessência do bom gosto no quesito "muralha de guitarras" ao melhor estilo que BRIAN MAY faria tão bem depois.
"Rain Song" vem embrulhada em uma afinação alternativa e no mellotron classudo de JONES. Além do violão, PAGE utiliza sua indefectível guitarra Danelectro – que deu ao mundo "Kashmir" de brinde. "Over The Hills and Far Away"- minha preferida do álbum - é o melhor exemplo de alternância de dinâmica da discografia do LED, marcada por um sob ressalto rítmico inesperado e cheio de groove por parte da banda.
Ok, mas quais as novidades? "The Crunge" e "D´yer M'aker" matam de susto um ouvinte mais desavisado. A primeira, criada a partir da batida improvisada de BONHAM é um funk muito louco, uma versão cheia de ácido de JAMES BROWN; a segunda - que já foi regravada até pela infame LADY GAGA - é clássico desde que nasceu: um reggae carregado de más intenções, com um pé na Jamaica e outro em uma área de "luz vermelha" qualquer.
Psicodelia e paulada hard não faltaram nesse registro: "No Quarter" nos mostra a exata medida entre a tecladeira "aquática" do progressivo, o vocal subterrâneo e a guitarra simples, decisiva e certeira em uma equação primorosa. Já "The Ocean" mostra que não faria feio em "Led Zeppelin II" construída sobre um dos melhores de PAGE – o que convenhamos não é pouca coisa.
Em uma época em que "ecletismo" virou sinônimo de mistura de "adubos" diferentes- resultando em uma terceira espécie- é um bálsamo para o mundo ter uma herança como essa.
Track list:
"The Song Remains the Same"
"The Rain Song"
"Over the Hills and Far Away"
"The Crunge"
"Dancing Days"
"D"yer Mak"er"
"No Quarter"
"The Ocean"
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