Negura Bunget: Para quem gosta de black metal atmosférico
Resenha - OM - Negura Bunget
Por Janderson Dias
Fonte: hoochiekoo.blogspot
Postado em 08 de junho de 2012
"Negură Bunget é uma névoa negra vindo das profundidades de uma floresta escura e densa. O nome tenta representar de alguma forma a atmosfera, tanto musical quanto espiritual que nós queremos criar através da nossa música. É também de uma natureza esotérica, constante para as partes inefáveis de nossa ideologia. As duas palavras também fazem parte do substrato Trácio do idioma Romeno (o mais antigo, contendo cerca de 90 palavras), uma vez que o interesse na nossa história e espiritualidade local é algo de crucial importância e significado para nós como banda".
Negură Bunget: uma névoa negra vindo das profundidades de uma floresta escura e densa.
Foi o que respondeu Negru, baterista e membro fundador da Negura Bunget, quando perguntando sobre a etimologia do nome da banda. "Uma névoa negra vindo das profundidades de uma floresta escura e densa", de fato, não haveria nome mais adequado para descrever o som presente em "OM", quarto álbum de estúdio dos romenos.
Sempre achei o black metal um estilo musical um tanto ridículo (sem ofensas aos black metal heads), a filosofia deturpada e o apelo visual mal produzido das bandas norueguesas do início dos anos 90 ainda gera risos quando me deparo com algum videoclipe no youtube.
Foi então que eu ouvi o Filosofem. Ali estava algo único, a distorção diluída das guitarras em meio a cordas sintetizadas criavam uma atmosfera densa e ao mesmo tempo etérea, foi quando eu descobri que o black metal pode ser algo muito interessante quando prioriza o lado atmosférico.
E se você se impressionou com o Filosofem tanto quanto eu, certamente irá se impressionar ainda mais com "OM". Ao contrário da grande maioria das bandas de black metal, o Negura Bunget possui uma musicalidade impecável, a maneira como as composições se organizam em camadas sonoras que geram peso e melodia, tudo ao mesmo tempo, torna a audição uma confusão prazerosa. É possível notar isso já na segunda música, depois da introdução atmosférica em meio a urros viscerais,"Tesarul de Lumini" mostra uma guitarra base com timbre caustico característico do estilo, ponteado pelos riffs melódicos da segunda guitarra que inicia em meio a uma bateria pulsante e rápida e se encerra sobre o sintetizador ascendente em notas cada vez mais altas e prolongadas.
"Primul Om" é praticamente uma oração, a voz termina de recitar a letra e da espaço a um coral de "Oms" em clima de música "dark ambient". A riqueza de detalhes sonoros impressiona e causa total imersão na obra, aconselho ouvir com fones de ouvido e com os olhos fechados.
"Cunoaşterea tăcută" continua o disco com uma porradaria drone que toma ares progressivos na metade do caminho. "Hupogrammos Disciple's" tira o gutural de cena e acompanha o riff de guitarra com um canto quase gregoriano. O disco segue com "Inarborat", por um momento achei que havia um saxofone solando notas graves, mas aparentemente se trata de uma corneta típica da Romenia, o que junto a percussão tribal dá ares folk para a música.
"Dedesuptul" trás um daqueles momentos em que a saturação é tamanha que fica praticamente impossível saber quantas guitarras foram gravadas na versão de estúdio dá música, mas a composição não se deixa levar pela mesmice habitual do black metal e logo toma rumos com ritmos mais cadenciado.
Novamente uma percussão tribal, dessa vez acompanhada por uma cama de cordas em notas agudas e outra em pulsantes notas graves, não há vocal dessa vez.
"De piatră" segue em um estilo mais tradicional, lembrando até um pouco o Darkthrone no início, mas logo se desprende e encontra ritmos diferentes. A próxima música, "Cel din urmă vis", segue uma linha mais sinfônica, em alguns momentos lembrando um pouco o "Dimmu Borgir", em outros o "Dead Can Dance".
"Hora soarelui" anda pelos caminhos obscuros do folk metal com solos de flauta misturados a um coro de vozes masculinas. Al doilea om fecha o disco em meios a "Ohms" e tambores.
Para quem gosta de black metal atmosférico, ou simplesmente de uma musicalidade mais densa, "OM" é uma pérola do estilo e definitivamente merece ser ouvido.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do Metallica que James Hetfield considera "fraco": "Um enorme sinal de fraqueza"
Blaze Bayley escolhe o melhor disco do Metallica - mas joga sujo na resposta
Nicko McBrain fala sobre rumores de aposentadoria de Dave Murray
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Os álbuns do Rush que são os prediletos de Regis Tadeu
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Metal Hammer coloca novo álbum da Nervosa como um dos discos que você precisa ouvir em 2026
A banda que poderia ter chegado ao tamanho do Led Zeppelin, segundo Phil Collen
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
Sonata Arctica lança seu novo single, "Freedom Concept"
Neil Sedaka, um dos grandes hitmakers da história, morre aos 86 anos
Rob Zombie lança seu novo álbum de estúdio, "The Great Satan"



"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Blasfemador entrega speed/black agressivo e rápido no bom "Malleus Maleficarum"
Tierramystica - Um panegírico a "Trinity"
GaiaBeta - uma grata revelação da cena nacional
Before The Dawn retorna com muito death metal melódico em "Cold Flare Eternal"
CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


