Anathema: Música de qualidade acima de tudo
Resenha - Weather Systems - Anathema
Por André Prado
Postado em 07 de junho de 2012
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
No início da década de 90 nasceram na Inglaterra as grandes bandas expoentes no estilo doom/gótico, ou a "profana trindade" formada por Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema que se destacaram passeando pelos extremos da música death, progressiva e até erudita. Foram e são bandas que ajudaram a moldar muito do estilo pelo qual o conhecemos hoje. Entretanto a medida que o tempo foi passando, as três bandas naturalmente foram se distinguindo cada vez mais dentre o som que vinham fazendo.
Se o My Dying Bride talvez dentre as três seja a mais agressiva e depressiva, e o Paradise Lost seja a mais melodiosa e com a pegada mais característica; o Anathema, sempre dignamente no que se propunha a fazer, foi se aventurando e desenvolvendo cada vez mais o seu som. Até que hoje chegamos ao seu 11º registro, o belíssimo e impecável "Weather Systems".
O Anathema declaradamente tem como uma das influências principais o Pink Floyd, mas aqui a banda vai muito além disso, também passeando pelo post-rock e alternativo que conhecemos hoje. Ela não abandona totalmente o doom e o gótico pelo qual se notabilizou, tanto que a pegada de algumas músicas, como o single "The Storm Before The Calm", logo remete-se a algo assim (pelo menos na minha humilde opinião). Essa é a mais evidente, só que em várias outras dá para se perceber isso. Entretanto se encontram tão enraizadas no meio de tantas outras influências, que essa característica só se revela escutando o álbum mais de uma vez. Aliás é fundamental escutar "Weather Systems" várias vezes para se apreciar toda a beleza contida ali.
Dentre tanta coisa que falei, decerto, é impossível conseguir rotular a banda para você leitor de forma convincente. Isso porque o Anathema ao longo da sua carreira sempre fez um álbum diferente um do outro conseguindo estabelecer uma identidade tão marcante, que fica até ofensivo limitar a banda em alguns rótulos e adjetivos. Mas para dar uma ideia do álbum, bem vaga, "Weather Systems" em certos momentos é como se fosse o Coldplay; só que ao contrário da insípida banda inglesa, aqui temos peças belíssimas e comoventes que ficam bem longe de toda baboseira pop que o dito cujo faz.
A abertura com as duas partes de "Untouchable", nos convidam para uma experiência por todas as 9 faixas do álbum, aliás, são 55 minutos que logo ficam curtos quando se percebe ao final da audição que o álbum funciona perfeitamente - e só assim - sem pular nenhuma faixa. É uma experiência sonora deliciosa e singela.
Antes que você pense que depois de tantos elogios e passeios que o Anathema deixou de ser uma banda de rock, a guitarra tem um importante trabalho no álbum, principalmente na dupla "The Gathering Of Clouds" e "Lightning Song". Já o lado mais progressivo vem na forte "Sunlight" e na linda "The Storm Before The Calm", onde temos uma faixa que claramente se divide em duas partes distintas, uma metade eletrônica desembocando no momento mais progressivo do álbum e terminando num belo solo a la David Gilmour.
Outras partes importantes que não devo deixar de citar, são a capa e a produção cristalina do álbum, e a participação fundamental da vocalista de voz belíssima Lee Douglas em duetos com Vincent Cavanagh em várias faixas do trabalho. As mais marcantes são a "Untouchable Part 2" (de letra belíssima), e a já citada "Lightning Song".
Se a banda perdeu muitos fãs da antiga fase em que tocavam um doom/death, a banda angariou com certeza vários outros dispostos a descobrir e experimentar novos horizontes musicais. Com "Weather Systems" e com seus últimos álbuns, o Anathema se notabilizou pela proposta da música de qualidade acima de tudo. Quem está disposto a "viajar" junto, não irá se arrepender.
A banda descreveu "Weather Systems" como: "não sendo música de fundo para festas. O álbum foi feito para tocar profundamente o ouvinte". E não é mais que a verdade. Um dos álbuns mais comoventes que já pude ouvir, e forte candidato a um dos melhores do ano.
Tracklist:
"Untouchable, Part 1" - 6:14
"Untouchable, Part 2" - 5:33
"The Gathering of the Clouds" - 3:27
"Lightning Song" - 5:25
"Sunlight" - 4:55
"The Storm Before the Calm" (John Douglas) - 9:24
"The Beginning and the End" - 4:53
"The Lost Child" - 7:02
"Internal Landscapes" - 8:52
Outras resenhas de Weather Systems - Anathema
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Geddy Lee não é fã de metal, mas adora uma banda do gênero; "me lembram o Rush"
O guitarrista que BB King disse ser melhor que Hendrix; "toca melhor do que qualquer um"
Versão do Megadeth para "Ride the Lightning" é oficialmente lançada
A música do Megadeth que James Hetfield curte, segundo Dave Mustaine
A mensagem profunda que Dave Mustaine deixou na última música da carreira do Megadeth
Homenageando falecido baixista do Scorpions, Jon Bon Jovi publica foto com o... Anvil
Como EP de apenas três músicas mudou o rumo do rock dos anos 2000, segundo a Louder
Fãs de heavy metal traem menos em relacionamentos, aponta pesquisa
Como uma banda transformou seu adeus em um dos filmes mais importantes do rock
Fabio Lione critica o fato do Angra olhar muito para o passado
A lenda do rock que ficou anos sem falar com Slash; "eu disse uma besteira sobre ele"
Paul Rodgers elege o melhor verso de abertura de todos os tempos
Fabio Lione rompe silêncio e fala pela primeira vez sobre motivos da sua saída do Angra
Guitarrista resume a era de ouro do death metal dos anos 90 em tributo relâmpago
Helloween coloca Porto Alegre na rota da turnê de 40 anos; show antecede data de SP


Daniel Cavanagh tocará clássicos do Anathema no Brasil em fevereiro
Bandas de heavy metal que contam (ou contaram) com irmãos na formação
A tragédia familiar que marcou os irmãos Cavanagh, do Anathema
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai


