Tony Iommi & Glenn Hughes: Como não se empolgar?

Resenha - Fused - Tony Iommi & Glenn Hughes

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Por André Prado
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Tony Iommi talvez seja um dos riff-makers mais prolíficos da história. Independentemente do sucesso e de quantos integrantes originais o Black Sabbath tinha, e se esta banda estava na ativa ou não; lá ia ele e lançava um álbum com sua assinatura inconfundível e versátil. Essa assinatura da qual é impossível não identificar independentemente se Ozzy, Gillan, Dio, Hughes ou Martin estavam nos vocais, pois em cada uma das "fases" é bem perceptível a característica empregada pelo guitarrista, passeando pela crueza, melodia e peso com identidade própria.
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E falando sobre a fase com Hughes nos vocais, aqueles eram tempos difíceis para Tony Iommi. Vendo a saída de Ian Gillan depois da gravação do subestimado e histórico "Born Again" , a banda se viu em várias trocas de integrantes e Iommi convidou Glenn Hughes para assumir os vocais e também o baixo da banda; e assim foi lançado "Seventh Star". Criticado por uns e admirado por outros (inclusive por este que vos fala), esse único álbum gravado com a voz de Hughes foi um marco para o Black Sabbath (bem "por acaso" "In For The Kill" mostra isso), e aqui em "Fused" temos a chance de reviver tudo isso de forma magnífica.

Lançado em 2005, é o segundo trabalho colaborativo entre Iommi e Hughes. Se "The Dep Sessions" lançado dois anos antes já foi ótimo, aqui as proporções se tornam épicas. Iommi e Hughes muito mais do que reviver uma antiga e breve formação do Black Sabbath, mostram que aqui o som que fazem é algo totalmente novo e com caraterísticas próprias, que são capazes de dar saudades no mais fanático fã do Black Sabbath do melhor da banda - não fãs idiotas.

"Fused" nas palavras de Glenn Hughes é o último álbum lançado em colaboração com Tony Iommi, aqui os dois quiseram fechar com chave de outro sua história. Sim, isso é uma pena. Se perceberam Iommi ultimamente está buscando se reunir com seus melhores amigos. Com (RIP) Dio no Heaven & Hell, Gillan no projeto tremendão Who Cares, agora com Ozzy com o nome Black Sabbath, e seria um prazer inimaginável se esse tiozinho se reunisse novamente com Glenn Hughes (assim como Tony Martin também) para mais um projeto. Entretanto entendo como eles pensam. Só reside a humildade e a grandeza em grandes músicos, coisa que eles são.

Pelas 10 faixas de "Fused" fiquei pensando e não me veio nada a mente capaz de sugerir um destaque absoluto, e realmente ele não há. Aqui temos talvez o melhor do Black Sabbath (se é que dá em 10 faixas) e o melhor de Hughes e Iommi.

A balada "Deep Inside a Shell", a pesadíssima faixa "Grace", a pegada da "Savior Of The Real", a clássica oitentista "What You're Living Four", a melodia contagiante da "Face Your Fear". Duvido você não balançar incontrolavelmente a cabeça com "Dopamine" e "Wasted Again". Se os mais puristas ainda sim reclamam... "The Spell" é bem arrastadona para agradar os cabeças-duras. E o que falar da excelente "I Go Insane"?. Talvez seja o título apropriado ao final da audição do álbum, dá pra ficar maluco de tanta empolgação.

Outra coisa que... bom, talvez nem precisa dizer, é da atuação vocal de Hughes que nos entrega mais uma vez uma performance emocionante e de Iommi nas seis cordas pesadíssimas como sempre. Então é mais justo avaliar a performance do baterista Kenny Aronoff, de uma pegada perfeita. Simples, básico, e de um arroz com feijão bem temperado que deixaria Vinnie Appice orgulhoso.

Sim, posso ter dado um tom por demais fanático a resenha, sim sou fã confesso dessas duas lendas. Mas como não se empolgar quando duas lendas se reencontram? Escute o álbum e você terá a mesma percepção.

"Fused" é mais que recomendado a aqueles que curtem Black Sabbath, Iommi, Hughes e aqueles mesmo meio alienados procurando uma boa música pra balançar a cabeça. Sem exageros, mas dá uma sensação de que posso morrer feliz depois de ter escutado isso...

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