Eak: Uma agressividade e um contorno extremamente moderno
Resenha - Muzeak - Eak
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 22 de fevereiro de 2012
Nota: 9 ![]()
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Embora ainda pouco conhecida no Brasil, a banda portuguesa EAK pode ser apontada como uma das principais surpresas do metalcore na atualidade. O grupo, que iniciou a sua trajetória com o EP "3 Steps to Nothing" (2003), conquistou certo reconhecimento anos depois com o seu primeiro álbum, intitulado "Musclecore" (2006). O sucesso foi tanto que agora o quarteto de São João da Madeira conta com o suporte da gravadora Major Label Industries para promover o seu novo disco. Com uma agressividade e um contorno extremamente moderno, o recente "Muzeak" tem tudo para impulsionar o grupo ao mainstream europeu.
O quinteto formado por Paulo (vocal), Carlos (guitarra), Jorge (guitarra), Helder (baixo) e Ricardo (bateria) se juntou em 2001 no pacato município sanjoanense
– de pouco mais de 20 mil habitantes e ao norte de Porto – para iniciar um projeto sem precedentes para a história musical da cidade. Com o intuito de executar um metal ríspido e extremamente agressivo, o EAK criou uma personalidade musical ao longo dos últimos dez anos – que seria um pouco difícil de ser rotulada se não fosse as influências gritantes de nomes como MACHINE HEAD e LAMB OF GOD. Os timbres modernos de guitarra e o vocal entoado de maneira quase desesperadora por Paulo é o que contorna o disco "Muzeak" do seu início ao seu final. A velocidade típica do metalcore e todo o clima mais denso do groove metal também aparecem com frequência em pouco menos de cinquenta minutos de música.
Não há dúvidas de que o ótimo trabalho realizado em estúdio é o fator determinante para que o EAK seja elevado aos principais nomes do seu gênero. O som límpido de "Muzeak" é fundamental para que toda a agressividade do quarteto português ganhe forma e se desdobre em uma série de riffs intensos e em uma performance espetacular do baterista Ricardo. A abertura da obra – com a faixa "Do Youy Feel Lucky" – evidencia muito bem todas as virtudes do conjunto que possui em Paulo um frontman de muita representatividade. Por mais que toda a técnica dos cinco integrantes venha aos olhos (e aos ouvidos) do público, a riqueza em detalhes e a versatilidade do repertório do novo disco merecem o prêmio de primeiro destaque absoluto dentro da obra. Os portugueses comprovaram em "Muzeak" que não há limites para ser conciso criativo ao mesmo tempo.
A agressividade é sem dúvida o elemento que dá o norte em todo o novo trabalho do EAK. Com um pouco de melodia, mas com o mesmo peso característico da faixa de abertura, "Down the Well" e "Always" explicitam a capacidade do quarteto português em (literalmente) quebrar tudo. Não há dúvidas de que o feeling e a pegada intensa da maioria das músicas deve constituir o principal atrativo de um futuro show da banda. Como praticamente todo o repertório de "Muzeak" é formado por músicas curtas, que dificilmente ultrapassam a marca de quatro minutos, é essencial que o ouvinte se prepare (e se acostume) com toda a raiva do metalcore do conjunto. A pesadíssima "A Glass of Sand" e a praticamente arrastada "Black Rose (Goodbye)" comprovam que há mesmo muita versatilidade dentro do novo track-list. Porém, o peso intrínseco (e o vocal extremamente gritado) de "Sunday Afternoon Freak Show Cabaret" e de "Hand Solo Debut" deixam claro o caminho pelo qual o EAK atinge o seu melhor resultado.
O metalcore até pode ser considerado um gênero contraditório. A simplicidade do hardcore e a complexidade do metal agressivo caminham juntas e criam um estilo compacto e ao mesmo tempo muito intenso. O competente trabalho do EAK evidencia as duas principais características para que uma banda do gênero se destaque: agressividade e versatilidade. O novo álbum do grupo tudo o que é necessário para figurar entre os principais discos do underground europeu contemporâneo. A banda está no caminho certo e deve conquistar agora o seu devido lugar – afinal o trabalho ao lado da Major Label Industries deve proporcionar uma exposição internacional ao conjunto lusitano. Os apreciadores do metalcore precisam conferir urgentemente o EAK.
Track-list:
01. Do You Feel Lucky
02. Down the Well
03. Always Remember
04. A Glass of Sand
05. Black Rose (Goodbye)
06. Sunday Afternoon Freak Show Cabaret
07. Ears Have You
08. Nasty Haircut
09. You Play You Pay
10. Hand Solo Debut
11. When You Came (I Was Already Gone)
12. Make Up Sex
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