Anthrax: Worship Music é o fim de uma longa novela

Resenha - Worship Music - Anthrax

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Por Durr Campos
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A novela foi longa. Desde "We’ve Come for You All", que marcou a debandada do vocalista John Bush, lançado há pouco mais de oito anos o fantasma do retorno de Joey Belladonna ao posto de frontman ecoava aos quatro cantos. Perfeitamente compreensível, os fãs iniciaram o que parecia uma vigília pela Internet em busca de quaisquer indícios que levassem à confirmação desta retomada do line-up clássico, o que de fato ocorreu por um breve período. Pouco depois, o anúncio de um desconhecido, Dan Nelson, e uma exagerada gama de elogios ao rapaz partindo dos membros remanescentes. Pura balela. Nelson mal esquentou a cadeira e saiu fora, gerando um desconforto imediato entre banda, fãs e mídia especializada. Com a negativa de Bush em voltar ao antigo emprego, restou a Scott Ian & Cia. colocar o rabo entre as pernas e chamar Belladonna de volta. Ufa! Resolvida a questão, colocaram o pé na estrada através do grandioso Big 4 – ao lado de Metallica, Megadeth e Slayer – e, em 2011, soltaram finalmente o tão aguardado novo registro de estúdio, "Worship Music", editado em território brasileiro pela Laser Company.

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Sem dúvidas o maior destaque estão nos vocais de Belladonna. Pessoalmente não o achei tão bom nos vídeos ao vivo que assisti nos dois últimos anos, incluindo aí o DVD oficial do Big 4 mas, em "Worship Music", o homem soltou o gogó como fazia nos tempos de "Among the Living" (1987) e "State of Euphoria" (1988), para ficarmos apenas nestes. Produzido pelo ótimo guitarrista Rob Caggiano, o décimo álbum do grupo traz tudo aquilo que os fãs gostam no Anthrax: rifferama empolgante, batidas velozes, o baixo onipresente de Frank Bello e vocais ultra melódicos. Para eu não me esquecer (crime!), registro a atuação do baterista Charlie Benante, que está matador em todo o CD.

Logo após um início fenomenal com um surpreendente blast beat, "Earth on Hell" chega como um singelo soco no estômago. Os timbres de guitarra foram um golpe de mestre não sendo possível desviar a atenção um segundo sequer. "The Devil You Know", a qual já conhecia antes mesmo do anúncio oficial de "Worship Music", não só mantém a pegada como convida o ouvinte a cantar junto. Lembro-me que ao escutá-la pela primeira vez imediatamente fui transportado aos primeiros dias de John Bush na banda. A levada acessível desta contrasta com a seguinte, "Fight Em Til You Can’t", uma das mais bem construídas em toda a carreira dos nova-iorquinos. Puro headbangin’.

A deliciosa "I’m Alive" e o primor de "In the End" só intensificam o que já estava bom. Esta derradeira mencionada, por exemplo, poderia estar facilmente no supracitado "Among the Living", o que denota extrema qualidade haja vista a magnitude daquele clássico oitentista. "The Giant", por outro lado, consegue unir perfeitamente saudosismo e modernidade. Outra das que mais tenho escutado, assim como a sintomática "Judas Priest", escancarada homenagem à banda de mesmo nome. Sente o drama: "(…) The human condition is dropping like flies/ Unleashed is the beast, the worst of the least/ From sheer depraved evil like some Judas Priest (…)".

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"Crawl", uma espécie de power-balada, dá um descanso ao pescoço, apesar do peso. "The Constant" e "Revolution Screams", as duas últimas, levam o álbum a outra direção. Ambas parecem um casamento de Pantera com S.O.D. (nota do redator: projeto bastante famoso reunindo Charlie, Scott, o ex-baixista do Anthrax Dan Lilker e Billy Milano, vocalista do excelente M.O.D.). Enfim, ainda estou decidindo se gostei ou não dessas canções. Aproveito e convido o caríssimo leitor e comentar aí embaixo suas impressões.

Anthrax – Worship Music
Laser Company – 2011 – Nacional

Tracklisting

Worship
Earth on Hell
The Devil You Know
Fight 'Em Til You Can't
I'm Alive
Hymn 1
In the End
The Giant
Hymn 2
Judas Priest
Crawl
The Constant
Revolution Screams

Line-up

Joey Belladonna - vocal
Scott Ian - guitarra
Rob Caggiano - guitarra
Frank Bello - baixo
Charlie Benante - bateria

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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