Amorphis: Uma mistura de Paradise Lost com Opeth

Resenha - Beginning of Time - Amorphis

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Por Júlio André Gutheil
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Outrora o Amorphis era uma banda de Death Metal. Os anos foram passando e a discografia deste finlandeses se tornou uma verdadeira odisséia sonora e artística. Do Death raivoso e virulento chegamos neste mix de Gothic, Folk, Progressivo e arremendos do que um dia foi as raízes da banda. Eu não me importo nem um pouco com essas mudanças bruscas de sonoridade, e por isso digo que mais uma vezes eles se superaram.
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A banda vem sendo aclamada pela crítica já há muito tempo, mesmo com tantas mudanças. Como já disse várias vezes, a maneira de se manter no topo é ousar, ir contra o senso comum e não ter medo de arriscar. O disco anterior, “Skyforge” (2009), fora muitíssimo bem recebido, sendo considerado o ponto alto da carreira deles. Muito bem, atrevo-me a dizer que este “The Beginning of Times” chegou para tomar este posto na discografia do Amorphis.

Mais uma vez o pano de fundo das canções é o Kalevala, tradicional epopéia nacional finlandesa. Essa ideia de folclore e lendas geralmente faz o ouvinte desavisado pensar que o que virá pela frente é um som grandioso, épico, de grandes hinos impactes e canções de batalha. Mas não é bem esse o caso do Amorphis. As faixas de “The Beginning of Times” reunem uma brilhante junção de folk, gothic melancólico e soturno, aspectos progressivos e saudosistas menções ao death primordial. Tudo isso construído numa forma retilínea e cosnsistente, sem nunca ser soturno demais ou exagerar na grandiosidade, com personalidade latente e criatividade.

As 3 primeiras faixas mostram muito bem esses aspectos. 'Battle for Light', 'Mermaid' e 'My Enemy' denotam toda a versatilidade dos músicos, colocando bastante peso nas canções, mas sem nunca perder de vista um feeling maravilhoso, profundo, intenso. Temos bons riffs, bateria sempre intensa e marcante, baixo um pouco discreto demais e variações vocais muito interessantes.

'You I Need' é o primeiro single. As linhas de teclado criam um clima muito legal, se mantendo presentes ao fundo por toda a canção. O refrão é empolgante, fácil de acompanhar e construído inteligentemente. Um dos grandes destaques do play.

A dupla 'Song of the Sage' e 'Three Words' tem muito peso e técnica, com batante influência progressiva nos riffs e linhas de teclado. Destaque para o vocal de Tomi Joutsen, absolutamente versátil e com muita firmeza em suas atuações. 'Reformation' e 'Soothsayer' mantem o nível lá em cima, e nestas gostaria de mencionar a grande execução do baterista Jan Rechberger, que propocia um peso fabulsoso para as canções. E com isso é preciso destacar os guitarrista Esa Holopainen e Tomi Koivusaari, porque junto ao peso temos riffs que conseguem soar suaves e marcantes, criando um clima obscuro maravilhoso.

Outra faixa muito bela é 'On a Stranded Shore', de riffs simples mas tocantes. Vocal inspírado, forte sem soar agressivo. 'Escape' já começa soturna, vai crescendo e se torna um petardo de peso e intensidade; grande faixa. 'Crack In a Stone' é bem calcada no prog, com uma certa atmosfera doom, pesada e de vocais agressivos mais evidentes. Baterista e guitaristas mandando muito bem. Outro grande destaque do álbum.

E a faixa-título encerra a audição. Uma música madura, de peso e feeling perfeitamente combinados. Tem algumas quebras interessantes. Instrumental impecável e muito trabalhado. Finalização de alto estilo.

É preciso dizer que é um disco longo. Doze faixas de tamanho médio, que pode soar um pouco cansativo para alguns ouvintes. Mas isso não configura um problema ao meu ver, já que uma vez entrando no clima do álbum e se deixando levar pela magia das músicas a audição corre fluente e e agradável.

Uma impressão que me ficou deste trabalho é que soa como se fosse uma mistura de Paradise Lost com Opeth. Não sei se é fato ou só impressão minha, mas se fosse, seriam duas influências das mais dignas.

O Amorphis é uma das melhores bandas da atualidade, querendo ou não admitir os xiitas fãs do começo da carreira, e este disco é forte concorrente a um dos melhores de 2011. Deve chegar em breve nas prateleiras das lojas brasileiras. Confira!

O Amorphis é:

Tomi Joutsen – Vocal
Esa Holopainen – Guitarra
Tomi Koivusaari – Guitarra
Niclas Etelävuori – Baixo
Santeri Kallio – Teclado
Jan Rechberger – Bateria

Track List

1. Battle for Light (05:35)
2. Mermaid (04:24)
3. My Enemy (03:25)
4. You I Need (04:22)
5. Song of the Sage (05:27)
6. Three Words (03:55)
7. Reformation (04:33)
8. Soothsayer (04:09)
9. On a Stranded Shore (04:13)
10. Escape (03:52)
11. Crack in a Stone (04:56)
12. Beginning of Time (05:51)

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Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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