Cement Rain: Indo além do thrash metal oitentista

Resenha - Escaping from the Apocalyptic City - Cement Rain

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Por mais que o thrash metal oitentista possa ser apontado como um marco na história do metal, é extremamente interessante se deparar com bandas que conseguem ir para além dessa única influência. Os gaúchos da CEMENT RAIN não abdicaram do que o gênero conquistou em mais de três décadas, mas conseguiram absorver muitas outras características da música pesada em seu primeiro álbum, intitulado “Escaping from the Apocalyptic City”. Com referências modernas do death ao black metal, a primeira empreitada do grupo mostra mais uma grande ideia que vem do nosso underground.

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Em atividade desde 2007, Moisés Disarmoneous (vocal/baixo e ex-IMPETUS MALIGNUM), André Mud (guitarra e ex-THE WISE) e Pércio Capone (bateria e ex-TUMOUR) possuem muita experiência no cenário underground gaúcho. O projeto, capitaneado pelo guitarrista e principal compositor, conta com três músicos de extenso currículo – desde os anos noventa – em pequenos grupos fundados na capital Porto Alegre. Desse modo, nada mais natural do que rechear de influências distintas (e modernas) o thrash metal da banda. As características mais evidentes – que variam do death ao black metal – aparecem do início ao fim de “Escaping from the Apocalyptic City”. Como consequência, o resultado não poderia ser mais interessante e alheio às mesmices que apenas se repetem no cotidiano do gênero pesado.

Entre letras que abordam temas como histórias de terror (e/ou ficção científica) e problemas sociais (e/ou violência), o repertório construído pela CEMENT RAIN mostra muito fôlego em “Escaping from the Apocalyptic City”. Depois da curta e introdutória “Into the Hell”, “Inferno” apresenta um quê de death metal em uma composição extremamente condizente com o black metal de nomes como o ENSLAVEMENT OF BEAUTY, sobretudo pela performance do vocalista Moisés Disarmoneous. Por mais que a banda invista em uma roupagem moderna, em nada isso indica uma busca por uma sonoridade complexa e tecnicamente variada. Na sequência, “Demons of the Mind” – um dos destaques do álbum – evidencia uma agressividade básica e genuinamente próxima ao thrash/death de grupos como o SLAYER. O resultado (além de válido) é extremamente interessante como proposta idealizada pela CEMENT RAIN.

O que diferencia o power trio gaúcho dos demais representantes do gênero é a excelente atuação do vocalista Moisés Disarmoneous. Com um estilo bastante próprio – e relativamente oposto ao senso comum do thrash metal –, é o cantor da CEMENT RAIN que consolida a boa impressão deixada por “Escaping from the Apocalyptic City”. A sua voz – que se encaixaria perfeitamente em qualquer outro grupo de black metal – mostra versatilidade para explorar sonoridades extremas ou até mesmo cadenciadas. Por essa perspectiva, “Scream and Scream Again” pode ser apontado como um exemplo válido dessa variação (qualificada e possível) dentro do trabalho da banda.

Embora não seja essa a música de maior apelo dentro do disco, “The House that Dripped Blood” conta com um dos instrumentais mais sólidos e agressivos de todo o material. Não há dúvidas de que essa faixa pode ser apontada como o segundo grande destaque de “Escaping from the Apocalyptic City” depois da certeira “Demons of the Mind”. Por mais que mantenha uma boa média entre as doze faixas principais do seu repertório, o disco ainda se desdobra em momentos que não passam despercebidos. De um lado, “Damnation” possui um andamento mais cru e próximo ao thrash metal old school. Os rffs agressivos e extremamente atuais se encaixam perfeitamente à proposta da CEMENT RAIN em criar uma música alheia a rótulos únicos e a datas. Da mesma forma, “C.A.R.C.H.A.O.S./The Adaptoid” se sobressai às demais.

Na reta final, duas interessantes faixas complementam com extrema originalidade “Escaping from the Apolyptic City”. “Red Thrasher” é uma música que André Mud – colorado fanático – compôs como homenagem ao campeonato mundial conquistado pelo Sport Club Internacional em 2006. Para não dizer que a relação entre o clube e a banda se encerra por aqui, o hino colorado aparece como faixa escondida na curta instrumental (e pesadíssima) “The Anthem”.

Não há dúvidas de que o primeiro passo dado pela CEMENT RAIN é mais do qualificado. Embora não conte com nenhuma música de impacto exageradamente comercial, o registro mostra bastante uniformidade técnica e tática. O trabalho gráfico excepcional – que relaciona a capital gaúcha ao futuro – mais ou menos como o clássico desenho de “Somewhere in Time” (IRON MAIDEN) – pode ser apontado com honraria dentro da obra. Entretanto, resta saber como funcionará a banda daqui para frente. O líder André Mud se mudou para Ontário (Canadá) e deverá reformular a CEMENT RAIN no continente norte-americano.

Site: http://www.myspace.com/cementrain

Track-list:

01. Into the Hell
02. Inferno
03. Demons of the Mind
04. The Fly
05. See You in Hell
06. Scream and Scream Again
07. The House that Dripped Blood
08. Hate You All
09. Damnation
10. C.A.R.C.H.A.O.S./The Adaptoid
11. Raise the Horns
12. Red Thrasher
13. The Anthem

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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