Jettblack: A Inglaterra também tem hard rock de qualidade

Resenha - Get Your Hands Dirty - Jettblack

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Por Felipe Kahan Bonato
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Nota: 9


O JETTBLACK é uma banda inglesa que consegue fugir do típico clichê glam, fazendo um hard rock moderno, pesado, com vocais um pouco menos agudos, que parecem retomar o rock clássico, o qual depois acabou produzindo o hard rock. Lançado em 2010, o debut "Get Your Hands Dirty", se não enquadrado como um dos melhores discos do ano, no mínimo apresenta a banda mais promissora dentre as estreantes.

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"Slit It On" abre o disco vorazmente, querendo desmentir a introdução dessa resenha. Iniciando com um riff mais heavy metal que posteriormente culmina em um refrão liderado por vozes, a faixa mostra o bom trabalho de guitarras, que em seus solos flertam, em todo álbum, com o hard/heavy. "Two Hot Girls", na sequência, é uma faixa mais repetitiva, cíclica e apela para um hard rock moderno, além de inserir a variação muito interessante entre Stapleton e Dow, os dois vocalistas da banda. "When It Comes To Lovin'" é outra grande música, menos densa em termos instrumentais, mas também veloz e centrada nos vocais; tem certo toque de David Coverdale e ALICE COOPER. "Fooled By A Rose" tem o clássico andamento mais swingado e abafado do hard rock, com um baixo mais aparente e um solo poderoso, sendo uma faixa que certamente funciona muito bem ao vivo. Até aqui, a banda consegue exibir sua excelência ao fazer um álbum de rock com faixas realmente marcantes.

A quebra da série de canções animadas vem com "War Between Us", que mantém o peso e novamente busca o rock clássico, pelo refrão e vocais. A faixa título é a sexta, e consegue usar bem os backings, a potência dos vocais e a velocidade, muito bem explorada no disco. "Not Even Love" é bela, lenta e dramática, transparecendo essa última característica nos vocais e nas guitarras, muito precisas. Em seguida, a agressiva "Mother Fucker" investe em uma pegada bem metal, quase thrash, enquanto "Sleep" é uma complexa fusão de estilos, sendo a faixa mais diferente do álbum e que, por isso, pode até desagradar alguns com seu refrão mais post-grunge, bem distante do hard rock. Além disso, parece um pouco deslocada das demais músicas. "Holding" volta à tendência do álbum, com mais gritaria que o convencional. Por fim, a longa "Innocence Is Mine" consegue dar a versatilidade atingida também em "Sleep", mas agora, de modo mais coeso com o disco como um todo, encerra muito bem o trabalho do conjunto.

Mesmo com o belo resultado, um dos detalhes ínfimos que podem ser melhorados é a tentativa forçada e desnecessária de se querer dar um toque sleazy mais gritado ao fim de alguns versos, que matam a aura clássica que algumas faixas criam com muito esmero. O outro ponto é a bateria, que fica muito presa e linear nas faixas. Também, nas últimas três faixas, somente a derradeira "Innocence Is Mine" merecia, de fato, estar em seu lugar, já que a interessante "Sleep" poderia ser reposicionada, lançada posteriormente ou ser incluída como bônus.

No entanto, em linhas gerais, não há do que reclamar das bases e dos solos das guitarras que, se não esbanjam técnica, são muito coerentes e criam composições que funcionam muito bem. Sobre as composições, estas têm sua originalidade atrelada ao ótimo elo criado entre o contemporâneo e o clássico, combinação que não é observada em qualquer banda. Resta, portanto, aguardar o JETTBLACK consolidar o grande potencial apresentado em futuros lançamentos, para, então, receber um maior reconhecimento. Dado o bom nível alcançado em "Get Your Hands Dirty", superá-lo não será tarefa fácil! Bela banda!

Integrantes:
Will Stapleton - vocais, guitarra
Jon Dow - vocais, guitarra
Matt Oliver - bateria
Tom Wright - baixo

Faixas:
1. Slip It On
2. Two Hot Girls
3. When It Comes To Lovin'
4. Fooled By A Rose
5. War Between Us
6. Get Your Hands Dirty
7. Not Even Love
8. Mother Fucker
9. Sleep
10. Holding
11. Innocence Is Mine

Gravadora: Spinefarm Records




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Sobre Felipe Kahan Bonato

Felipe Kahan Bonato: Nascido em 88, há mais de 10 anos - por enquanto - escuta praticamente qualquer subgênero de rock e metal, explorando principalmente bandas mais desconhecidas. Teve contato tardio com a guitarra, seu instrumento preferido, optando então em seguir a carreira de Engenheiro de Produção e em contribuir esporadicamente com resenhas no Whiplash.

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